Louquética

Incontinência verbal

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A trilha sonora de hoje


Acordei cedo e penso que acordei sem ter dormido, como costuma acontecer às vezes. Não foi nem por preocupação ou por ansiedade que se ligue à proximidade da hora de meu Exame de Qualificação, mas por ter outra pessoa dormindo em minha casa. Nada contra a pessoa, ao contrário, mas essa minha inquietude é cruel comigo. Basta uma pessoa para que meu inconsciente capte como "um intruso". Há o agravante de que a pessoa acordava a toda hora e que eu tenho o sono sensível e desperto se uma pena cair no chão...desisti de dormir, suponho.
E me veio a música de Manu Chao (Me gustas tu) na cabeça logo que saí da cama... Bom, fico pensando "Que voy hacer? je suis perdu!" e " Que horas son, mi corazón", repetitivamente.

¿Qué horas son mi corazón?
Te lo dije muy clarito
Doce de la noche en la Habana, Cuba
Once de la noche en San Salvador, El Salvador
Once de la noche en Managua, Nicaragua
Me gustan los aviones, me gustas tú.
Me gusta viajar, me gustas tú.
Me gusta la mañana, me gustas tú.
Me gusta el viento, me gustas tú.
Me gusta soñar, me gustas tú.
Me gusta la mar, me gustas tú.

Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón.

Me gusta la moto, me gustas tú.
Me gusta correr, me gustas tú.
Me gusta la lluvia, me gustas tú.
Me gusta volver, me gustas tú.
Me gusta marijuana, me gustas tú.
Me gusta colombiana, me gustas tú.
Me gusta la montaña, me gustas tú.
Me gusta la noche...

Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón.

Doce un minuto
Me gusta la cena, me gustas tú.
Me gusta la vecina, me gustas tú.
Radio relojio
Me gusta su cocina, me gustas tú.
Una de la mañana
Me gusta camelar, me gustas tú.
Me gusta la guitarra, me gustas tú.
Me gusta el reggae, me gustas tú.

Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón.

Me gusta la canela, me gustas tú.
Me gusta el fuego, me gustas tú.
Me gusta menear, me gustas tú.
Me gusta la Coruña, me gustas tú.
Me gusta Malasaña, me gustas tú.
Me gusta la castaña, me gustas tú.
Me gusta Guatemala, me gustas tú.

Que voy a hacer, je ne sais pas.
Que voy a hacer, je ne sais plus.
Que voy a hacer, je suis perdu.
Que horas son, mi corazón.

Cuatro de la mañana
A la bin, a la ban a la bin bon ba
A la bin, a la ban a la bin bon ba
Obladi Obladá Obladidada
A la bin, a la ban a la bin bon ban

Radio relojio
Cinco de la mañana
No todo lo que es oro brilla
Remedio chino es infalible

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O anel que tu me deste


Não gosto de jóias. Uso sempre os mesmos brincos, não dou bola para ouro, pedras preciosas, essas coisas...
Além de ser impossível alguém me ver, nesta encarnação, com as unhas pintadas de vermelho ou de café (que eu acho brega, extremamente brega e esquisito), ninguém nunca me verá de brincos pendurados. A minha porção perua é outra. Glu-glu...
Detesto anéis. Detesto pulseiras, custem o quanto for.
Lembrei do assunto porque fui ali remexer minha gaveta em busca de um broche e dei de cara com o anel que o meu padrinho me deu há treze anos. Só uso o anel para tirar fotos e lembro muito bem a manobra dele para conseguir que eu fosse escolher e comprar um, por causa de uma cerimônia.
Glória Maria exibiu, uma vez, numa entrevista, brincos que ela assumiu custarem mais do que um apartamento na Vieira Souto...eu nunca daria tanto por uma jóia. Acho que isso é muito transparente em mim. Acho jóias uns troços supérfluos.
Meu padrinho me fez escolher uma anel. Escolhi a contragosto, sabendo que poderia estar gerando despesas inúteis... Para mim, era o verdadeiro consumo marginal, mas escolhi, questionei o valor e ele cortou pelo menos dois zeros no preço que me disse. Acreditei. Acreditei que aquilo nem era uma jóia e sim uma tal semi-jóia. Mas aí se passaram estes 13 anos e, independentemente do uso, o dourado do anel continua intacto, sem manchas verdes de iodo aderindo à peça, os cristais continuam idênticos ao que eram na hora da compra e aquela pedra gigantesca é uma baita de uma ametista verdadeira, segundo observou um perito na questão, amigo meu, Vítor, da sessão de penhores da Caixa Econômica. Não levei o anel para avaliação, não, foi mera coincidência e ele viu, brincou, perguntou se eu estava rica, gargalhou e pegou minha mão, comentou sobre meu anel,e sob minha cara estupefata e incrédula acerca do valor do que eu levava literalmente nas mãos, fez manobras riscou, bateu e riu de mim, achando que eu estava querendo ser modesta.
Pobre com jóia é um contra-senso...e anel precioso nas mãos erradas, pior ainda.
O valor sentimental ultrapassa, para mim, o valor que aquilo lá deve ter. Eu nunca irei me desfazer do anel. Nem dos outros anéis inúteis que eu tenho, porque ganhei um de uma amiga e outro de um ficante argentino generoso e romântico. Eu espero nunca terem desconfiado que eu tenho agonia nos dedos, pavor de usar alianças, anéis, seja lá o que for. Achei o gesto deles, de me presentearem, extremamente cortês.
O problema é que realmente mulheres gostam de jóias. Eu gosto de bijouterias, eu repito constantemente todas elas e já paguei caro por peças de zircônio e por pedrarias brutas,vidros, plásticos, por reles águas vivas e cobre, mas dar mais de dois mil reais num anel não é coisa que eu aceite ou pratique.
Ainda penso no meu padrinho que posssivelmente deve ter interpretado o meu mau gosto como rebeldia, deve ter achado que eu era uma pessoa birrenta, mal-criada...e os da minha família, então,devem ter julgado um absurdo uma mulher ter tanta resistência a um metal precioso,a essas coisas que brilham e deslumbram todo mundo. Juro: não faço questão.
Quando vi um colar de pérolas verdadeiras ao alcance do meu pescoço, "Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto..." porque as pérolas falsas são bem mais lindas, não pesam, são idênticas entre si... Ficar com uns mariscos no pescoço me fez me sentir um crustáceo.
Adoro acessórios, tenho minhas "peruíces",gosto de colares, de cintos, de adereços de cabelo, sou louca por sapatos - tenho vários sapatos trazidos de São Paulo em 2009 e que até hoje não usei, mas não consigo achar que isso seja supérfluo. Acho que todo sapato tem a sua hora. O que acontece é que é a roupa quem convoca o sapato. Ou o meu humor. Tenho certos pares que estão aguardando sua vez. Tenho outros que amo tanto que não consigo usar, por medo que acabem. E tem outros que me trazem recordaçõs de um tempo aí que eu não quero lembrar.
Mas as jóias, não estou nem aí para elas. Meu padrinho sabia que se eu soubesse do preço verdadeiro do anel eu jamais o aceitaria... Agora está aí a peça de museu, aguardando a próxima cerimônia metida besta a que eu tenha que ir.

Moda praia verão 2011/2012


Daqui a menos de 15 dias começará o verão. Dizem que as estampas navy, as rendas e as listras estarão com tudo na estação. Eu aprendi a gostar de listras, especialmente destas aí da imagem... e como eu costumo dizer, com M é moda, Com R é roda, com S é soda e com F é fashion.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mr John and Me


Quando eu cheguei tudo,
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
Depois de esgotar
O tempo regulamentar
De um lado o olho desaforo
Que diz meu nariz arrebitado
E não levo para casa, mas se você vem perto eu vou lá
Eu vou lá!
No canto do cisco
No canto do olho
A menina dança
E dentro da menina
A menina dança
E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar
Até o sol raiar
Até dentro de você nascer
Nascer o que há!
Quando eu cheguei tudo, tudo
Tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma viro os olhinhos.

( A menina dança - Novos Baianos -
.
Em homenagem ao 05 de dezembro, aniversário de meu amigo...Parabéns, Mr. John!

Rolam as pedras...


Tudo se transforma, tudo se transtorna, tudo passa, tudo muda: há quanto tempo convivemos com constatações como estas? Há mudanças discretas e outras abruptas; há surpresas e há previsibilidades, há improbabilidades e há meras coincidências e acasos, mas realmente tudo passa. Passa, inclusive, o prazer que a gente quer prolongar e a dor que parece infinita. No caso das dores, o seu término não indica que não ficarão cicatrizes.
Hoje saiu a publicação do meu texto apresentado num evento a que fui na UNICAMP. Julguei que só saísse no ano que vem, mas fiquei feliz por ver lá a minha “obra”.
Para a minha surpresa, ter seguido o protocolo da publicação não garantiu a formatação do meu texto, que está esteticamente horrível, mas recebi tudo com verdadeiro amor, fiquei feliz mesmo: contemplei o meu trabalho e fui direto aos erros e às supressões. Nestas horas a gente olha para trás e pergunta “onde eu estava com a cabeça? Como eu não vi isso aqui? Como eu esqueci aquilo ali?!”. Mas já está feito. E como o tempo passou, minha pesquisa já não é mais aquela, os rumos do que escrevo mudaram com os ventos da própria mudança. E, falando nisso, quem quiser ver em que pé andam as coisas, o meu exame de Qualificação será na UFBA, no Instituto de Letras, na sala 02 da Pós-graduação, às 14 horas desta sexta-feira, dia 09, porque afinal a defesa é publica mesmo. E se eu fizer feio, a vergonha também será pública.
E aos meus amigos que, nesta data, já terão confirmado a aprovação na seleção do doutorado deste ano, apareçam e vamos comemorar juntos a superação de mais uma etapa difícil para cada um de nós. Por mim, confirma-se happyhour no Shopping Barra após a sessão de Defesa...
Pois é, a gente fala, mas nem percebe que pesquisa é um troço que amadurece: daí porque meu texto de tempos atrás não corresponde ao que faço agora.
As amizades sofrem processo similar: algumas existem não por aquilo em que se tornaram, mas pelo que um dia foram. Infelizmente, nem tudo que muda, muda para melhor. Que bom que pelo menos elas deixam saudades...
Um grande amigo meu declarou que vai mudar, que vai largar uns hábitos deletérios... Agora, como cabe aos amigos, eu acredito nele. Quem quer mudar não espera pela segunda-feira, nem pelo ano-novo, nem por qualquer pretexto que deixe para depois o que se decidiu agora. Aprendi com os humoristas: “Antes tarde do que MAIS tarde.” E por que será que a gente se apega ao que reconhecidamente não é bom? Ao que não é bom para nós ou não s eliberta daquilo cujo preço é alto demais em relação aos benefícios? Que fraqueza é essa? Quantos apegos frágeis e dependências emocionais de gente, lugares, hábitos e etc.? Para mudar é preciso iniciativa. Voltamos ao ponto: A iniciativa é a mãe do resultado. Gostamos de transferir para outrem a responsabilidade de mudar as coisas para e por nós...
Rolling Stones: pedras que rolam (não criam limo). E Raul Seixas, queixoso: “Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar”. Para mim, o verdadeiro louco de pedra é aquele que não faz nada para que as pedras rolem.

domingo, 4 de dezembro de 2011

À procura


Quando em 2006 eu defendi minha dissertação de mestrado e falei sobre a solidão e a poesia, o mundo era completamente outro, porque em cinco anos a humanidade dá saltos imprevisíveis, especialmente no nível tecnológico. Mas eu não sabia que as coisas viriam a ser como estão sendo, apesar de tanta rede social, apesar de tanta webcam e de tanto sexo virtual, apesar de tantas salas de bate-papo e de tanta gente junta sem estar próxima. Nossa solidão é assombrosa.
Parece, também, que as pessoas estão percebendo que filho não cura a solidão.
Parece, ainda, que a "solidão a dois", de que falava Cazuza, apesar de resistir, já é bem transparente.
Todo mundo quer "a sorte de um amor tranquilo", apesar das comunidades orkutianas que pregam "Solteiro sim, sozinho nunca".
Vi, uma vez, uma mulher dar chiliques no ônibus que nos levava a Xique-Xique, porque estava passando o filme Avassaladoras e, devido ao horário de reclusão dos passageiros, o motorista suspendeu o DVD antes do final.
Avassaladoras é um filme que impregna gerações de mulheres, mesmo sendo recente: estão ali todas as mulheres do meu tempo e de outros tempos que, por seu turno, vieram a perdurar neste tempo atual. Estão ali todas elas, por isso há um fascínio de reconhecimento, uma percepção autobiográfica, como se o filme fosse feito para elas, para cada uma de nós.
Minha amiga que passou a residir na Ilha de Lesbos comprou o filme. Minha amiga viveu o filme: se cadastrou numa agência de encontros que, tudo bem, não se chamava Honeymoon, mas cumpria a função; tentou de tudo e acabou mesmo achando a sua "Marília Gabriela".
Ontem eu não acompanhei as meninas: foram todas a Salvador dar uma força a A., que tinha se cadastrado numa agência de encontros de lá e tinha um encontro marcado. Todas estavam desesperadas, especialmente a parte interessada.
Já não apresentamos os amigos em comum; as pessoas não têm iniciativa na vida real; os encontros não dão em nada, não passam de formalidades e agora há a mercantilização da solidão.
Sou sozinha. Quem não é? Querer o companheirismo é mais do que querer companhia. Querer cumplicidade é mais do que querer um namorado... o resto é esse vazio besta que faz a gente ser descartável e tratar os outros como descartáveis, nessa efemeridade que deixa todo mundo na mesma.
Gostava quando os meus amigos faziam suas armações para apresentar um ao outro; uma ao outro, enfim...isso era bem mais natural...
Já fizeram um perfil para mim, certa vez, porque eu não conseguia superar o Ex-grande Amor da Minha Vida, porque eu não tinha olhos para ninguém...e eu dei foi risada dos tipos que me mandaram e-mails, uns caras que não tinham nada a ver...
Acho que quem tem grana, tempo e interesse, que vá à agência, que durma no bar, ora...mas o problema é o desespero de causa, é pegar qualquer coisa para dizer a si mesma que tem companhia...depois de um tempo o saldo moral é terrível e a insatisfação é total.
Fiquei em casa ontem e fui assistir Carne trêmula, de Almodóvar. Fiquei pensando, dessa vez, não nas frases de conteúdo político, mas naquela em que o personagem nos diz:
"...Deus criou a noite, para que os apaixonados năo pudessem dormir.
Criou a água...
para que caísse continuamente do teto dos mercados.
E criou os peixes, năo para encher os mares com eles...
mas para eu tirá-los do caminhăo antes do amanhecer."

Filha da mãe


Um dia o cafajeste encontra a periguete e, neste dia, nada será como antes para as duas partes. E assim foi.
Num reino longínquo chamado Laemcasa, aconteceu da mãe do meu primo entrar em desespero pelo fato dele ter 18 anos e ainda ser virgem. Por isso, essa ocupada mãe deu um jeito e entrou em acordo com a empregada da vizinha para que aquela profissional dos serviços domésticos fizesse uma hora extra nos serviços sexuais.
E assim foi – o que novamente fundamenta a minha dor de cotovelo eterna porque eu não achei estas facilidades em minha vida. Pelo contrário, meu primeiro namorado recebeu tiros de sal grosso no traseiro e meu pai evitou o quanto pôde qualquer contato meu com meninos que pudesse resultar em perda da virgindade.
Os tempos se passaram em Laemcasa e depois de uns quatro anos aquela moça que auxiliou meu primo e tranqüilizou a mãe dele acerca da heterossexualidade do rapaz apareceu, trazendo uma menina de quatro anos que ela alegava ser filha dele.
Meu primo, futuro cafajeste, entrou em polvorosa, apesar de alegar ter usado preservativo, e disse que se a moça estava interessada no assunto, ela que desse providência no teste de DNA.
Naquele tempo não havia ainda a ideia de paternidade presumida, isto é, atualmente, se o homem se recusa a fazer o teste, presume-se que ele é o pai. Ponto final e cartório para todos.
O tempo voltou a correr, agora em mais de uma década.
Meu primo se firmou no cargo de cafajeste, tendo mais mulheres que o mais rico sultão da Arábia, praticando salto sobre cerca sem barreiras, duzentos metros livres da casa dele à casa das mulheres casadas; entrando em aglomerações sexuais; transando com qualquer mulher que respirasse e estivesse a fim e, já no final da temporada, após o cansaço decorrente de tanta olimpíada sexual e talvez alguns traumatismos penianos, optou – como convém a quase todos que estudam na universidade – por casar com a coleguinha, competente, inteligente, esforçada e de um mau humor de afugentar multidão.
Dois anos depois, meu primo cafajeste se tornou pai. Pai exemplar. Pai que qualquer ser humano merece, porque ele participa, ele brinca, ele planeja, ela conversa com a criança... coincidentemente, os cafajeste que eu conheço são excelente pais...
Então, lá vem a moça de novo, alegar a paternidade não reconhecida. Desta vez a Justiça patrocinou o teste de DNA.
Até a esposa chata do meu primo cafajeste presumiu que a mocinha era filha dele e toda a família foi aquiescente com a ideia. De minha parte, não para ser do contra, lembrei bem que acreditava que ele não tinha a menor chance de ser o pai, por mais que houvesse a tentativa escusa da parte da”mãe” de armar qualquer coisa: eu confio no preservativo. Ok, há acidentes e há sabotagens, mas estava na cara que ali estava se armando um grande golpe.
ACREDITO que ela, a que iniciou meu primo, apostou que ele se recusaria ao teste. Outra chance de herdar bens e de conseguir uma grana mensal e outros benefícios ela não teria e ele seria um alvo fácil.
Nesta sexta-feira saiu o resultado: Negativo para a paternidade de meu primo. Eu, de cá, ri: DNA, ou seja, De Nada Adiantou. E a parte reclamante esbravejando impropérios no Fórum, em meio aos seus “não pode ser”; “tem alguma coisa errada”; “Eu quero outro teste” a que a Oficial de Justiça replicou.
Ao dar os parabéns ao meu primo ele estava triste, infeliz, arrasado: se limitou a dizer que eu tinha razão, que só eu acreditei nele, arrolou argumentos e conclusões que eu usei e transferiu os parabéns para mim, pela lógica. Ele, na verdade, aceitou a mocinha como filha subjetivamente.
Ele teve pena da mocinha, assim como eu tive. Não deve ser fácil perceber que a mãe não tem a menor ideia sobre quem seja o pai dela, encarar as expectativas frustradas, sentir o desamparo...
Deve ser esquisito pensar que se é apenas "filha da mãe"...
Meu primo saiu de lá e foi até o Shopping Iguatemi com as duas, comprou um celular para a mocinha e voltaram todos aqui para Feira, cada um, a seu modo, bastante triste.
Ontem ele me ligou de novo, querendo desabafar: acho que ele entendeu que perdeu uma filha. Mesmo não sendo a filha dele, em poucos meses ele realmente aceitou a ideia. Sorte dela, porque ele já discutiu comigo o quanto a mocinha, que eu vou chamar de D., porque é a inicial do nome dela, era boa em Matemática e que ele faria o possível para ajudá-la.
Ele continua triste, bem triste... E me dá muita pena deles. Por outro lado, confirmam minha tese: família é aquela que o coração escolhe. Não tem jeito, consangüinidade não supera afeto.
Olha aí, também, o machismo nosso de cada dia, desde o começo da história, quando a mãe do meu primo quis garantir a vida heterossexual dele; quando a empregada da vizinha (mãe da mocinha) negociou o sexo; quando, posteriormente, ela se mostrou mega-periguete; quando, ainda depois, nós todos (a saber, eu, a filha dela e os demais) concluímos que sob todos os interesses materiais estava uma mulher promíscua – e os cafajestes também não são promíscuos?.
E ali não foi apenas a Justiça a emitir julgamentos e sentenças, porque humanamente somos assim, dominados pelos desígnios de uma cultura machista. E, claro, não é toda mulher que é boazinha e muitas se valem de artimanhas calculadas para levar vantagem nas coisas. Não dá para negar.
Sei que meu primo é um bom pai e seria um bom pai de qualquer pessoa que ele escolhesse como filho ou filha. Considero isso um atenuante na carreira de cafajeste. Sem mais, Meritíssimos!