Tenho muito o que dizer, só não disponho
de tempo suficiente para esmiuçar os assuntos na proporção exata das palavras e
dos argumentos.
Preciso falar de eleições e de validação:
dois assuntos distantes e complexos, que não é possível esboçar com clareza se
houver falta de tempo, como agora ocorre.
São, pois, dois temas que me inquietam nesse momento.
Validação é o reconhecimento do
que sou, do que sinto e daquilo de que me queixo ou que, simplesmente, envolve
a minha palavra, meu parecer, minha opinião. Neste caso, há uma armadilha
cruel: o viés de confirmação pode resultar em falsa validação. Pode ser a cherry picky, a exceção ou, até, os
falsos comparativos e as falsas equivalências. Sob o ponto de vista restrito e
particular, validação é o que a gente busca no olhar do outro: seja para
confirmar o que o espelho exibe para nós (sou bonito/bonita?), seja ao expormos
sonhos, projetos ou aquela dor íntima, aquele leite derramado de outrora. E se
alguém trata isso como mimimi, se subestima a dor ou subestima nossas
conquistas, nossos pontos de vista, sim, isso é uma invalidação.
Daí que o tecido sob essa questão
é grosso e poroso, não se esgota em minha tentativa de resumo rápido. Não sei
fazer edição de pensamentos complexos porque a margem para uma simplificação
deficiente é imensa.
Já sobre eleições, entendo os
revoltados, os ressentidos, os que ‘se’ dobram à Direita e os que fazem
conversão radical à Extrema Direita. Entender não é concordar, mas reconhecer
os elementos que fundamentam certos traços que formam opiniões e decisões.
Isso não me faz deixar de ser
progressista e de Esquerda. O que muda é que eu adoto uma postura crítica sobre
minha própria escolha e, portanto, não me ofendo ao reconhecer erros,
equívocos, falhas e insuficiências. O oposto também vale: é por reconhecer
lógicas, sentidos, eficiências e adequações, que me mantenho do lado onde
estou. Portanto, se a Esquerda preconiza a justiça social, se defende que a
habitação, a mobilidade, o acesso à saúde, à educação e ao saneamento básico
devem ser gratuitos, plenos e para todos, é deste lado que eu estou. E por ser
trabalhadora, fico do lado de quem defende direitos trabalhistas; e por ser um
ser humano pobre e que paga impostos para o Estado, defendo que o Estado tenha
e mantenha estatais. Aliás, quem detona estatais e defende privatizações só
quer lucrar sozinho com elas. Houve um sucateamento proposital das estatais,
uma difamação reiterada, de modo a fazer o povo pensar que o serviço público não
presta e que as empresas públicas só geram prejuízos. Uma pena! O brasileiro é
convidado a vender sua casa (a estatal) por um preço de barraco e ir morar de
aluguel (viver de entidades privadas). Um assunto desses não pode ser tratado
em poucas linhas.
Mas, fica a dica: enfrentamos muitos
descaminhos. Seria o tempo de perguntar: “Se há um doente, é melhor tentar
fazê-lo recuperar a saúde ou precipitar a sua morte?”; “ Se não há segurança
pública, a gente ganha mais se cada ladrão for para a cadeia ou se o roubo não
acontecer?” – está fácil de responder? Não, não é fácil dar respostas simples
para casos complexos e de muitas faces. Mas, na hora de votar, quem se importa
com isso? Voto é onde o raciocínio não manda e a voz da razão silencia! Falam
somente as paixões e os ódios... e eles fazem muito barulho!

