Eu ia dizer que levo uma vida de Boston, mas a verdade é que nestes dias em que não escrevi, andei levando uma vida de cão.
Houve coisa boa que se a lembrança permitir, depois eu contarei. Mas o que fica é a velha Lei de Murphy, porque passei mil perrengues para poder, finalmente, hoje, senhoras e senhores, depositar as benditas sete cópias da minha tese lá no Programa de Pós-Graduação. Hosana a Deus e aleluia! Agora, literalmente, posso dizer que o doutorado me custou muito caro.
Tenho uma lista imensa de agradecimentos a fazer, mas fica para a próxima, porque estou um caco. E só para exemplificar, vou contar aqui um diálogo verídico, verdadeiro mesmo, que eu mantive no Mc Donald's do shopping:
ATENDENTE: Pois não, senhora?
EU: (...) Você poderia me dar o cadáver?
ATENDENTE:...
EU: Hã? poxa, eu falei cadáver? cadáver? eu quis dizer cardápio!
ATENDENTE: (Risos) Entendi, senhora... deve ser a proximidade do feriado.
Bom, fiz o meu pedido, saí amarela de vergonha, sabendo que a verdade não tinha nada a ver com a proximidade do feriado de Finados, nem com o Dia das Bruxas, que é hoje: sou eu que estou morta, um cadáver... Este foi o ato falho: estou morta, gente!
Oh, vida de cão!
Louquética
Incontinência verbal
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A gramática e o tempo
Poucas coisas são tão chatas quanto um tempo que parece não passar, porque os dias correm e nada muda. A noção de ação tem a ver com a velocidade das coisas. Então, quando tudo vai devagar, realmente a ação cessa, tudo é inerte. E isso dá um nervoso absurdo!
Dá uma inveja das múmias, nessa hora! Dá uma inveja dos calminhos, dos conformados, dos contemplativos... Sabe aqueles amigos que sobem no telhado e ficam dizendo: “Ó, está tudo pegando fogo em volta de nós!” Mas no cemitério, nada pega fogo.Só se for fogo fátuo.
E para não dizer que nada acontece, dei muita risada ontem à noite. Foi como se eu tivesse trocado de lugar com aquela minha amiga que inventou de namorar o mano ABC paulista, aquele daquela história do “É nóis!”.
Estava eu cansada e chateada, no fim da noite de ontem, quando finalmente acessei uma sala de bate-papo da UOL. Esclareci outro dia que fui estimulada a frequentar uma sala dessas para deixar de timidez besta, me arriscar, me aventurar, entrar na loteria de conhecer gente diferente... Ok. Lá fui eu.
Também falei que nas salas de bate-papo, se você escolher por assunto Filosofia, Literatura ou o que quer que seja, ao entrar só vai ter sexo.
Entrei numa sala de amizades que, pelo menos, ainda não continha palavrões nem seres humanos com apelidos apelativos, tipo, Gatinho Bem Dotado; Casado safado; Careca Carinhoso e bobagens afins.
Encontrei o Edu. E então, blablablá,perguntas, respostas, abreviações e mais blablablá, até que ele mandou um “Concerteza” e um “Dinovo” que me expulsaram do ambiente virtual em menos de cinco minutos.
Um homem jamais deixaria de ser receptivo a uma mulher por causa de lapsos gramaticais. Mas, comigo não dá. Eu fico desconfortável. E o interessante é que eu não sou a única: minhas amigas próximas mandam o cara pastar se notarem que o sujeito não domina a norma gramatical. Lógico: revela muito sobre o nível da pessoa, sobre o quanto ela lê ou não lê, o nível cultural, a escolaridade e coisas correlatas ao capital simbólico que é a escrita.
Sou professora, não quero ser boazinha: vá escrever mal na casa do
Dei risada. Se eu pudesse, aconselharia: Homens, se vocês querem pegar alguém, cuidem bem do que fazem com a língua... A portuguesa, a língua portuguesa!
Uma das piores perdas que a gente pode sofrer é a perda de tempo. Perdi meu tempo conversando com um Edu que, pelo jeito, foi pouco agraciado pela Edu Cação. Preconceito linguístico: eu tenho!
Um homicida da Língua Portuguesa do teor desse Edu, que assassinou a gramática com requintes de crueldade, eu condenaria a uns 02 anos de curso intensivo, sem direito a pegar ninguém.
Homicídio triplamente qualificado praticado contra a Língua Portuguesa, porque a coitada não teve chances de se defender; por motivo torpe (vagabundagem, eu aposto) e premeditação (se a peste do cara vai a uma sala de bate-papo deve presumir que vai escrever, não é inocente, portanto) que culminam no dolo e na culpa do a réu.
Diferentemente de muita gente não alfabetizada, mas educada, dos humildes que não tiveram a chance de estudar, um maluco desses tem acesso a meios digitais e não procura aprender nada. Sinto muito, mas não dá!Ah, Edu, você foi condenado!
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Crise de neurônios
Se a vida é uma constante aprendizagem,fui reprovada! E pobre de mim, que não aprendo nada!
Hoje eu até reconheci, depois de um tempo, a razão das minhas amigas: Poxa, como eu sou esquentadinha!ninguém me venha com conversa de inteligência emocional, porque eu sou toda instintos, toda coice! Não dá para tomar uma pisada no ego, sofrer traição e educadamente contar até dez. Não! eu fico irada, eu praguejo, eu xingo, eu bato, eu ameaço, eu quero matar!
Tudo a ver, querida tia astróloga: ariano bate com a cabeça na parede, insiste, não sabe desistir.
Falando nesta tia, ao criticar minha outra tia há um tempo, vi que ela falou que os cancerianos são "unha-de-fome". Eu achava que era tudo perseguição, briga de irmãs, coisa de inveja, raiva...Aí fui fazendo as contas: Ora, minha tia astróloga está certa!
E daí? melhor ser um canceriano pão-duro a um ariano que faz burrices instintivas.
Quem comanda Áries é a cabeça. O ariano se move pelo intelecto, mas daí que se o intelecto falha, lá vem nossa pior porção animal.
E para procrastinar decisões? vish, a gente releva, adia, leva um ano, leva dois, mas depois não há mais retrocesso. A palavra de um ariano, a definitiva, não retrocede.
Sei que as meninas tiveram razão, hoje.
Está bem que eu sou marrenta e dou marradas na parede. Mas admito meus erros, minhas falhas.
Leninha, com sua calma, me segura, enrola para eu não sair nervosa porque sabe que eu não tenho freios. Ela sabe que há outras respostas, que há outras formas de revidar...E eu esbravejo contra o sangue-de-barata dela, contra aquela sapiência e comedimento. Ah, santa Temperança, Batman!
Hoje eu insisti da maneira mais burra possível, antegozando o sabor da vingança: ia soprar areia nos olhos de quem cegou meus sonhos. Muita, muita areia.
Leninha me fez ver que tenho outros recursos.
Fiquei mais de uma hora à espreita de detonar a bomba e explodir o campo inimigo.
Sou ressentida: sinto de novo. Não esqueço uma só mágoa ou injustiça sofrida. Gravo muito bem a cara dos meus inimigos, dos algozes disfarçados que um dia eu tomei como amigos e recebi a facada nas costas.
No amor, pior ainda:não esqueço uma só mágoa. Passa um ano, dois, três, uma década...ignoro a pessoa, sigo em frente, mas - tal ocorreu recentemente - jogo tudo na cara, pisoteio quem me derrubou e se der tempo, uma vingança cai bem.
Mas sou boazinha: nunca fiz mal a quem me deixa me paz.
Nunca fiz mal a ninguém, na verdade: mas quem não se regozija ante a queda do inimigo que lhe atirou ao fundo do poço? E por que devolver a mágoa sofrida é feio? Até constitucionalmente todo mundo tem "direito de resposta à altura do agravamento."
As injustiças sofridas não podem ficar impunes, eis o que eu penso.
Hoje eu até reconheci, depois de um tempo, a razão das minhas amigas: Poxa, como eu sou esquentadinha!ninguém me venha com conversa de inteligência emocional, porque eu sou toda instintos, toda coice! Não dá para tomar uma pisada no ego, sofrer traição e educadamente contar até dez. Não! eu fico irada, eu praguejo, eu xingo, eu bato, eu ameaço, eu quero matar!
Tudo a ver, querida tia astróloga: ariano bate com a cabeça na parede, insiste, não sabe desistir.
Falando nesta tia, ao criticar minha outra tia há um tempo, vi que ela falou que os cancerianos são "unha-de-fome". Eu achava que era tudo perseguição, briga de irmãs, coisa de inveja, raiva...Aí fui fazendo as contas: Ora, minha tia astróloga está certa!
E daí? melhor ser um canceriano pão-duro a um ariano que faz burrices instintivas.
Quem comanda Áries é a cabeça. O ariano se move pelo intelecto, mas daí que se o intelecto falha, lá vem nossa pior porção animal.
E para procrastinar decisões? vish, a gente releva, adia, leva um ano, leva dois, mas depois não há mais retrocesso. A palavra de um ariano, a definitiva, não retrocede.
Sei que as meninas tiveram razão, hoje.
Está bem que eu sou marrenta e dou marradas na parede. Mas admito meus erros, minhas falhas.
Leninha, com sua calma, me segura, enrola para eu não sair nervosa porque sabe que eu não tenho freios. Ela sabe que há outras respostas, que há outras formas de revidar...E eu esbravejo contra o sangue-de-barata dela, contra aquela sapiência e comedimento. Ah, santa Temperança, Batman!
Hoje eu insisti da maneira mais burra possível, antegozando o sabor da vingança: ia soprar areia nos olhos de quem cegou meus sonhos. Muita, muita areia.
Leninha me fez ver que tenho outros recursos.
Fiquei mais de uma hora à espreita de detonar a bomba e explodir o campo inimigo.
Sou ressentida: sinto de novo. Não esqueço uma só mágoa ou injustiça sofrida. Gravo muito bem a cara dos meus inimigos, dos algozes disfarçados que um dia eu tomei como amigos e recebi a facada nas costas.
No amor, pior ainda:não esqueço uma só mágoa. Passa um ano, dois, três, uma década...ignoro a pessoa, sigo em frente, mas - tal ocorreu recentemente - jogo tudo na cara, pisoteio quem me derrubou e se der tempo, uma vingança cai bem.
Mas sou boazinha: nunca fiz mal a quem me deixa me paz.
Nunca fiz mal a ninguém, na verdade: mas quem não se regozija ante a queda do inimigo que lhe atirou ao fundo do poço? E por que devolver a mágoa sofrida é feio? Até constitucionalmente todo mundo tem "direito de resposta à altura do agravamento."
As injustiças sofridas não podem ficar impunes, eis o que eu penso.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Erros que dão certo
Não desafio mais a minha imensa e surpreendente capacidade de fazer besteiras: fiz o que eu não devia, isto é, me mandei para a festa no sábado. O problema foi sair da festa às quatro da manhã, acordar sem ter dormido às oito e viajar para fazer concurso em seguida.
A grana esta nos últimos suspiros. Minha amiga estava dura também, de modo que não compramos uma água mineral sem antes consultar o oráculo financeiro, traçar rotas de gastos e desistir de qualquer coisa que não fosse o estritamente cabível no orçamento. Bom, até que não foi tão vexatório. Mas conto é a outra parte da história que deve, portanto, começar pelo clichê: “Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”: adágio popular para falar das incompatibilidades entre essência e aparência.
Eu era louca para conhecer o Johnnie Club. Putz, desde que aquilo se chamava San Domingo eu era louca para ir.
Para completar a ânsia, todo mundo que já foi fala bem: dizem que é sofisticado, organizado, bonito, espaçoso, cocococó e blábláblá em favor do lugar. Endossadas por tais opiniões de fontes irrefutáveis, fomos nós para lá, ver, é claro, a 80 na pista.
Ai, ai, Johnnie! O Johnnie mais parece um galpão de terceira categoria, com um chão mais sujo do que ficha de político e estruturalmente deixa a desejar. De zero a dez, eu daria um seis, com bastante benevolência. Mas o serviço, tudo bem, os garçons são ágeis e prestativos. De cardápio, uma droga: nenhuma variedade, nem para o básico, e os preços são extorsivos, ridículos.
A Banda que tocou primeiro me decepcionou, não vou nem citar o nome, mas eu recomendaria para tocar em casamentos de inimigos ou em velórios. E aí, quando a banda certa entrou em cena, era tarde demais. Foi a primeira vez em que sai do recinto antes da banda, antes do show acabar.
Saí de lá dançando pela Rua São Domingos, até o carro, só de brincadeira: era que meu pé estava doendo, esfolado do salto alto e do atrito na dança, e as sandálias estavam no carro. Minha amiga riu dessas palhacices, mas o saldo foi que viajei de tênis no dia seguinte porque foi a opção suportável.
Em retribuição à colaboração da amiga, fui dormir na casa dela: odeio dormir fora de casa, mas fizemos o pacto e eu fui cumprir minha parte. Afinal, eu sabia que não dormiria mesmo!
Engraçado como quando tudo tem que dar certo, dá mesmo: mesmo atrasada, porque fico lenta de manhã e pior ainda se não dormir, cheguei à FACED no horário, peguei todos os transportes no horário e tudo deu certo, de tal modo que nem a chuva anunciada se concretizou.
Aí, então, na hora da prova eu estava delirando de sono! Cumpri minha parte e dei no pé e dormi em paz até meu orientador me acordar às oito da madrugada desta segunda-feira. E eu quase caio da cama com tanta coisa para fazer: é, o pesadelo continua! Aliás, o pesadelo começa quando eu acordo – mas, enfim, este é outro capítulo. Ah, nem me falem mais em capítulo! Nossa!
A grana esta nos últimos suspiros. Minha amiga estava dura também, de modo que não compramos uma água mineral sem antes consultar o oráculo financeiro, traçar rotas de gastos e desistir de qualquer coisa que não fosse o estritamente cabível no orçamento. Bom, até que não foi tão vexatório. Mas conto é a outra parte da história que deve, portanto, começar pelo clichê: “Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”: adágio popular para falar das incompatibilidades entre essência e aparência.
Eu era louca para conhecer o Johnnie Club. Putz, desde que aquilo se chamava San Domingo eu era louca para ir.
Para completar a ânsia, todo mundo que já foi fala bem: dizem que é sofisticado, organizado, bonito, espaçoso, cocococó e blábláblá em favor do lugar. Endossadas por tais opiniões de fontes irrefutáveis, fomos nós para lá, ver, é claro, a 80 na pista.
Ai, ai, Johnnie! O Johnnie mais parece um galpão de terceira categoria, com um chão mais sujo do que ficha de político e estruturalmente deixa a desejar. De zero a dez, eu daria um seis, com bastante benevolência. Mas o serviço, tudo bem, os garçons são ágeis e prestativos. De cardápio, uma droga: nenhuma variedade, nem para o básico, e os preços são extorsivos, ridículos.
A Banda que tocou primeiro me decepcionou, não vou nem citar o nome, mas eu recomendaria para tocar em casamentos de inimigos ou em velórios. E aí, quando a banda certa entrou em cena, era tarde demais. Foi a primeira vez em que sai do recinto antes da banda, antes do show acabar.
Saí de lá dançando pela Rua São Domingos, até o carro, só de brincadeira: era que meu pé estava doendo, esfolado do salto alto e do atrito na dança, e as sandálias estavam no carro. Minha amiga riu dessas palhacices, mas o saldo foi que viajei de tênis no dia seguinte porque foi a opção suportável.
Em retribuição à colaboração da amiga, fui dormir na casa dela: odeio dormir fora de casa, mas fizemos o pacto e eu fui cumprir minha parte. Afinal, eu sabia que não dormiria mesmo!
Engraçado como quando tudo tem que dar certo, dá mesmo: mesmo atrasada, porque fico lenta de manhã e pior ainda se não dormir, cheguei à FACED no horário, peguei todos os transportes no horário e tudo deu certo, de tal modo que nem a chuva anunciada se concretizou.
Aí, então, na hora da prova eu estava delirando de sono! Cumpri minha parte e dei no pé e dormi em paz até meu orientador me acordar às oito da madrugada desta segunda-feira. E eu quase caio da cama com tanta coisa para fazer: é, o pesadelo continua! Aliás, o pesadelo começa quando eu acordo – mas, enfim, este é outro capítulo. Ah, nem me falem mais em capítulo! Nossa!
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