Louquética

Incontinência verbal

domingo, 30 de abril de 2017

Contatos Imediatos



O sujeito me disse exatamente isso:
-“Eu quero você!”
E eu me senti um item de prateleira.
Nunca entendi direito o estardalhaço que se faz quando uma mulher decide sair para se divertir sozinha.
Sou segura, mas às vezes me apavoro com o fato de os homens passarem dos limites, tomarem ousadia...E mesmo quando refutados, querem desfazer de nosso pretenso relacionamento – ou seja, eu digo: “Eu tenho namorado!” e ainda deixo claro que não estou procurando ninguém, mas os caras ficam questionando cadê o namorado. Deveriam deduzir que, caso estivessem certos, eu apenas não queria nada com eles.
Também tem época em que a gente não está a fim, não quer ninguém.
Houve um tempo em que eu tive meus desesperos, em que entrei em sites de relacionamento, para ver se encontrava um homem para namoro. E entrei com preconceito e tudo, presumindo que só haveria homens do pior tipo, casados, feios, desinteressantes, mentirosos, comedores, canibais sexuais...
Preconceito confirmado pela realidade.
Na maioria, não durei dois dias vinculada ao site.
No Tinder, fiquei por menos de uma hora.
Da experiência, a certeza de que não é um lugar para mim.
Tem gente que consegue garimpar bons relacionamentos nesses ambientes virtuais...Aquele 0,02% de sortudos...
Tem gente legal e interessante, que é tímida ou não tem vida social ativa...Se a sorte favorecer, pode dar certo. Mas, comigo, não.
Apesar de que, foi por caminhos tortos que meu poeta me encontrou. Uma história linda, com livros, poesia, um amigo em comum e uma foto minha.
Ele veio. Foi ele que veio. Depois, começou a me chamar. Nunca mais eu deixei de ir.
Está aí: acho minha história com o poeta um evento lindo. E o contexto era de fim e de renovação...
Dois seres das palavras se encontraram...Depois, o desencontro de nossos gênios terríveis, mas com toda beleza de quem não tem pressa de se conhecer.
De vez em quando, faço exames de consciência, focalizo o que já pensei e fiz com os homens...Não sou muito iludida com eles...
Com o poeta, era tamanha a minha distância emocional...Eu, sempre de olho nas atitudes dele comigo...Estágio probatório...
Agora, certas pessoas em minha vida foram tremendos equívocos! Aff! Como eu me enrosquei com GP? E como uni meu destino ao de FJ, durante meses?
Desequilíbrio e carência. Doença da alma...Eu estava mal, estava arrasada e não percebia. Precisava me vingar de uma traição pesada...Fui camicaze. Nunca se sai de uma guerra sem hematomas.
Eles eram pessoas medíocres, odiáveis se vistos a olho nu...Meus olhos eram vestidos de carência, ilusão e desespero...Eram vestidos de uma falta e foi na falta que eu vi como eles eram vazios, não me serviam nem para sexo...a ressaca moral não valia a festa da carne.
Passou. Nunca mais repito isso. Tanto assim que cortei meus flertes paralelos todos.
Minha amiga tem amores eternos de 3 dias. Vai fazer um mês de relacionamento e tudo está desgastado...Não entendo isso.

Corações apressados, corações cansados e gente sem coração: esse é o nosso mundo.

terça-feira, 18 de abril de 2017

O estranho e o familiar




Minha vida anda muito difícil. Apesar disso, tive ótimos dias comemorativos de aniversário, com presentes e com gente presente.
Estou meio magoada com um amigo de longe, pela desatenção comigo. Não foi falta de ‘parabéns’, mas aquela negligência de quem nem lê o que você escreveu, nem ouve o áudio mandado pelo What’s app, como se a gente (e, no caso, eu) fosse desinteressante, repetitiva e previsível, além de enfadonha. Não que ele não tenha o direito de concluir isso, mas doeu o desamparo emocional.
Até que eu queria não me importar com ele. Mas gosto dele. Gosto muito. Dificilmente me deixo magoar por quem não gosto. E nunca tive um ‘não gostar’ que me viesse gratuitamente. Todas as pessoas com quem declino de falar ou desfaço a amizade, fizeram algo contra mim. Desta injustiça eu não posso ser acusada, porque, aliás, nunca vou perdoar esse rebanho de gente que apenas por não simpatizar com alguém, não ir com a cara ou passar a ter antipatia repentina, passa a perseguir, difamar ou prejudicar o outro.
Terrível é você receber o mal que não merece ou o prêmio por uma vitória desonrosa.
Falando nisso, tive meu dia de La la land: fui aprovada num concurso que não fiz. Logicamente que eu não comemorei, por saber que faltei à prova didática. Presumo que o erro tenha sido por conta de meu currículo ter sido avaliado (e foi o melhor pontuado mesmo, pois que, apesar de eu ter desistido de seguir no processo, minha nota foi cerca de 3 pontos superior à de quem cumpriu e foi aprovado) e porque eu havia entregue um plano de aula bem elaborado. O erro foi corrigido hoje à tarde, mas se até Hollywood erra no Oscar, quem é a universidade federal do interior baiano que não possa fazer o mesmo? Achei engraçado.
Desisti por prudência. Tenho essas bobagens em minha vida, ligadas à honestidade interior. Ainda que eu fosse capaz de um bom desempenho de um dia (entendem a ironia? A pessoa se prepara, vai lá, faz e obtém boa nota, tipo gente que decora e faz um seminário na universidade, passa e esquece o assunto), penso que seria leviano ocupar um cargo por dinheiro, sabendo que eu não sei o bastante para estar acima da mediocridade. Aí, não fui!
Tenho andado cansada mesmo. Um cansaço psíquico...Eu até tinha porque brigar com meu poeta, dias atrás, mas achei por bem cessar a guerra. Cansei da guerra. Ele também. Vale mais o abraço do que a trincheira. Não quero ter, no ser que gosto, um inimigo a ser combatido com palavras.
O drama familiar dos neuróticos, esse, sim, nunca passa. Não tem jeito: não consigo me entender com o meu pai. O que há, de minha parte, é urbanidade, civilidade, educação. Não sei onde isso vai parar, mas a sinceridade emocional arde em mim...Interessante o crescente afastamento emocional, o coração virando ilha nos pântanos da relação familiar...Essa coincidência de DNA nunca fez parentesco real...É tão estranho ver os que nos deveriam ser familiares, como estranhos...Essa palavra mesmo, familiar, como sinônimo de conhecido não faz muito sentido em minha vida. E às vezes é assim: família é uma aglomeração de gente próxima que mutuamente se ignora.
Na sexta, 21/04, meu tio e meu pai vão a São Paulo, visitar a minha tia mais velha, que está mesmo nos episódios finais da temporada da vida.
Meu pai odeia ficar longe de minha madrasta. Meu tio odeia ficar longe da própria casa. Todos adoram ficar longe um do outro, porque o outro sempre representa problema.
Minha tia vai também, mas no dia 28 – uma semana depois, porque seria impossível que todos se suportassem ao mesmo tempo. Olha, não estou fazendo trocadilho e piadinha. Pode respirar verdade, porque esta parte aqui do blog é extremamente verdadeira, sem construção ficcional alguma. Aliás, toda esta postagem é reflexo de minha vida real e é a leitura que faço da realidade que vivo. O que há é somente omissão, porque não vou jogar certos aspectos de minha privacidade, pois assim escolhi.

Não tenho problema em ser sozinha. Nunca tive. Acho natural ao ser. Mas é bem diferente você não ter com quem contar, a quem recorrer, seja por uma alegria, seja por uma tristeza. Não há laços entre nós. Há nós cada vez mais frouxos. Há nós todos, cada um na sua.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Meu tempo



Tenho muito o que fazer e vivo fazendo. Coisas que ultrapassam as formalidades, coisas que não divido nem quero compartilhar ou dar satisfação a ninguém...Mas quase nunca compreendem isso.
Não gosto de responder ao 'tá aonde?', 'tá fazendo o que?', porque é quase geral a revolta dos que querem que eu esteja disponível ao telefone ou nas redes sociais quando solicitada por eles.
Não gosto e dar explicações.
Também tenho meu momento de desligar tudo ou de silenciar a casa, para coisas íntimas minhas (sim, mente tarada, pode ser sexo, pode ser me masturbar, pode ser orar, pode ser pintar os cabelos, experimentar roupas, ler livros, estudar...).
Percebi que gostam de controlar o meu tempo...
Pior: não levo celular ao supermercado, ao centro espírita, ao salão de cabeleireiro, a atividades profissionais, à academia...Não tenho a vida tao excitante a ponto de permanecer colada ao celular à espera de mensagens...
Gosto de dar estratégicas sumidinhas, também.
Às vezes, o sábado à noite, supostamente badalado, é um filme a dois, colado, num sofá...
Às vezes é um pastel por aí ou uma solitária sessão de cinema...ou até simples passeios noturnos de carro.
A vida é minha e eu uso...usufruo. Mas, às vezes, estou simplesmente ocupada mesmo

Depois de muito amar...


Eu não sei de onde as pessoas tiraram ideia de que o amor é uma fonte inesgotável. Não é. No máximo, é uma fonte renovável mediante muito artifício, muita novidade, muita particularidade e, até mediante processos de reciclagem.
As pessoas se transformam. Às vezes, se desfiguram. Geralmente a gente começa a namorar um príncipe...Com o passar dos tempos, com desleixos acumulados ou velhas desculpas (do tipo: 'você já me conheceu assim), as coisas pioram.
Se a admiração se renovar, o amor vai junto, se renovando;
Se uma situação extrema aparecer, talvez seja ali, na dificuldade, que o amor se reintegre. Mas, infinito, nenhum amor é.
Os grandes amores que motivaram casamentos, das pessoas que eu conheço, acabaram em escandalosas disputas judiciais, recíprocos desrespeitos, depreciações publicas e um maldizer de outrem que me faz perguntar o que faz a pessoa converter um ser especial e amado num inimigo a ser combatido, essas coisas e esses lastros de ódio, quando não, de arrependimento, quando ambos lamentam explicitamente ("como eu pude amar esse ser; como eu fui casar com 'aquilo'), descambando em ojeriza tão feroz que despersonaliza o ex-cônjuge, que passa a ser simplesmente chamado de o/a ex.
Casamento é para gente forte.
Tem gente que só é feliz casada, custe o que custar.
Mas a gente vê o desespero, o despreparo e o desamparo dessas pessoas: costumeiramente, têm assumido medo de envelhecerem sozinhas, medo da solidão, medo.
Outros sustentam o insustentável, negociam a manutenção da união - unir o que não está junto...manter perto quem não está junto, para não ter que vender a casa..ah, tantos sapos a engolir pelas aparências, pela economia, pela sobrevivência psíquica dos que desenvolveram dependência emocional...Traições, trocas de chumbo, vinganças, violência verbal...Fora os casos de amor unilateral, porque o amor sempre acaba primeiro para um do que para o outro...
Casamento feliz e exceção. Quase sempre se sustenta pela inteligência e não por amor...Amor sempre acaba - o maior, o mais bonito, o mais puto, o mais singular...todos acabam.
Acho que o poeta que eu namoro pego espera ouvir de mim um sonoro 'eu te amo'. Toca sempre no assunto, a pretexto de depreciar o amor. Talvez ache que eu o amo, mas que não verbalizo. Ele não sabe que é mera responsabilidade, de minha parte.
Brigamos há 10 dias. Na ocasião, eu disse que não declarava um amor que eu não reconhecia em mim. Pronto: estamos entrincheirados desde então.
Aceito a perecibilidade do amor!
Válido por tempo indeterminado. Sujeito a alterações.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Despreparo emocional


Para matar a curiosidade discreta de muitos, esclareço que continuo com o mesmo poeta de sempre, agora sem saber se gosto muito ou se amo um pouco. Bicho complexo, aquele ser humano. Mas, importa é que ele remexe minhas fibras emocionais e reabilita minha capacidade de sentir, coisa que somos desencorajados hoje em dia.
A propósito, não sei onde vamos parar com estas políticas culturais do viver que, ao estimularem o pegue e não se apegue, cria seres neuróticos incapazes de viver experiências completas de afeto. O resultado a gente vê nos jornais: rebanhos de gente que não aceita o fim dos relacionamentos e se converte em assassino, suicida, sequestrador, matador dos próprios filhos. Aliás, nesse tocante vi dois casos recentes: no primeiro, um homem pobre, jovem, pouco escolarizado, que fez dois filhos pequenos reféns, sob a ameaça de uma faca. Desse, eu confesso, tive uma piedade infinita, porque ele chorava, falando coisas incompreensíveis, mas por contexto, desesperadoras. De personalidade ciumenta, via-se o claro adoecimento emocional dele...Só cabia ter piedade. No fim, ele não matou ninguém, foi recolhido à cadeia, mas era caso de psiquiatria, psicologia, psicanálise...
Num segundo caso, o escroto assassino premeditou tudo, deixou carta de vingança contra a ex-mulher, afirmando que ela não teria a guarda (já concedida pela Justiça) das crianças, nem o colocaria jamais na cadeia. E esfaqueou as crianças, jogando os corpos pela janela; suicidando-se em seguida.
Claro, são casos extremos, mas muito recorrentes.
Numa escala global, o mundo assiste aos adolescentes e adultos jovens incapazes de lidarem com perdas, decepções, frustrações...Não tiveram liberdade de vivência emocional, porque o povo estava pregando o desapego, isso que chamam desapego. Assim, a cultura geral incentiva o coração frio, a superficialidade dos contatos e estimula as pessoas a se esquivarem de emoções reais a fim de também se desviarem das dores dos amores rompidos, das separações, das angústias, como se realmente houvesse a possibilidade de escolhas, bastando acionar um dispositivo interior de garantia de não-envolvimento.
Quando o sistema é burlado, paciência: ninguém sabe lidar com aquilo, nem tem maturidade emocional para atravessar as tempestades. Ótimo para a indústria farmacológica, que ensina a curar dores com Rivotril e desatenção com Ritalina.
Mundinho doente. Doentio.
Também fiquei com GP por um ano, sem sentir nada por ele, mas não por conta desses impositivos da cultura. Meu exemplo reitera o fato de que não temos escolhas: acontece de a gente gostar e acontece de a gente não gostar de alguém. Fosse por deliberada vontade, sempre escolheria os melhores amores potenciais.
Ensinam, porém, isso, de que ‘pegue e não se apegue’ ou, como disse uma despeitada ‘amiga’ minha, ‘madeirou, largou’, como se pudéssemos abreviar o significado das experiências ou subestimássemos o lugar das pessoas em nossas vidas, dizendo de antemão que não há vagas, que nunca passará daquilo, do instante, do momento...e se o momento for bom e alguém quiser prolongar ou repetir? – porque, por caminhos cruzados nas relações sociais, um amigo dela se interessou por mim e eu correspondi, Foi um encontro social sem maiores consequência. Não obstante, não dei estímulo ao flerte porque estou com o poeta, sem que quero e de quem eu gosto e se um relacionamento está bom, não vou jogar fora a menos que o desgaste seja natural. Deixei, pois, no plano das tentações – e nos acostumamos a ouvir e crer que não se pode criar expectativa. Bem, se é para viver sem expectativa, morra logo, porque até a expectativa de vida anda sendo mensurada estatisticamente há anos.
Acho tudo isso de uma burrice espantosa.
Querer controlar tudo.
Medo de perder o controle.
No fim, adultos despreparados emocionalmente é o quociente dessa divisão.
A vida dói tanto. Vai pensando que sara quando casar...Vai pensando que estabilidade no emprego e relação estável conferem imediata garantia de vida estável...Não funciona assim não. Ajudam, lógico. São preferíveis, lógico. Mas não há como se desviar de angústias, de realidades próprias ao existir.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O que me é imposto


Não sou sovina, mesquinha, mão-de-vaca, pão duro...Mas tenho uma especial má vontade em pagar impostos.
Imposto eu pago por ser algo imposto, goela abaixo, forçado mesmo. E olha que meu IPTU tem anos atrasado e que eu, abertamente, defendo que CONTRABANDO não é crime. Explico novamente: as mercadorias que tentam entrar ilegalmente no país não foram roubadas. A gente, consumidor, comprador, negociante, paga por elas. O que ocorre é que no exterior se compra produto de todo tipo muito mais barato do que no Brasil. Ao trazermos uma mercadoria, entretanto, o governo acha que devemos pagar uma taxa porque fomos lá fora comprar o que aqui é mais caro. Esse é o crime.
Desta forma, quando compro perfumes e cosméticos no exterior, a alfândega do Paraná pega minha caixinha de produtos e cobra 60% do valor que eu paguei e, para tanto, lê a minha nota fiscal. Pago, ainda, uma taxa de importação, no valor de R$ 15,00.
Entendo que há leis de mercado que visam proteger o comércio interior. Mas entender não é concordar.
Acho horrível o nome CONTRABANDO, acho terrível a criminalização e todo o resto.
Não obstante, a História do Brasil é a história da tributação: Quinto; Derrama e etc.
Hoje estou especialmente triste: paguei praticamente mil reais de IPVA. Como doeu. Dói dar mil reais ao excelentíssimo senhor Governador do Estado da Bahia. O carro é meu. Para o DETRAN não levar aquilo que já é meu, eu tenho que anualmente pagar a esse povo.
Meu carro, um carro humilde como eu...Estava com atraso do imposto do ano passado. O deste ano ainda não venceu, mas fui obrigada a pagar os dois. Fico infeliz e desesperada.
Porém, vos digo: antes assim a ter que estar com o coração em sobressaltos porque tem Blitz da Polícia ou eventos correlatos. Não dever a ninguém ajuda a tranquilizar o coração. Todavia, maldigo o destino de meus centavos, nessas mãos inúteis, corruptas e populistas que me obrigam a pagar pedágio e gasolina cara.
Hoje agradeci muito a Deus por dirigir. É uma independência boa. Parece uma pequena vitória, mas é grande e não é fácil.
Gasta-se muito e as preocupações não são poucas – manutenção, combustível, limpeza, etc. – mas no Cômputo final vale a pena.
Táxis roubam demais...ônibus demoram demais...Há urgências e necessidades que um carro abrevia. Mas se eu pudesse, não pagaria impostos.
Pior já sofri, tendo que levar o carro para vistorias anuais, tendo que comprar extintores de incêndio absurdos, que depois foram dispensados...Burocracias, filas e complicações em profusão...Mas pelo menos aqui na Bahia cortaram essa da vistoria (um ônus feito mesmo para a arrecadação).

Bem, paguei meu óbolo...Sigamos!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Cada um na sua e a vida continua...


Olha eu em casa, num sábado à noite! Falta de vontade de sair, poucas companhias disponíveis e atrações muito limitadas são os fatores responsáveis por isso. Não é que eu esteja me guardando para o carnaval, mas é que gosto de evento alegre, em que eu possa dançar...Hoje não há nenhum.
Por muitas vezes penso sobre as razões de eu gostar dessa cidade ingrata. Sei lá. Sempre converso sobre isso com os meus amigos: Por que será que prefiro Xique-Xique ao Rio de Janeiro? Isso não é em termos comparativos, não. Seria um disparate sem precedentes comparar uma e outra cidade, mas é o aspecto afetivo, sabe? Gostar da cidade, de estar na cidade...
Porto Alegre eu gosto, apesar da pouca hospitalidade; Conheci Barreiras recentemente e, igualmente gostei; Jacobina, também...
Nunca consegui gostar de Aracaju. Do interior de Sergipe, sim...Mas desde que eu era aluna de graduação e fui a um encontro de estudantes de meu curso em Aracaju, a cidade era a capital da solidão...Em 2007 fui morar lá: experiência dolorosa em termos de afeto.
Gosto de Salvador, mas no convívio limitado.
São Paulo, minha cidade natal, minha cidade cinzenta, eu amo...Também gosto de Campinas; adoro o Recôncavo baiano todo e já percorri boa parte do Brasil, até  Amapá está inscrito no meu mapa...
Deve ser igual aos afetos que desenvolvemos pelas pessoas: acontecem de ser como são, de simpatias, antipatias e paixões...Há quem não entenda, há quem sem ofenda; há quem queira me obrigar a gostar do que não gosto...Ainda bem que existe a educação e a polidez, para evitar conflitos bobos e desnecessários.
Tanto para cidade quanto para pessoas, nunca gastei meu tempo sendo injusta, atribuindo defeitos onde não há, deturpando, desdenhando...Já disse: respeito aos meus inimigos e respeito o que está fora dos meus afetos. reservo-me, porém, o direito a não gostar, a quebrar a unanimidade. Não o faço para ser do contra: é o afeto sincero.
Em minha sinceridade, vivo declarando: não bebo álcool porque não gosto de álcool; não gosto de comida gordurosa, nem de carne mal passada; não assisto ao BigBrother nem vejo filmes de super-heróis; não gosto de televisão ligada enquanto converso; não gosto que ninguém entre no banheiro enquanto nele eu estiver; não faço as perguntas que não quero que me façam; não quero ser mãe e não acredito em (meu) casamento; também não acho que o capitalismo será superado; não namoraria um homem careca; não suporto cigarro nem cheiro de maconha; não gosto de pagode nem de música sertaneja, não sou pela ortorexia, nem pelas paranoias alimentares...As pessoas, porém, buscam intersecções de gosto...Esses são os meus. Parte deles. Muitos eu talvez não declarasse na frente dos outros, porque os olhares coercitivos já são previamente esperados. Sei, por isso mesmo, que há muitas pessoas fingindo que gostam do que detestam ( e vice-versa), para fugir de conflitos. De fato, nem tudo precisa ser dito...Já disse. E o mundo é formado pela diversidade ( de gosto, de opinião, de pensamento, de postura...).
O que resta dizer? Praticar a calma ante o incômodo dos que não compartilham do mesmo gosto que a gente. E aos que pensam como eu, digo: "Mantenha a calma e faça reiki" - ou não faça nada, ou faça o que você quiser. Porém, não deixe de fazer uma investigação interior a fim de descobrir por que uma opinião discordante pode ser tão relevante para você.