Louquética

Incontinência verbal

sexta-feira, 20 de julho de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Que graça!


De uns tempos para cá tenho jogado na loteria. Ontem acertei 14 números dos 16 que eu deveria, na Lotomania. Bati na trave! e na outra aposta, fiz 10 acertos, quando precisava de 11 para o prêmio mínimo.
Isso é um feito em minha vida. Não estou falando de sorte, mas de acreditar que é possível, que o acaso também rola os dados na sorte com dinheiro. Mas é um feito porque eu não acredito em nada!
Certo, acredito em Deus e tenho simpatia por Santo Antônio, um xodó louco com São Jorge e muita intimidade imaginária com Nossa Senhora. Passou daí, não puxo o saco de nenhum ente espiritual.
Não acredito em cartomantes e afins. Não pude, porém, deixar de acreditar em paranormalidade e em certas previsões astrológicas, mas isso se deu menos por crença voluntária do que por convívio com uma tia astróloga e o testemunho dos meus olhos para algumas coisas. Ponto final.
Hoje passei quase duas horas no banco, onde perderam meu cartão de recebimento e onde eu tive que me desfazer de tudo que havia em minha bolsa para entrar na agência e provar que eu não portava nenhum tanque de guerra portátil.
Porém, encontrei um amigo, conversei bobagens e sei lá por que, saí feliz, sorridente, como se nada mais importasse no mundo.
A sorte foi não deixar que as dificuldades destruíssem meu dia. Saí besta e feliz. Mais um que outro...fazer o que?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O conto da Ilha Desconhecida



“Um homem foi bater à porta do rei e disse-lhe, Dá -me um barco. A casa do rei tinha muitas mais portas, mas aquela era a das petições. Como o rei passava todo o tempo sentado à porta dos obséquios (entenda-se, os obséquios que lhe faziam a ele), de cada vez que ouvia alguém chamar à porta das petições fingia-se desentendido, e só quando o ressoar contínuo da aldabra de bronze se tornava, mais do que notório, escandaloso, tirando o sossego à vizinhança (as pessoas começavam a murmurar, Que rei temos nós, que não atende), é que dava ordem ao primeiro-secretário para ir saber o que queria o impetrante, que não havia maneira de se calar, Então, o primeiro-secretário chamava o segundo-secretário, este chamava o terceiro, que mandava o primeiro-ajudante, que por sua vez mandava o segundo, e assim por aí fora até chegar à mulher da limpeza, a qual, não tendo ninguém em quem mandar, entreabria a porta das petições e perguntava pela frincha, Que é que tu queres. O suplicante dizia ao que vinha, isto é, pedia o que tinha a pedir, depois instalava-se a um canto da porta, à espera de que o requerimento fizesse, de um em um, o caminho ao contrário, até chegar ao rei. Ocupado como sempre estava com os obséquios, o rei demorava a resposta, e já não era pequeno sinal de atenção ao bem-estar e felicidade do seu povo quando resolvia pedir um parecer fundamentado por escrito ao primeiro-secretário, o qual, escusado seria dizer, passava a encomenda ao segundo-secretário, este ao terceiro, sucessivamente, até chegar outra vez à mulher da limpeza, que despachava sim ou não, conforme estivesse a maré”. (SARAMAGO, José. O conto da ilha desconhecida. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, pp. 5-9)

Antes de seguir, ressalto aos que não estão familiarizados com a escrita de José Saramago que os trechos aqui transcritos seguem as opções gramaticais do autor. Por isso, há supressões de pontuação e a fusão de diálogos, além de formas muito próprias de condução da linguagem literária.
Num desses intervalos das obrigações – ou não necessariamente, já que escolhi ler na viagem de ida ao trabalho – resolvi ler O conto da ilha desconhecida, de José Saramago. Excelente conto (exceto pelo final, logicamente, porque às vezes acontece de faltar linearidade ao tempero posto na criação imaginativa que dá a tônica ao andamento do que é narrado. Eis o caso!).
Para mim, salta aos olhos a ironia quanto à burocracia da vida política, aliás, da vida do país – queixume corrente quanto ao Estado português, que entendo como sendo extensiva e própria ao estado brasileiro; e que muito me lembra minha vida enquanto militar, com a infinidade de hierarquias inúteis que poderia se resumir entre quem manda e quem obedece, ou quem delibera e quem executa, evitando cargos igualmente inúteis.
Também as intercambiações de sentido no tocante à relação de poder entre quem comanda e quem obedece, entre quem depende de quem são trazidas à tona: “Sou o rei deste reino, e os barcos do reino pertencem-me todos, Mais lhe pertencerá tu a eles do que eles a ti, Que queres dizer, perguntou o rei, inquieto, Que tu, sem eles, és nada, e que eles, sem ti, poderão sempre navegar.” (p. 18)
Iríamos muito longe na composição metafórica da arquitetura do palácio e suas portas específicas, mas a porta das decisões é que aparece (ao lado das portas das petições) em papel preponderante. O resto da narrativa é um exercício filosófico, conforme podemos observar: “Não queres vir comigo conhecer o barco por dentro, Tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar. (p. 32)
Indo ao máximo a seguir: “(...) mas quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver, Não o sabes, Se não sais de ti, não chegas a saber quem és (p.40).
Não há nada demais no trecho. É conhecido, é claro, é clichê... mas é encantador pela forma como o óbvio é dito, como é reconhecido pelo narrador , que brinca com a figura do provável filósofo do rei, a quem caberia pensar tais coisas.
E indo do político ao filosófico, deságua no encontro amoroso entre o homem que queria um barco e a mulher da limpeza, em seus diálogos, no sonho que o homem tem e que mostra sua união com aquela mulher. Pequenos encantos, na verdade, que a gente trilha e cruza com o extraliterário.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Palavra é força (II)


E se palavra é força, vamos repetir o mantra que garanta atrair um homem assim. Para reforçar o ritual,dinheiro, poder e fama devem ser acrescentados.

Palavra é força (I)



Deixa eu repetir: Se palavra é força e uma imagem vale mais do que mil palavras, vamos mentalizar?
Eu não acredito na força da palavra em termos místicos, mas reconheço que palavra forte é a de quem tem poder, faz leis e assina cheques, pelo menos aqui no território da vida real.

Conexões



Pode parecer que eu tenho uma extrema má vontade com a tecnologia, mas é o contrário: a tecnologia me persegue, é minha inimiga, até quando recorro aos seus mais novos modelos, poderes e efeitos, ela me deixa na mão.
Finalmente baixei a versão nova do Messenger. E o resultado? toda hora há queda!
Minha internet é mega-máxi-plus-potente (Um)banda larguíssima metida a besta, cheia de megas e prometida velocidade da luz. Entretanto, olha eu aqui, há dias querendo escrever, mas sendo impedida pela falha de conexão - cuja insistência me tira a paciência e desanima meu ímpeto da escrita.
Os grandes poderes da tecnologia não são assim tão grandes e infalíveis e eu deveria saber disso.
Ando agora com uma paranóia de tentar descobrir os mistérios e os prazeres das salas de bate-papo, setor em que não sei nada em termos práticos.
Meus amigos vivem grandes aventuras a partir das salas de bate-papo e foi por causa deles que comecei a aventar a possibilidade, já que sou cheia de preconceitos sobre o tema.
Penso que se a pessoa recorreu à sala de bate-papo, deve ter algo de errado com ela, como há algo de errado com qualquer pessoa cuja vida real é menos excitante que a virtual. Preconceito meu, assumido.
Quem se esconde sob um nickname constrói outra identidade, faz misérias, ouve mentiras e diz muitas mais. É que no fundo, acho que todo aquele que se diz "Moreno, alto, bonito e sensual", não passa de um feioso baixinho catando gente carente na rede. Penso mal dos homens de salas de bate-papo. Das mulheres, não: ou querem sexo ou querem casamento.
Mas essa minha opinião formada veio do convívio com os meus amigos, não da prática.
A exceção foi L. e M., ambos inteligentes e bonitos, que se conheceram num chat. Amigos queridos mesmo.
As meninas que fisgaram casamentos pela web fizeram negócios: os sujeitos eram ricos e feios. Na contabilidade, somam-se os bens à segurança da relação estável, apressando filhos como termos de garantia. Putz, mas são uns caras feios!!! preço alto demais para ter um carro do ano e férias em família no litoral.
Se desejo me jogar no mesmo rio que os meus amigos é porque desejo a mesma coisa que eles: descobertas, aventuras... Mas não sou preparada para nada disso - vide meus perrengues com a tecnologia.
Não gosto de riscos bestas e tenho filtros muito ajustados para selecionar com quem quero falar, mas nunca se sabe o que está do outro lado da rede.
Teoricamente, sempre se pode deletar um chato ou se livrar de um contato inconveniente, bloquear, excluir...quem sabe eu desfaço meus preconceitos?
Se cair na rede...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Na escola, as escolhas



Não, não tem nada de extraordinário em repetir um poema já tornado clichê pela didática. Mas é que ele é tão, digamos, fofinho.É a coisa mais idiota que se poderia dizer de um poema de Manuel Bandeira, é um verdadeiro papo de surfista, à là, "tipo assim", "legal!", "beleza!", mas aprendi este poema na oitava série e acho que só sei pensar nele com a idade mental que eu tinha na oitava série.
Aconteceu de eu não necessariamente "beijar pouco", mas "falar menos ainda" e me identificar com a despretensão do poeta. Lá vai:

NEOLOGISMO

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
teadoro, Teodora.