Louquética

Incontinência verbal

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Futuro do amor passado


Cléo e eu somos fãs desta música porque é a D.R. (Discussão de Relação) mais bem feita da história da humanidade. Também é porque concordamos que quando terminamos um relacionamento, a outra pessoa se torna apenas alguém que a gente conheceu e nada mais!
Andei pensando no meu relacionamento mais duradouro: como é possível ficar mais de uma décda com alguém e posteriormente reconstruir a vida sem aquela presença outrora constante; com o medo do possível desconforto de encontrar o ex com sua companhia atual? ; e, sim, eu tenho uma bruta dor-de-cotovelo por saber que ele reconstruiu a vida amorosa e a minha não foi a lugar algum. Pior que isso é a coincidência que coloca no mesmo ambiente a nossa atual companhia e o ex. Sempre dá espaço para comparações, receios e umas sensações esquisitas - e estes sintomas demoram muito a passar em minha vida. Às vezes a relação acabou há meses, mas dar de cara com o ex é um troço esquisito. Porém, quando passa, realmente a gente não vê sequer sentido no passado. Para a minha sorte, até que superei bem certas transições e dos meus ex, boa parte se torna se tornou amigo.
Disse a mim o meu amigo Ósman:"A vida tem muitos amores". Depois a gente vê que tem - isso claro, para as mulheres que não vão às festas preocurar marido, não é? desespero espanta.

Somebody That I Used To Know (feat. Kimbra)
Gotye

Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

Encontros e acasos


Sábado passado fomos comemorar o aniversário do meu primo Nanno lá no Antiquário, num show da 80 na pista.
Antes, dei um tempo no bar ali perto, no Jeca. E enquanto eu esperava o povo Rodrigo apareceu por lá e eu não o via há eras.
Tem um problema sério nisso: Rodrigo é amigo de Nanno. Com os amigos de Nanno eu sou formal e fechada e acabo nem reparando que eles são homens, acabam entrando no time dos ‘que não são para pegar’. Nos tempos de UEFS, eles dois estavam juntos em todo canto e eu nunca parei para repara em Rodrigo e vice-versa, até este sábado em que a gente se descobriu como potenciais seres humanos do sexo oposto.
Não me lembro a que altura de nossa conversa ele quis se cercar de certezas e me perguntou se eu estava sozinha ali, se eu estava sozinha no sentido de não ter namorado, se eu já fui casada, se eu tive filhos... E intercalou esta conversa com perguntas profissionais que confluíram para a discussão sobre as perspectivas profissionais dos que se formam em História, tal como nós, na graduação.
Depois de alguma conversa e não menos tensão de flerte – Diga-se de passagem, conversa boa porque o cara é inteligente e estávamos discutindo o terceiro setor, isto é a atuação das ONGs no Brasil, a visão romântica que o povo tem, achando que ONG é caridade, que não tem fins lucrativos, quando na verdade são entidades mistas que recebem dinheiro do Governo e da iniciativa privada, tendo em maioria vinculações ou interesses político-partidário, com raras exceções – eu disse a ele que tinha que ir porque a festa ia começar (o Antiquário fica a uns 30 metros de onde estávamos).
Ele me abraçou como em tom de despedida. Abobalhada eu comentei: “Poxa, Rô, você nunca me abraçou antes!” – Nestas horas eu concluo: Sou uma sequelada! Não entendi direito que estava acontecendo o que nós queríamos que acontecesse. E aí, eu já queria beijar Rodrigo há um tempo. Já que ele tomou a iniciativa, fui aquiescente. E devo registrar: que menino competente! Abraça gostoso, beija melhor ainda, acaricia com uma suavidade e intensidade... E se não fosse aniversário do meu primo, eu ficaria lá.
Mas entendi quando ele não quis ir à festa: sou parente do amigo dele. Ele não teria cara de me dar uns amassos na frente de Nanno. O pacto machista dos amigos não era à toa: meu primo iria rasgar o verbo se sacasse que a gente andou se pegando, ia dar lições em nós dois.
Eu aqui, reclamando da falta de homens heterossexuais machos do sexo masculino e excluindo das possibilidades os amigos do meu primo. Mas tem um histórico: meu primo Marcelo sabe que eu sou caidinha por um amigo dele, o Danilo. Já advertiu nós dois uma vez, a caminho da praia, cada um separadamente. Deduzo que deve ser desconfortável para eles esse papo de que o amigo está pegando a prima. E a mim ninguém pergunta o que acho. Não é que eu vá deixar de fazer o que quero por causa dos primos, mas os amigos deles tem medo de perder a amizade ou de se comprometerem porque não dá para ir ficando com a prima dos outros e depois sair como se nada tivesse acontecido. E o interessante é que todo mundo aqui citado já vai com o pé na casa dos 30 ou dos 40 anos, com as práticas da adolescência.
Ah, sim, a festa em si: uma porcaria. Não que a apresentação da banda não tenha sido boa, mas o som estava ruim, o público estava abaixo do esperado e o repertório foi pouco dançante.
E para finalizar, deixa eu agradecer a Deus por movimentar esta minha vidinha sem graça ponto com – especialmente a vida amorosa, onde nada significativo acontece desde 13 de janeiro. Acho que sou infeliz solteira tanto quanto sou infeliz quando mal acompanhada e pensando nisso, tiro duas conclusões: a primeira é que vou retirar meu perfil do site de relacionamentos, porque só tem candidato ‘tranqueira’ e site de relacionamento é fria, mau negócio; a segunda é que os amigos dos meus parentes não devem ser tratados como meus demais amigos aos quais trato como parentes. Logo, amigos de meus parentes são passíveis de despertar interesse.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Caso de amizade


Não sei o que há de ofensivo em se declarar que se gosta de certo homem como amigo. Não entendo como isso pode ferir o orgulho masculino a ponto de quebrar, inclusive, os elos da amizade.
Quando eu era criança, sim, dizer que se gostava de um homem como amigo – bem como a recíproca, isto é, quando eles diziam gostar de uma mulher como amiga – era um modo discreto de expressar o desinteresse e sob o desinteresse o indicativo de que aquela pessoa era pouco atraente, pouco desejável, algo deste tipo.
Fico com Caetano Veloso “E sei que a poesia está para a prosa/assim como o amor está para a amizade/e quem há de negar que ESTA lhe é superior?”. Amores passam mais que amizade, sendo ambos igualmente importantes... Mas, sem querer enrolar ninguém, respondo em meu nome que não são escolhas isso de gostar como amigo ou gostar como homem. Talvez seja esse o problema: gostar de um homem como homem é, por certo lado, gostar de todas as potencialidades que um homem pode oferecer e não, necessariamente, circunscrever isso ao plano fraterno da amizade. Ah, pobrezinhos, não era para ferir.
Até hoje eu não sei o que me levava a sentar ao lado determinadas pessoas ao invés de outras tantas. Nem sei se esse negócio que dizem que “o santo não bateu” com o santo de outrem, se isso faz sentido. Temos empatias e antipatias, coisas que atraem e que nos põe perto de certas pessoas e coisas que afastam...
Sei o que me atrai num homem. Mas tenho em minha vida homens desejáveis que são somente amigos e nunca passarão disso. Cito aqui o Léo Bernardes, Wagner,Du, Ricardo e uns três ou quatro da categoria ‘mais ou menos’ que eu não posso dizer os nomes se não eles vão saber o nível de atração (ou não) que eles exercem sobre mim. São só amigos e ser amigo, ter amigo, é tudo. Vai pular aí a parte física do sexo porque menos por moralismo do que para evitar ressaca moral, não se deve ter sexo com os amigos. A amizade vai para as cucuias e nunca mais as coisas serão como antes. Amizade tem contato, tem abraço, tem amasso, tem beijinhos e paparicos, dengos de todo tipo, atenção e briguinhas, tem viagens juntos e tem ciúmes, tem carnaval e festa, tem despesas divididas e comentários risíveis das trapalhadas conjuntas. Não é muito? Fora que com os amigos a gente fala de tudo, inclusive dos amores.
Tem gente que não tem jeito: é amigo. E digo aos homens: não se confundam com a nomenclatura, pois o P. A. que é sigla de Pau Amigo não quer dizer que a mulher lhe considere amigo, mas que para ela você se circunscreve ao rol dos transantes, ou seja, os homens para sexo sem compromisso, sem cobrança, sem esperança de futuro. Se for amizade mesmo, não tem sexo não e isso explica porque algumas mulheres preferem a sigla HDM, que é Homem De Manutenção, caso em que é necessário o contato para manter o sexo quando não se tem namorado ou parceiros sexuais de outra categoria. Tudo isso com cuidado, proteção, respeito e nenhuma intenção de menosprezar a amada classe dos homens heterossexuais do sexo masculino – que, volto a frisar, têm que ser assim descrito porque hoje em dia falar apenas Homem pode significar os vários tipos flexíveis que há no mundo e que são polissexuais/pan-sexuais e transam com qualquer coisa que se mova (ou que sequer se mova porque tem uns que transam com cada múmia!!!).
Xico Sá fala que há o macho jurubeba, isto é, o homem macho heterossexual do sexo masculino que é sem frescura, que gosta de sexo EXCLUSIVAMENTE com mulher, entenderam? Mas já nem sei se estes existem mesmo ou se são lendas urbanas. Do jeito que estamos, já tem homem HIPERATIVO e homem HIPERPASSIVO: vale a pena testar antes de usar porque é capaz de a gente dormir com o Paulão e acordar com a Zuleica – o mundo já não tem índios Papachanas; predominam os Aquidaoânus e sei que por este contexto é até ridículo dizer que há homens de quem gostamos apenas como amigos. A safra já está escassa e ainda acontece de nossa seleção pessoal excluir uns para incluir estes mesmos no rol dos amigos.
Mas com amigo se pode falar de sexo sem os interstícios da mentira: ali a gente comenta performances, tamanhos, hábitos, faltas, excessos e até preferências. Não acho que tenha que haver tensão sexual entre amigos, não. Aí já não é amizade. Amizade tem as pequenas malícias, mas não as maldades. E deixo aqui minhas desculpas aos meus poucos amigos heterossexuais que possam ter me entendido mal e minhas sinceras desculpas por gostar como amigo de alguém que, se fosse por escolha, merecia ser muito amado.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Onde há fumaça...


Esta aqui iria para a série "Eu, hein?", mas resolvi colocar porque sempre que olho os perfis enviados para mim, aparece lá: Não fumante - como se fosse o critério número um. Então, eu que tenho asma e rinite e detesto cigarro, achei engraçada esta imagem que Deus me livre de se tornar real perto de mim!
Onde há fumaça... (Há churrasco; há fumantes, há maconheiros, há comida queimada, há gente espantando abelhas, há incenso...ou é somente o pátio de uma certa universidade aqui perto). Eu, hein?!

Quem procura...

Vou confessar um grande delito, uma derrapada, uma verdadeira jogada de desespero de causa: me inscrevi num site de relacionamento. Calma!ainda não parei de dar risada de mim mesma! Também penso: "Que tipo de pessoa desesperada se inscreve num site de relacionamento?" Com certeza não será nenhum Brad Pitt e nenhuma beldade do sexo masculino... e para quem gosta, feminino.
Tem umas coisas do outro mundo: uns sujeitos que põe nicknames como "Cilindro". Referência tosca à grossura do pênis, presumo. Mas ainda que o cara fosse interessante, quem está doida de sair por aí com um cilindro? E os vários "Gato 55", "Moreno sarado", "Só tesão" e outros ridículos? Porém, vou ao meu relato: destes contatos todos podemos asseverar que dentre 100, cerca de 60 deles procuram sexo e são homens feios, desinteressante e sem noção. Uns 20 são medianos, talvez queiram enrolar para poder ter sexo de uma maneira mais segura para ambas as partes e isso pode se prolongar por uma semana, duas, três e até estabelecer o contato a longo prazo. E certamente uns 10 valem a pena, cumprem o que prometem em seus perfis.
Encontrei um sujeito lindo,desejável, compatível subjetivamente comigo. Conversando, vi que seria uma relação a três: Eu, Ele e o Ego dele. Daí porque é sempre estranho que pessoas fisicamente Toda-poderosas entrem num site assim. Aliás, já entram para arrasar quarteirão.
O que eu não contava era finalmente ver a cara de um garoto de programa que me mandou uns e-mails oferecendo os serviços dele há uns seis meses, eu acho.
Dizia ele que achava mega-excitante que mulheres pagassem por ele, pagasse a ele pelo sexo e que ele tinha muita grana advinda da vida comum, do trabalho numa suposta multinacional, etc. Então o site de relacionamento colocou no mostruário esta pessoa como sendo interessante, que possivelmente me interessaria: lógico, ele se diz pós-graduado como eu, mesmas afinidades, ocupações e etc...E quando vi escrito Latin Lover e o e-mail dele,descobri, associando o nome e a pessoa que era o garoto de programa de lá de Salvador.
Nunca o vi antes porque ele copiou meu e-mail e o de trezentas outras mulheres professoras da mesma instituição que eu na época - esta foi a explicação que ele me deu porque em princípio eu achei que era pegadinha de amigo ou de aluno...Mas nunca peguei não, essa mão de obra especializada, os profissionais do sexo, nunca precisei, mas defendo a existência deles... É que como mulher não é necessário pagar para ter sexo com um homem, salvo se a idade já tiver riscado a pele e o corpo demais da conta...Ainda assim, minha tia já tem 65 anos e pega geral, não porque procure e pague, mas porque acha rapazes e homens mais velhos aos rodos (já contei aqui que ela descolou um namorado, certa vez, só porque foi à padaria num domingo de manhã, tendo esquecido que estava fechada ...E aí, pluft!Tinha um Guilherme no meio do caminho).
Bom, mas bastou eu entrar nesse negócio e aí me apareceu gente de carne e osso hoje, na UEFS.
Certo, nada que me interessasse tanto, mas é sempre bom saber que há esperança de gente fora da rede, da internet...
Por que eu apelei? é que depois que FJ foi embora para São Paulo, me senti realmente sozinha. Queria substituir a sensação, preencher o vazio, não dar bola para a solidão... E sou tímida demais. Não sei paquerar...Não sei olhar com flerte e cobiça para nenhum homem, embora queira flertar.
Neste sábado saí com mais quatro amigas. Voltamos decepcionadas com a The House,que prometeu três DJ e só proporcionou uma banda meia-boca que tinha a proposta do "Pode misturar", mas só misturou arrocha com sertanejo e sertanejo com arrocha. Dois gêneros que eu odeio. Vou à boate dançar música de boate, não isso aí. Saimos de lá viradas nas setecentas. The House nunca mais!Aqui em Feira é terça-neja, quarta-neja, quinta-neja, sexta-neja, melhor dizer que é sema-neja, que é a mistura da música sertaneja com a semana toda.
Aviso aos desavisados: Música sertaneja não é música do sertão. O sertanejo do sertão tem neurônios: é só o clima que é árido e a água geralmente escassa; o sertão em Minas gerais é de outro tipo, mais verdejante - quem sabe explicar é Guimarães Rosa e não so geógrafos, mas isso é outra discussão só para que não confundam o mau gosto musical com a gente do sertão, de nenhum sertão do Brasil porque sertão é coisa plural.
E essa conversa toda me lembrou que cá estou eu, esperando que chova em minha horta - há muito sem novidades...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Investigando as coisas


Vou contar umas coisas talvez bestas que me irritam, porque acabei de passar pelas duas primeiras que cito aqui: quando um amigo me interpela se eu estive em dado lugar e depois diz que "uma pessoa viu você lá!". Olha, takiupariu, meu irmão, eu não me contenho! Disse ao amigo (que no caso é uma amiga e se chama Cida, para eu não cair em contradição): Quem me viu está incluso no programa de proteção à testemunha?é da CIA? é do FBI? porque o mané vai citar a terceiros que eu estava em xis lugar e precisa ter o nome preservado? nem se eu fosse vista numa noitada no Clube das Mulheres, alisando marmanjo e colocando dinheiro na sunguinha deles, após fazer propostas indecorosas para diversões de adultos.
A segunda situação é quando os meus chegados entram em reclusão no Candomblé, seja lá para que ritual for, e não deixam o aviso prévio, ou nunca atendem ao celular, ou desaparecem por dias, frustrando combinações e compromissos.
Ora, procure um terreiro com Wi-Fi, seja adepto da Umbanda Larga 3 G ou baixe o santo por aplicativo ou download!A vida espiritual também pode ter plano de voo, não é assim, não. Depois vem a coversinha de que "ah, eu não podia dizer...". Grande segredo, hein? e eu achando que foi sequestro.
E finalmente o que eu odeio com todos os meus poros é ouvir; "Depois eu ligo para você." Ora, deixemos de conveniências e formalidades: não é mais fácil explicitar que não vai ligar? que não vai à festa? que não vai acontecer nada?
E como eu falei do que eu mais detesto nos meus amigos, vou dizer o que destesto em mim: tenho dificuldade em encerrar casos investigativos.
Quando namoro e recebo um chifre ou simplesmente pego uma mentira, vou atrás da verdade. Faço isso quando uma amizade minha é desfeita, também, porque tem coisas que são inexplicáveis, coisas que só a força da fofoca e da injúria explicam e justificam. Pois bem, não sossego! não paro, não descanso, monto linhas investigativas, faço C.S.I., escrutino, faço tocaias...fico parecida com a personagem principal do pior livro que Saramago já escreveu, isto é, Todos os nomes.Sou aquele José.
Olha, faço mapas, abro arquivos, examino, pego listas, interrogo, jogo indiretas, vou no encalço. O problema é que isso me machuca, alimenta minha mágoa, meu ódio e o desejo por vingança. Minha vingança é pura dor. É o desejo de ferir o outro na exata medida do meu sofrimento e , pareça ou não papo de maluco paranóico com mania de perseguição, sempre me escolhem para praticar injustiças e para me perseguir.
E se descubro tudo? Se todas as respostas não saem,não encerro o caso. Nunca largo o osso antes de ter todas as respostas. E se tudo vai a contento e sei tudo? passo nos lugares relacionados várias vezes. Passo, paro, imagino e respiro fundo como se inspirasse a dor e o desejo de vingança: não é justo contemplar a paz de quem acabou com a minha paz; não é justo que almas desumanas sejam felizes em cima da infelicidade dos outros, particularmente, da minha.
Não vou matar ninguém nem envenenar o prefeito, né gente? Mas aquela passadinha de olhar que diz em seu silêncio: "Eu sei o que você me fez e Deus não te deixará impune", este eu destino aos culpados. E se esbarram em mim nas horas de dificuldades ou batem à minha porta, sou omissa, fria, ruim e passo à cara o que me foi feito. Minha exceção é somente no tocante a doenças, porque na hora de uma doença não há amigo nem inimigo e eu não negaria socorro a ninguém.
Neste rol também se incluem aquelas pessoas que me condenaram sem me dar o direito à defesa e ao contraditório: odeio gente covarde. Se eu falei, vou assumir; se eu fiz, vou assumir também. Portanto, em minha vida prática, prefiro ouvir a mais dura verdade a conviver com as mentiras educadas. E nunca, jamais, eu prejudicaria uma pessoa apenas por não gostar dela. Não gostar de alguém não é motivo para lhe fazer mal - posso querer distância, posso me manter longe, mas fazer o Mal a quem simplesmente não gosto, não dá.
Bem, pelo que eu escrevi, estou mesmo digerindo as raivas. Mas tem mais uma não citada, genérica:tenho ódio dos homens que cometem misérias contra as mulheres e agem como se tudo estivesse bem, se dão como ofendidos e não manifestam a menor reação de arrependimento frente às suas faltas. Pior: ante as provas, não admitem o delito, acusando a 'promotoria' de insana. É uma frieza cínica que eu espero nunca mais experimentar na vida, porque um dos meus ex era assim...Talvez não tenha mudado nada até hoje, vá saber...
E por falar em saber e em ex, dou aqui um conselho que recebi certa vez: se o homem não vale nada, se foi desrespeitoso e canalha ou se simplemennte você deseja esquecer o cara, acredite, é preciso excluir a pessoa, não querer saber se ele está rico ou pobre, se casou ou morreu só. Olha, quem quer esquecer, mesmo que o coração aperte, o cérebro pire e o apetite desapareça, tem que aprender a articular o lado simbólico da perda e meter a tesoura no laço. Ponto final. O pensamento vai buscar a pessoa. A lembrança vai massacrar o coração. Mas quem quer esquecer porque precisa, tem que ter a consciência de nunca mais querer contato ou notícias. Nunca mais podem ser dois anos e sete mesese, como no meu caso; podem ser três meses, enfim...Mas nunca vi outra saída.
Vish, estou amarga, hein?Quem mandou eu ainda não ter descoberto quem me viu e comentou; quem me conhece e eu não conheço? Lá vai mais uma investigação.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O arroz e a vida


Desato

É preciso fritar o arroz bastante antes de jogar água fervendo.
E não pode mexer jamais depois de a água ser posta.
O alho deve fritar no óleo junto com o arroz.

Coisas que eu sei e que não. Eu sei muitas coisas.
Faxina por exemplo. Sei limpar uma casa de tal modo
Que não sobra um canto que não tenha sido tocado
Por minhas mãos.
Depois vou sujando. Com muito gosto.
Deixo peças na sala e louças sujas na pia.
Não na mesma hora mas um pouco
Bastante depois volto limpando.
Assim me faço.
Nos objetos que me acompanham.

Gosto de andar nas ruas e comprar coisas
Que vão se arrumando em torno de mim.
Tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas.
Uma camada de livros outra de sapatos.
Tem a camada de plantas. E toalhas de rosto.
Tenho camadas de cosméticos e de adereços.
Uma camada de nomes e de coisas que vejo.
Tudo ordenado ao meu redor. Em forma de corpo.
Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta.

Cadeiras são meus ossos. Sapatos são meus braços.
Torneiras em meus poros. Paredes como roupas de inverno.
(Quando toca música em minha casa sai do umbigo)

Descanso recostada nas paredes da casa
Que me guardam como um abraço.
Me abraço quando me derramo na sala.
E na cozinha. Em geral adormeço no quarto.

Tudo em minha casa tem existência.
Todas as coisas significo.
Com os olhos. Ou com as mãos.
Minha casa tem silêncios
Que ás vezes ouço. Em meu corpo
Tem silêncios maiores ainda.
Que às vezes ouço. E faço poemas.
Faço poemas dos silêncios que ouço.

Este poema de Viviane Mosé traz muitas coisas com as quais me identifico, especialmente a imprecisão e dubiedade do tesouro que é a liberdade e a consequente (?) solidão.