Louquética

Incontinência verbal

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A essência de um amor


Não lavei os meus cabelos hoje...Só porque o perfume Dele, do poeta, ficou impregnado numa mecha, na frente. Gosto do cheiro dele...Não é o melhor perfume masculino, nem é dos meus preferidos exatamente, mas é o cheiro dele: amadeirado e cítrico.Decerto, ontem voltei entristecida da casa Dele. Já tinha saído de casa a contragosto, entristecida, porque andei revisando nossa relação, achado que meu amor diminuiu muito.Uma coisa que eu admito é o quanto eu sou difícil: gosto que o homem mantenha minha atenção, meu interesse... Se não me apaixono, a culpa é do homem, que não soube me prender.Ainda gosto do cheiro dele, da pele dele, daquele corpo branquinho e macio e daquelas mãos que conhecem meus caminhos...Porém, o amor mesmo, o gostar, anda a fenecer. E me deu um vazio, uma sensação de luto...Quase eu grito inconscientemente: “Eu estou indo embora! Olha, está acabando, faz alguma coisa! Não me deixa ir! Não deixa meu amor por você passar! Faz alguma coisa!!!” – porque dentro de mim é isso que há.Eu não disse.Ele se esforça tanto para atender aos meus queixumes. Tanto e tanto que me daria vergonha de impor qualquer outra condição.Falei do livro dele. Disse que retomei a escrita. Disse e assim o fiz, por compromisso moral assumido. Na cara, critiquei certas passagens. Ele entendeu. Quando ele me entende, a gente se entende.Tive vontade de pedir um tempo, de dizer para a gente só se ver daqui a um mês...Tive medo de me arrepender, tive medo de que o tempo me mostrasse outra coisa, outra realidade. Vou cuidar dele e cuidar do que ainda resta...Resolvi ficar com o cheiro dele e lavar o cabelo amanhã, porque, afinal, nem está sujo, mas mantenho o hábito, a regularidade da limpeza...Quero aproveitar o aroma dele em mim...Não quero que o amor exale, que seque, que acabe...O tempo é que dirá a duração real, a permanência.

Quero que o cheiro dele fique em mim, por muito tempo.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Estava escrito!


O outro, esse ser que a gente gosta enquanto par amoroso, ah, dá um trabalho! É um cercar de delicadezas, um medir de circunstâncias, uns cuidados!!!
Ele me pediu para escrever sobre o livro dele. O problema é que o livro dele é um livro de esforços, uma coisa esmerada, medida e comedida que me pareceu pouco encantadora. Livro bom, mas bom pelo esforço e não pela espontaneidade da escrita. Não é o meu livro preferido dele... Não é como o que eu mais gosto, o terceiro.
Ele sabe coo eu gosto do outro livro. Gosto como fã e como professora. Gosto humanamente.
Tentei escrever e não me rendeu mais que dois parágrafos. Não posso fazer isso com o homem que eu gosto e também para mim, a espontaneidade está ameaçada.
Como recusar a um pedido de confiança desses? Ele nem deve saber que a gente, que escreve cientificamente (aqui não, né, gente? Aqui a escrita é torta, acelerada e sem estribeiras) também precisa de inspiração.
Odeio escrever por obrigação.
Quem faz artigo, trabalho acadêmico, prefácio, resenhas e escritas obrigatórias sabe muito bem porque o negócio empaca. 
No caso de trabalho acadêmico, inclusiva da tese, vai a minha dica para desempacar: escreva espontaneamente. Escreva o seu pensamento. Interprete o que você leu e expresse isso de maneira clara, com suas palavras. Depois, sim, vá catar citações que tenham a ver com o seu ponto de vista.
Não seja trouxa: citação a gente não traz, joga e larga lá. A gente escolhe de acordo nosso pensamento. É como convocar testemunhas de defesa, então, você tem que ler e encontrar quem defenda pontos de vista afinados com os seus.
A testemunha não pode falar sozinha e pronto. Logo, aproveite o que foi dito, retome e só então siga com sua análise.
Está difícil? Divida o tempo. Escreva duas horas por turno, num dia. Sente e tente. O resto do tempo você mata pulga no gato, mexe no smartphone, vê TV, faz fofoca, sai para dançar, reza, fala mal dos outros, toma um sol...
E se foi cobrado em leituras, vai lendo e escrevendo simultaneamente. Fazer fichamento ajuda a fixar as ideias, mas para quem tem pressa na escrita, não dá.
Introdução e conclusão são coisas a fazer por último, para sair tudo bem feito. Nada de repetições vazias: na introdução você faz promessas e na conclusão você mostra que cumpriu. Pronto! Beijos para a ABNT e bola para a frente!
Pois é. Já enrolei há muito tempo. Aí, no Dia dos namorados, vem ele me pedir para escrever sobre o livro dele...um livro complexo em tudo...E minha vontade era dizer: um livro chato! Era dizer, ‘cara, você errou!’. Dividisse o livro em dois, em três...e parasse de invencionice inútil e previsível com aglutinação de palavras...
Mas faz é tempo que o livro está feito.
Quando a gente se conheceu, o livro já estava no penúltimo poema... E ele foi fazendo uns ajustes absurdos, para dar enquadramento formal. Aff! Ficou meio enlatado, porque não é mesmo o caso de dizer ‘óbvio’. Até o lançamento, há muitos meses, ele foi mexendo aqui e ali, tomou uns venenos estruturalistas e fez um livro para poucos. Não por ser hermético, mas por ser um livro de voz baixa.
Não vou dizer mais do que isso por aqui. Acabei de ter a resposta para mim mesma: é um livro de voz baixa, que cochicha para mim coisas inaudíveis, não tem eufonia...
Ele repetiu um clichê: deixou o melhor para o final. Não sei como enrolar para só falar da parte boa do livro. Não sei. Acho que meu desamor vai aparecer e isso não é justo com o esforço, com o esmero, com o capricho...
Deve ser muito difícil para ele ver que talvez o livro mais maduro seja o que veio antes...sei lá...Será que ele percebe? Mas não sei escrever apenas para elogiar. Isso ele não espera de mim...Mas espera uma justa leitura...
Depreendam aí, meus queridos, que o livro dele está no mercado há meses  - quase um ano - e bem prefaciado e bem posfaciado...Vem ele e reclama comigo da insubsistência dos pareceristas em questão.
Uma justa leitura, agora, consubstancia uma saia justa para mim.

Por quanto tempo poderei enrolar? Não sou disso. Está escrito!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Mal que se fez e o bem que se deixou de fazer


Assim na vida como nos Evangelhos sérios, responde-se 'pelo mal que se fez e pelo bem que se deixou de fazer'. Deveríamos nunca nos esquecer disso, seja para o que for. É horrível a omissão, ainda que nos seja cômoda, a pretexto de 'não metermos a colher' e de não 'trocar nossa paz pela guerra dos outros'.
O conceito de 'se meter' se distancia muito do comodismo da omissão, diga-se de passagem.
Recentemente, perdi completamente o vínculo com essas máximas do pensamento comum. No caso, foi em defesa dos animais: tive vergonha de sair da academia com as sobras das melancias consumidas naquela manhã, com vistas a dá-las como alimento aos cavalos que ficavam ali próximo. Segui direto. Depois, voltei: qual era mais importante, afinal? a minha vergonha ou o bem-estar dos bichos? Nem deixei o pensamento se completar. Voltei e fiz o que tinha que ser feito.
Depois temi que os transeuntes pensassem que eu queria aparecer. Então, uns dias depois, tirei de minhas próprias compras umas frutas para outro cavalo, que estava numa rua sem movimento...Quando me virei, um tremendo gato estava me olhando, admirado. E eu nem fiz o favor aos bichos na intenção de tal recompensa.
Essas bobagens eu posso falar, porque nem houve a intenção de obter 'pontos no céu', nem fazer marketing pessoal. A gente nunca deve divulgar o Bem que faz. O melhor é não deixar de fazer. É não ser o vizinho escroto que corta as árvores do passeio, apenas para não fornecer sombra aos carros estacionados. Perder, ele não perde. Mas, como nada ganha, prefere evitar que o bem chegue gratuitamente a quem ele sequer conhece. Isso, sim, é egoísmo.
A pessoa não é egoísta porque sai sozinha, nem porque não quer ter filhos e, tampouco, porque antes de convidar aos outros, determina a si mesma que vai fazer isso ou aquilo com ou sem a companhia dos convidados. Ser independente é diferente de ser egoísta.
Ficar em cima do muro só traz o conforto aparente. Não imagino com que cara tranquila uma pessoa persegue à outra, ou traça calúnias, ou dá falsos testemunhos... Assim na vida como na política, porque eu não comento o caos que o Brasil atravessa, mas acho tudo uma extensão do que somos no social: um rebanho de gente egoísta, querendo se dar bem, seja como for, mentindo para defender os aliados, fazendo conchavos e alianças suspeitas, ignorando a verdade...
Aqui, desde que um político odiado, como nossa ex-presidente, se dê mal, o que vier está bom... O ódio funciona melhor que a coerência, no caso.
As pessoas não sabem como é difícil pedir. A gente deveria ter o mínimo de respeito pelo pedinte, que abdica de sua dignidade, que se submete às caras fechadas e às desconfianças, quando pede um dinheiro, uma comida, um favor... Mas e os bichos, que nem sabem como pedir nem podem expressar do que necessitam?
Também defendo que a gente deve saciar primeiro e perguntar depois. Quem tem fome tem pressa e, antes ser um otário que perdeu um real para um drogado ou um alcoólatra, a ser um coração metálico, que fez questão de um real por duvidar da fome, da necessidade e da idoneidade de um necessitado.
Dentre os amigos próximos, quantas vezes a gente pode dar um pouco, mas não damos nada, à espera de que ele peça?
Faz muito tempo que não sou assim, mas já fui.
Tudo que escrevo aqui, como parte da defesa de uma ideia, também o faço no meu círculo íntimo, inclusive com meu poeta amado. A esta altura, já posso dizer que nos conhecemos reciprocamente o bastante em muitos aspectos.
O Bem que a gente pode fazer não deve ser moeda de troca com o plano sagrado. Dê de graça. Dê sem esperar o retorno. Quantos ateus bons eu conheci, tipo o Oscar Niemeyer, o famoso arquiteto que tantas vezes doou apartamentos aos perseguidos políticos durante a Ditadura;assim como meu amigo Zacarias, que tinha, sim, muito dinheiro e muita piedade de quem não tinha e dava, sim, comida e meios de transporte a quem precisava. E nem era para ganhar a simpatia de Deus.
E tantos bons religiosos, gente de fé verdadeira, por obrigação moral e por respeito às causas cristãs e à consciência própria, faz a caridade e divide o pão!
Já outros amigos meus e ex-amigas, com emprego estável, casa e carro próprios, é incapaz de dar um real de pão a um necessitado, alegando que não têm, que o salário não dá, que os boletos estão atrasados...Como se não pudessem tirar um real, um real do salário que têm, para aliviar a fome de outrem?
Quantos outros não fazem o Bem sequer ao parente próximo, alegando que não têm a obrigação? Ora, é justamente sem a menor obrigação que a gente deve dar a um necessitado. Espontaneidade e verdade interior, né?
Essas mesmas pessoas gostam de pedir a Deus. Gostam de ganhar favores. Mas o egoísmo verdadeiro está nelas que , quase sempre, são também sovinas - e se derem algo, será como quem atende ao pedido de socorro de alguém que grita muito, e a quem, antes de socorrer, cabe calar, porque o barulho da necessidade incomoda. Faça o bem em silêncio!
Dizem que "O Bem que se faz, anula o Mal que se fez"...mas nem precisa a troca, basta a vontade, a consciência.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

No fundo do fim...


Sejamos honestos: quem está bem, não fica tentando provar que está bem. Esse esforço todo está associado ao fim de um relacionamento, quando se quer dar a impressão de ter superado o trauma da separação. Nada pior que isso.
Pessoas normais, ainda que preservem seu orgulho e não queiram dar o braço a torcer, processam os acontecimentos, esperam passar...E até lá, se é certo que não fiquem exibido lágrimas e lamentos em redes sociais ou entre os amigos em comum com o ex-par, procuram ser discretas e ficar em paz. Se a paz vem com Rivotril, psicanálise, religião ou cerveja, não importa. Quem está bem não precisa provar que está bem.
Fazer turnê nos lugares outrora visitados com o ex-par também não é uma boa solução. Fica muito clara a mágoa, a dor de cotovelo, o lamento interior.
Geralmente, não sofre mais quem mais amou: sofre o mais orgulhoso, que camuflava sentimentos ou que se sentia acima deles.
Deixando a vida dos outros de lado, porque, afinal, comentei por não supor que as coisas com dada moça estivessem nesse ponto...Mas estão, digo agora de mim mesma: a primeira coisa que vai embora junto com os meus sentimentos, é a atenção (e o consequente interesse). É assim com trabalho, amores, amigos e até lugares que eu frequento. Acabou um item, acabam os demais...Fico sem querer saber. Não quero conta, não dou atenção.
Vinícius e Marcelo talvez nem percebam...ou percebam, porque não são mais importantes para mi, não recebem e-mails, mensagens, fotos...desde que deixaram de ser amados por mim. Eles, claro, sentem no ego a falta do paparico.
Gosto muito do Outro, do poeta. Ele tem minha atenção, minhas palavras, minha admiração... E só acho engraçado é gente desimportante viver em busca de stalkear minha vida (o crush, meu ex-cunhado, meu ex-ficante e uma ex-colega de trabalho do tempo em que eu era militar)...Foi nessa que GP se machucou e finalmente me deixou em paz...Mas o outro e meu ex-cunhado vivem de olho em qualquer coisa que eu faça...procuram minhas visualizações e meus status em Facebook. Nada mais desesperador do que ser o centro das atenções de gente doentia que não nos interessa. Pelo menos, muito olham e pouco falam.
É muito desagradável ter que ser grossa para afastar esse povo que não capta o sentido de um ‘não’. Tipo gente que não aceita o término de uma relação.
O que se pode fazer diante de quem não ama, não quer, não gosta e não está disposto a ficar conosco, é deixar a pessoa em paz. Esse povo desequilibrado, não: quer castigar, se vingar e punir quem ousou não mais amá-lo; quem ousou não estar interessado...Pior: geralmente querem a gente de qualquer jeito, com ou sem nossa vontade; com ou sem nosso sentimento.
Vou dizer outra coisa: a felicidade pode ser alegre e completa sem fazer estardalhaço. Nosso relacionamento amoroso pode ser maravilhoso no silêncio discreto da intimidade. Um relacionamento realmente a dois – sem flashes e sem exibição...quietinho e feliz.
Sigamos o conselho de Carlos Drummond de Andrade (do livro Amor natural - São Paulo: Companhia das Letras, 2013)

O QUE SE PASSA NA CAMA

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)
É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.
Ai, cama, canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme a onça suçuarana,
dorme a cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima... O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.
E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.


sábado, 13 de maio de 2017

Ver, ouvir, falar...


Para quem não vivencia conflitos e crises de identidade sexual, as coisas são bastante simples: há homens e há mulheres; desde que sejam heterossexuais, apreciam sexualmente e se relacionam com o sexo oposto.
Isso não exclui a pluralidade dos gêneros, mas frisa que, antes de tudo, é preciso reconhecer o que é um ser heterossexual.
Essa nota introdutória se deve ao fato de meu amigo se finge de heterossexual até para si mesmo, sempre dizendo que as relações sexuais dele com os homens é apenas para matar a curiosidade - uma curiosidade que não passa há oito, doze anos. Se isso acontecesse sem o sofrimento constante dele, ficaríamos aqui apenas a julgar 'a dor e a delícia de ser o que é', criticando a santa hipocrisia que tranca esse povo no armário blindado. Mas ele sofre muito! Às vezes se dá conta, porque deseja um homem e tem medo de ir procurar e acabar se expondo...Teme o desgosto dos pais e o peso social da verdade da sexualidade dele...E se mete com mulheres, namora mulheres, envolve as mulheres e enrosca as moças nas tramas sociais, na família dele, nos retratos, como adereço de pretensa macheza...
Se um dia elas descobrirem, vai doer muito.
Já dói: a última delas atribuiu a si o fracasso do namoro, pois que ele não a achava sexy, desejável...Ela pediu a reconsideração do término, se propôs a coisas que agridem a si mesma, a essas coisas que nós, mulheres, fazemos, para tentar prender o homem pelo sexo. Ele, até então, enrolou e fugiu, porque sabe que ela quer casar.
Ele me disse que casaria com  qualquer outra. Eu pensei na infelicidade de ambos a vida paralela dele; com o tédio de sustentar a máscara, com a auto-vigilância constante...É muito trabalho.
A crise de identidade sexual costuma ser acompanhada de crises existenciais, mas ele tem bebidas alcoólicas, que ele traz das viagens ao exterior e da região onde ele trabalha. Anestesia os problemas.
O problema nunca foi fazer um comunicado à família e à sociedade em geral para dizer: "Prezados Senhores: declaro para os devidos fins que sou homossexual", como algo externo, para assumir e evitar pressuposições. O caso é ter vergonha de si mesmo e ainda arrastar outras pessoas para o mesmo fosso.
Pode-se ser discreto e resguardar a intimidade. Porém, se fingir de heterossexual e iludir uma mulher é trazer uma pessoa para seu próprio inferno.
Setecentas mil vezes ele me diz que não é gay...Depois, envia fotos pornográficas de homens e assume o desejo por aqueles corpos...Vive de fantasias virtuais e aguarda o convite dos ficantes socialmente confiáveis para, então, viver plenamente a sexualidade dele.
Fácil não é. Mas, pelo menos a pessoa precisa colaborar consigo mesma, encontrar um ponto de equilíbrio...Olha, o cara já tem 40 anos!
Burlar a tia fofoqueira, preservar o coração da mãe e do pai de uma decepção, porque se quer respeitar os raciocínios conservadores e retrógrados comuns a dadas gerações, tudo isso é inteligível, compreensível... Todavia, a certa altura da vida, é preciso ter independência para viver o que e como se deseja.
O confortável caminho da mentira tem um preço muito alto e eu sinto muito por ele.
Lógico que numa sociedade machista, patriarcal, que ofende e violenta homossexuais, poucos são os que se arvoram a pagar o preço da liberdade social e do 'desenforcamento' psíquico...

domingo, 30 de abril de 2017

Contatos Imediatos



O sujeito me disse exatamente isso:
-“Eu quero você!”
E eu me senti um item de prateleira.
Nunca entendi direito o estardalhaço que se faz quando uma mulher decide sair para se divertir sozinha.
Sou segura, mas às vezes me apavoro com o fato de os homens passarem dos limites, tomarem ousadia...E mesmo quando refutados, querem desfazer de nosso pretenso relacionamento – ou seja, eu digo: “Eu tenho namorado!” e ainda deixo claro que não estou procurando ninguém, mas os caras ficam questionando cadê o namorado. Deveriam deduzir que, caso estivessem certos, eu apenas não queria nada com eles.
Também tem época em que a gente não está a fim, não quer ninguém.
Houve um tempo em que eu tive meus desesperos, em que entrei em sites de relacionamento, para ver se encontrava um homem para namoro. E entrei com preconceito e tudo, presumindo que só haveria homens do pior tipo, casados, feios, desinteressantes, mentirosos, comedores, canibais sexuais...
Preconceito confirmado pela realidade.
Na maioria, não durei dois dias vinculada ao site.
No Tinder, fiquei por menos de uma hora.
Da experiência, a certeza de que não é um lugar para mim.
Tem gente que consegue garimpar bons relacionamentos nesses ambientes virtuais...Aquele 0,02% de sortudos...
Tem gente legal e interessante, que é tímida ou não tem vida social ativa...Se a sorte favorecer, pode dar certo. Mas, comigo, não.
Apesar de que, foi por caminhos tortos que meu poeta me encontrou. Uma história linda, com livros, poesia, um amigo em comum e uma foto minha.
Ele veio. Foi ele que veio. Depois, começou a me chamar. Nunca mais eu deixei de ir.
Está aí: acho minha história com o poeta um evento lindo. E o contexto era de fim e de renovação...
Dois seres das palavras se encontraram...Depois, o desencontro de nossos gênios terríveis, mas com toda beleza de quem não tem pressa de se conhecer.
De vez em quando, faço exames de consciência, focalizo o que já pensei e fiz com os homens...Não sou muito iludida com eles...
Com o poeta, era tamanha a minha distância emocional...Eu, sempre de olho nas atitudes dele comigo...Estágio probatório...
Agora, certas pessoas em minha vida foram tremendos equívocos! Aff! Como eu me enrosquei com GP? E como uni meu destino ao de FJ, durante meses?
Desequilíbrio e carência. Doença da alma...Eu estava mal, estava arrasada e não percebia. Precisava me vingar de uma traição pesada...Fui camicaze. Nunca se sai de uma guerra sem hematomas.
Eles eram pessoas medíocres, odiáveis se vistos a olho nu...Meus olhos eram vestidos de carência, ilusão e desespero...Eram vestidos de uma falta e foi na falta que eu vi como eles eram vazios, não me serviam nem para sexo...a ressaca moral não valia a festa da carne.
Passou. Nunca mais repito isso. Tanto assim que cortei meus flertes paralelos todos.
Minha amiga tem amores eternos de 3 dias. Vai fazer um mês de relacionamento e tudo está desgastado...Não entendo isso.

Corações apressados, corações cansados e gente sem coração: esse é o nosso mundo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O estranho e o familiar




Minha vida anda muito difícil. Apesar disso, tive ótimos dias comemorativos de aniversário, com presentes e com gente presente.
Estou meio magoada com um amigo de longe, pela desatenção comigo. Não foi falta de ‘parabéns’, mas aquela negligência de quem nem lê o que você escreveu, nem ouve o áudio mandado pelo What’s app, como se a gente (e, no caso, eu) fosse desinteressante, repetitiva e previsível, além de enfadonha. Não que ele não tenha o direito de concluir isso, mas doeu o desamparo emocional.
Até que eu queria não me importar com ele. Mas gosto dele. Gosto muito. Dificilmente me deixo magoar por quem não gosto. E nunca tive um ‘não gostar’ que me viesse gratuitamente. Todas as pessoas com quem declino de falar ou desfaço a amizade, fizeram algo contra mim. Desta injustiça eu não posso ser acusada, porque, aliás, nunca vou perdoar esse rebanho de gente que apenas por não simpatizar com alguém, não ir com a cara ou passar a ter antipatia repentina, passa a perseguir, difamar ou prejudicar o outro.
Terrível é você receber o mal que não merece ou o prêmio por uma vitória desonrosa.
Falando nisso, tive meu dia de La la land: fui aprovada num concurso que não fiz. Logicamente que eu não comemorei, por saber que faltei à prova didática. Presumo que o erro tenha sido por conta de meu currículo ter sido avaliado (e foi o melhor pontuado mesmo, pois que, apesar de eu ter desistido de seguir no processo, minha nota foi cerca de 3 pontos superior à de quem cumpriu e foi aprovado) e porque eu havia entregue um plano de aula bem elaborado. O erro foi corrigido hoje à tarde, mas se até Hollywood erra no Oscar, quem é a universidade federal do interior baiano que não possa fazer o mesmo? Achei engraçado.
Desisti por prudência. Tenho essas bobagens em minha vida, ligadas à honestidade interior. Ainda que eu fosse capaz de um bom desempenho de um dia (entendem a ironia? A pessoa se prepara, vai lá, faz e obtém boa nota, tipo gente que decora e faz um seminário na universidade, passa e esquece o assunto), penso que seria leviano ocupar um cargo por dinheiro, sabendo que eu não sei o bastante para estar acima da mediocridade. Aí, não fui!
Tenho andado cansada mesmo. Um cansaço psíquico...Eu até tinha porque brigar com meu poeta, dias atrás, mas achei por bem cessar a guerra. Cansei da guerra. Ele também. Vale mais o abraço do que a trincheira. Não quero ter, no ser que gosto, um inimigo a ser combatido com palavras.
O drama familiar dos neuróticos, esse, sim, nunca passa. Não tem jeito: não consigo me entender com o meu pai. O que há, de minha parte, é urbanidade, civilidade, educação. Não sei onde isso vai parar, mas a sinceridade emocional arde em mim...Interessante o crescente afastamento emocional, o coração virando ilha nos pântanos da relação familiar...Essa coincidência de DNA nunca fez parentesco real...É tão estranho ver os que nos deveriam ser familiares, como estranhos...Essa palavra mesmo, familiar, como sinônimo de conhecido não faz muito sentido em minha vida. E às vezes é assim: família é uma aglomeração de gente próxima que mutuamente se ignora.
Na sexta, 21/04, meu tio e meu pai vão a São Paulo, visitar a minha tia mais velha, que está mesmo nos episódios finais da temporada da vida.
Meu pai odeia ficar longe de minha madrasta. Meu tio odeia ficar longe da própria casa. Todos adoram ficar longe um do outro, porque o outro sempre representa problema.
Minha tia vai também, mas no dia 28 – uma semana depois, porque seria impossível que todos se suportassem ao mesmo tempo. Olha, não estou fazendo trocadilho e piadinha. Pode respirar verdade, porque esta parte aqui do blog é extremamente verdadeira, sem construção ficcional alguma. Aliás, toda esta postagem é reflexo de minha vida real e é a leitura que faço da realidade que vivo. O que há é somente omissão, porque não vou jogar certos aspectos de minha privacidade, pois assim escolhi.

Não tenho problema em ser sozinha. Nunca tive. Acho natural ao ser. Mas é bem diferente você não ter com quem contar, a quem recorrer, seja por uma alegria, seja por uma tristeza. Não há laços entre nós. Há nós cada vez mais frouxos. Há nós todos, cada um na sua.