Louquética

Incontinência verbal

terça-feira, 29 de setembro de 2026

A superfície do tema

 



Tenho muito o que dizer, só não disponho de tempo suficiente para esmiuçar os assuntos na proporção exata das palavras e dos argumentos.

Preciso falar de eleições e de validação: dois assuntos distantes e complexos, que não é possível esboçar com clareza se houver falta de tempo, como agora ocorre.  São, pois, dois temas que me inquietam nesse momento.

Validação é o reconhecimento do que sou, do que sinto e daquilo de que me queixo ou que, simplesmente, envolve a minha palavra, meu parecer, minha opinião. Neste caso, há uma armadilha cruel: o viés de confirmação pode resultar em falsa validação. Pode ser a cherry picky, a exceção ou, até, os falsos comparativos e as falsas equivalências. Sob o ponto de vista restrito e particular, validação é o que a gente busca no olhar do outro: seja para confirmar o que o espelho exibe para nós (sou bonito/bonita?), seja ao expormos sonhos, projetos ou aquela dor íntima, aquele leite derramado de outrora. E se alguém trata isso como mimimi, se subestima a dor ou subestima nossas conquistas, nossos pontos de vista, sim, isso é uma invalidação.

Daí que o tecido sob essa questão é grosso e poroso, não se esgota em minha tentativa de resumo rápido. Não sei fazer edição de pensamentos complexos porque a margem para uma simplificação deficiente é imensa.

Já sobre eleições, entendo os revoltados, os ressentidos, os que ‘se’ dobram à Direita e os que fazem conversão radical à Extrema Direita. Entender não é concordar, mas reconhecer os elementos que fundamentam certos traços que formam opiniões e decisões.

Isso não me faz deixar de ser progressista e de Esquerda. O que muda é que eu adoto uma postura crítica sobre minha própria escolha e, portanto, não me ofendo ao reconhecer erros, equívocos, falhas e insuficiências. O oposto também vale: é por reconhecer lógicas, sentidos, eficiências e adequações, que me mantenho do lado onde estou. Portanto, se a Esquerda preconiza a justiça social, se defende que a habitação, a mobilidade, o acesso à saúde, à educação e ao saneamento básico devem ser gratuitos, plenos e para todos, é deste lado que eu estou. E por ser trabalhadora, fico do lado de quem defende direitos trabalhistas; e por ser um ser humano pobre e que paga impostos para o Estado, defendo que o Estado tenha e mantenha estatais. Aliás, quem detona estatais e defende privatizações só quer lucrar sozinho com elas. Houve um sucateamento proposital das estatais, uma difamação reiterada, de modo a fazer o povo pensar que o serviço público não presta e que as empresas públicas só geram prejuízos. Uma pena! O brasileiro é convidado a vender sua casa (a estatal) por um preço de barraco e ir morar de aluguel (viver de entidades privadas). Um assunto desses não pode ser tratado em poucas linhas.

Mas, fica a dica: enfrentamos muitos descaminhos. Seria o tempo de perguntar: “Se há um doente, é melhor tentar fazê-lo recuperar a saúde ou precipitar a sua morte?”; “ Se não há segurança pública, a gente ganha mais se cada ladrão for para a cadeia ou se o roubo não acontecer?” – está fácil de responder? Não, não é fácil dar respostas simples para casos complexos e de muitas faces. Mas, na hora de votar, quem se importa com isso? Voto é onde o raciocínio não manda e a voz da razão silencia! Falam somente as paixões e os ódios... e eles fazem muito barulho!


Nenhum comentário:

Postar um comentário