Tem dias em que não
vou a lugar algum, mas quero me arrumar, estar bem e estar bonita.
Há quem não se
arrume senão para terceiros, ou para compromissos ou rituais... Estes, por seu
turno, não usam o perfume de que gostam, nem a roupa que lhes apraz, nem cuidam
de si exceto por exigências sociais.
Eu não escolho as
formas de amor por mim a partir de terceiros.
Não cabe em mim essa
coisa de que ‘a gente se arruma para os outros’. Não, eu me arrumo para ser
reconhecida pelos outros a partir do amor que expresso por mim mesma. É bom
estar feliz com o espelho e olhar para dentro de si percebendo a
correspondência entre a aparência e o bem-estar interior.
Estes mesmos seres
que não usam ou fazem o que gostam, a menos que a ocasião social exija, são os
mesmos que querem ou buscam ter bens para ostentar, mas não para curtir,
usufruir verdadeiramente. Portanto, aplicam o dinheiro num carro luxuoso, que
tem um IPVA alto, gera um consumo absurdo de gasolina e desenrolam uma série de
despesas, para causar impacto nos outros. Acho, porém, que causam mais angústias
do que satisfação, porque se amparam, novamente no que os outros vão dizer.
Consumo saudável é o
que traz satisfação, é consciente.
Nossa autoestima se
expressa em vários lugares que excedem o ego e os rituais de cuidados pessoais.
Quem se ama cuida da cabeça, não acha psicanálise um luxo.
Quem se ama cuida
bem do corpo, por saúde e por estética, sim: é preciso gostar do que se tem. O
respeito ao próprio corpo significa cuidar bem dele, com alimentos, cosméticos,
exercícios, etc., não importa o peso ou a forma. E se uma diferença no nariz (em
qualquer parte do corpo) lhe trouxer a sensação de embelezamento, e é o que falta
para você se sentir bem, faça o seu possível, respeitando os limites aceitáveis
e normais de intervenções.
Em bom português, a
autoestima também está no quanto você se propõe a não se ofender, não se
irritar, não perder seu dia e seu tempo com coisas e pessoas que podem ser
irrelevantes. Deixar para lá, sempre que possível, poupando a mente de
desgastes emocionais e desabafo de instintos em discussões grosseiras, por
gente que nem vale a pena... E se valer a briga, há formas mais eficazes de se
aliviar sem, necessariamente, se deixar afetar.
Em família isso em
bem comum: os próximos são sempre os mais propensos a nos ferir, porque têm
acesso maior a nós, aos nossos arquivos, vulnerabilidades, históricos...
Ainda tem quem
confunda memória com rancor: é que a gente precisa lembrar o que nos machucou,
quem nos magoou, as causas e as circunstâncias, por uma questão de proteção,
porque a gente não vai ficar oferecendo a outra face, andando em círculos em relações
desgastantes. Decerto, não quer dizer que os sentimentos bons acabaram, porque,
eu já disse antes, os maus também precisam de ajuda e de amor, mas se pode
ajudar e amar de longe.
Casos há em que, de
fato, as relações terminam mal e pronto. Não queremos mais ver a pessoa.
Em meu caso, quando
percebo a falsidade e sei até que ponto uma pessoa dissimulada pode ir, como
tal pessoa se infiltra na vida da gente, entre amigos, parentes, ambientes
sociais, derramando venenos e causando inimizades, nunca mais quero saber
sequer do nome do ex-amigo ou amiga.
As amigas que não
respondem contatos, não esboçam receptividade a nada, estabelecem todo tipo de
distância, eu não procuro mesmo. Ficam no limbo.
A vida continua com
ou sem tais pessoas, mas é parte de nossa autoestima procurar nos preservar de
sofrimentos, da exposição a gente tóxica...E há uma coisa que eu aprendi
durante uma trilha na Chapada Diamantina, em novembro do ano passado, quando
ouvi de uma amiga que conheci na ocasião: “esse ‘não’ cabia a você!”.
Então, há nãos que a gente precisa dizer.
Há várias coisas que
dependem de nosso posicionamento, de nossa escolha, das opções que
assinalamos...ou seja, temos escolha e precisamos ter autonomia para declarar
nosso posicionamento.
Amar a si mesmo não
é ser egoísta, mas é saber que em nossa vida a gente precisa estar em primeiro
lugar. Eu: primeira pessoa.
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