Afirmei várias vezes por aqui que eu, ao contrário da maioria,
não escrevo quando estou triste. Decerto, minhas recentes ausências do blog não
se deveram a estar alegre ou triste, mas, sim, ao meu pouco tempo qualificado
de ócio. Nem sempre faltou tempo, mas faltou aquele tempo bom, favorável,
criativo e descansado que sustenta o ato de escrever.
Nem mesmo na vida acadêmica fui daquelas pessoas que só sabem escrever
sob pressão. De forma alguma isso funcionaria para mim. Isso se reflete, inclusive,
no meu ódio de acordar cedo: eu levo muito tempo para me organizar mentalmente,
não gosto de acordar compulsoriamente, sob pressão de compromissos. Costumo dizer
que minha alma demora a completar o download
no corpo quando eu acordo. A verdade, no entanto, é que eu gosto de tomar café
vagarosamente (levo 30 minutos).
As coisas de uma manhã bem cedo são pensadas, decididas e
preparadas de véspera, a fim de que eu ganhe aquele tempo. Nunca endeusei o
acordar cedo. Não é o meu ritmo, não vejo graça, não vejo vantagem.
Todos esses fatores recaem sobre minhas ausências do blog: por
três manhãs na semana eu preciso acordar 04h40, a fim de viajar às 06 e estar
na sala de aula às 07h10. Isso significa acordar de madrugada.
Depois, lá vou eu dirigir numa BR predominantemente machista,
violenta e perigosa. Após 35km entre carretas e caminhões, passo a dirigir numa
BA sinuosa, estreita, localizada numa serra, onde predominam automóveis dirigidos
por calvos inseguros e homens em busca de validação, para os quais a pressa é
mais importante que a vida (a dos outros). Acidentes, engarrafamentos,
iluminação e sinalização precárias arrematam o quadro. Assim, ao chegar em casa
estou me sentindo o pó da atadura da múmia.
Há quem romantize isso. Eu acho tudo um sofrimento! Estou em
casa, em paz, com zero interesse em pegar a estrada neste feriadão, pois a
estrada já é minha rotina.
Parte dos fins de semana, apesar do inverno, eu viajei para a
praia ou fui aos rios próximos – por aqui tem excelente opções perto. Foram
episódios em que aproveitei, mas não descansei.
Fui à Praia do Forte, mas não iria em um feriadão em que tudo
fica intransitável, inviável, cheio demais. Isso transforma o lazer em
aborrecimento.
À parte, estou feliz por ter sido aprovada em um concurso na
cidade em que eu moro (resultado divulgado há 04 dias; e que eu só vi ontem) e
ano que vem espero que me convoquem logo, de modo a que eu tenha uma rotina
melhor, sem viagens a trabalho sob as condições já descritas.
Viagem que anseio é a do dia 19 deste
mês, pois no dia 20 pretendo ver o show de Marina Lima na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Adoro Marina! Nunca fui a
um show dela. Aí, então, completarei minha trilogia dos melhores momentos de
minha vida neste ano: há uma semana abracei Xico Sá e Zéu Britto – não há
medida para o quanto eu gosto deles – coincidentemente, não são homens bonitos,
mas são tremendamente inteligentes, criativos e gente boa. Ao encontra-los,
pensei como Fernanda Torres: “A vida presta!”.