Louquética

Incontinência verbal

domingo, 12 de maio de 2019

Alianças




Se Hoje me perguntassem o que eu acho que deva ser um amor próspero ou feliz, eu diria que um bom amor tem que sobrevive a ele.
Amor leva tempo e, em alguns casos, leva à ideia da perda de tempo. Corrigi isso numa amiga, hoje. Ela se declarou curada de recaídas por um homem por quem ela literalmente enlouqueceu (sim, Rivotril, clínica e demais tratamentos). Até gravidez ela forjou (um clássico do desespero) e lançou mão de todos os recursos disponíveis para prendê-lo a si. A julgar pelos recursos, já era a sanidade indo embora (e não critico por mal: ao meu tempo também fiz meus esforços para manter um relacionamento. Por sorte, percebi que aquilo não poderia ser amor, de forma alguma).
Disse eu à amiga, que não haveria porque se arrepender, pois que naquele momento ela estava como estava. Parabéns pela superação saudável.
Todos os dias há quem faça isso. De ambos os lados. Aquele que não quer manter a relação torna-se refém das armadilhas para adiar o fim. Do contrário, por que razão cartomantes, magos e similares  perderiam tempo com o clássico: “Trago a pessoa amada em três dias”?
O que eu digo é o contrário: pense em você, na sua agonia, na angústia e no seu desprazer em ser forçada ou forçado a permanecer com que você não quer estar!
Temos ego, sim. Ele, diante de uma ameaça de término, se ofende. 
Classicamente, nosso ego diz ao ser amado: “Quem você pensa que é, para poder viver sem mim? Como você pode não querer viver com uma pessoa maravilhosa como eu?”. Em alguns casos, o ego vira violência – se não dá em morte, dá em difamação, perseguição, mágoa e pragas.
Então, um amor próspero é também aquele que acaba bem. Não é indolor: separações doem, mesmo quando a iniciativa é nossa – é um outro caminho e os perigos normais junto aos imprevisíveis.
Geralmente, quem ama tem pressa e isso não é nada bom.
Para amar e para desamar, tudo é processual.
Particularmente, crio um certo enfado quando o amor acaba. Fujo um pouco, invento compromisso, viagens imaginárias...procuro criar o processamento para o bom entendedor. Antes, bastava pedir um tempo e o outro sacava que era o tiro de advertência. É como dar notícia ruim com eufemismo, aos poucos...
Até que o outro nos diga: ‘você mudou’ e entenda que você mudou para  muito longe, já anda emocionalmente distante.
Tem quem deixe para ser feliz nos intervalos – mantém casamento, namoro e é bastante feliz sempre que está sozinho ou sozinha... até tiram a aliança, em sinal de alforria. Há quem tire ao dormir, para ter a liberdade enquanto sonham.
Parâmetro bom: se essa ausência causou saudades...ou se deu alívio.
Muitas amigas minhas cataram na internet seus respectivos maridos. Por que queriam ter maridos a qualquer preço...Depois de obtido o troféu matrimonial, declararam o quanto era bom ser solteira.
Isso não ocorre por mal: querem companheiros, alguém com que contar, um esteio...mas, às vezes só conseguem o marido.
Hoje se apresentou a mim um candidato. Bastante apressado, deixou bem claro que ama estar casado, tanto que casou por duas vezes e que me achou bonita e inteligente, bem adequada aos sonhos dele.
Desesperou-se sobremaneira quando apresentei meus impeditivos, não somente porque namoro O poeta, como por meu pavor por casamento. E ainda disse isso tal a personagem de Chicó, no Auto da compadecida:
“- Casamento? Casamento é muito bom. Já fui a muitos. Adoro festas!”. Eu disse mesmo.
E eu sou a favor do casamento dos outros. Muito a favor.
A minha amiga louca para casar pela segunda vez oficialmente; e pela terceira, extraoficialmente, diz que não quer morrer sozinha. Penso em avisar que quem cuida da gente na velhice são enfermeiros e cuidadores profissionais e, ao morrer, estaremos sós, mesmo que morramos acompanhados. Não há essa garantia. Está aí algo que o amor não dá: garantias. Se acabar, só outro.


sexta-feira, 3 de maio de 2019

Cuide da sua vida!



Tomei um susto dolorido com a morte de Júlio Ávila, do blog Eu existo – eu estou vivo.
Ocorreu em 14 de outubro do ano passado. Graças a Deus, eu soube há poucos dias – isso por que estranhei o tempo de ausência da escrita dele no blog.
Como ele atravessasse uma depressão verdadeira, até dei por respondida a ausência que, nem por isso, deixava de me incomodar. Sei que por intuição ou por bom anjo guardião protetor, só fui ver a vida dele no Facebook na semana passada.
Faço aniversário em 12 de abril. Ele era do dia 11 de abril. Éramos arianos, críticos, fãs de Fernando Pessoa, de Bukowski e do Radiohead, se é que alguém pode entender a complexidade das coisas que justificam isso.
Foi por causa de Creep que ele me encontrou. Ou por causa da epígrafe aqui do blog, quem sabe... Sei que aprendi muito com ele, especialmente pela generosidade que ele tinha em entender nossas diferenças culturais.
Um dia, no Messenger, após um argumento mal criado meu, que insinuava o lugar dele de ‘colonizador’, mui sabiamente ele me esfregou elegantemente à cara: “Mara, não estamos no tempo da colonização”. Ele era português, morador da Ilha Terceira (Biscoitos)...
 Em 2010, eu ia a Portugal, por conta de meu doutorado, que sendo aqui na UFBA (segundo o atual ministro da Educação, Universidade Federal da Balbúrdia), tinha convênio para bolsa-sanduíche no Porto. Era a oportunidade de ver meu amigo presencialmente. Depois, pelas perseguições internas que sofri na UFBA, acima de tudo, injustas, encurtei meu doutorado e acabei a tese três meses antes do previsto.
Acho que a gente se conhecia há pelo menos nove anos. E se fez diferença dividir um café ou partilhar um abraço, amizade e companheirismo foram uma constante. Ele era uma pessoa de verdade.
Li as últimas postagens dele, falando da depressão e vi o vídeo postado por ele, com um narrador mostrando modos de se fazer um nó de carrasco, próprio para suicídio, para enforcamentos.
Vi as mensagens de despedida dos familiares no Facebook e, confesso, fiquei tão mal, que senti asfixia, Por vários dias fiquei como que asmática, reaprendendo a respirar.
Hoje, finalmente, voltei à página dele no Facebook. Li tudo quanto eu pude para poder entender, saber e aceitar.
Fiquei surpresa com o carinho e presença da família dele. Não imaginava serem tantos os irmãos, nem tão presentes e amorosos os pais. Vê-se que a solidão é, também, uma ilha interna.
Nunca fui de julgamentos sobre o viver ou querer deixar de viver de ninguém. Viver nunca foi fácil: é desafio; é o que nos diz a Odisseia, ao nos mostrar a vida como jornada e como batalha. Mas, reitero, devemos ser teimosos – se a felicidade não é deste mundo, a gente a traz para cá, pelo menos para dentro de nós.
Alguns amigos meus driblaram seus impulsos suicidas casando e tendo filhos, de modo a se desviarem de suas próprias existências e focalizar outras. Acho um bom recurso.
Outros preferem um vício, qualquer desvio do peso de existir está valendo. Há os raros que são mais nobres e vivem para os outros, em trabalhos voluntários, em causas coletivas... E sempre me perguntam sobre isso de encarar a vida sem umas doses de nada, quanto e como acho coragem.
Como espírita sei da transitoriedade de tudo, mas isso não diminui a dor - entre quem crê e quem não crê; entre reencarnacionistas ou materialistas; entre católicos e protestantes; ateus ou budistas, tanto faz: dor é dor. Mudam apenas o escudo e a máscara.
Também aprendi com um amigo meu, Osmando, que a Terra tem muita coisa boa. Ele me mostrou que os espíritos têm saudades das coisas daqui. Assim também nós apreciamos coisas que há aqui – sim, mais próximos estamos de um estereótipo de Inferno que de um Paraíso (dois extremos, aliás, que não existem para o espírita – e se é difícil viver sem Deus, para muitos é bem pior viver sem a crença punitiva em um Demônio que lhes bote freio aos impulsos mais primitivos e baixos).
Bom, mas, enfim, escrevo isto aqui como se pudesse ser lido por Júlio, como despedida para ele – decerto, sei que minhas orações chegarão.
Acho que nunca eu declarei aqui com tamanha seriedade aquilo que vou repetir agora: cuide de sua vida!


domingo, 21 de abril de 2019

Fúria das feras




Odiamos quem não torce para nosso time ou não é de nosso partido; odiamos a todos que não são da nossa religião; odiamos quem não tem os mesmos gostos que nós, os que não são parecidos conosco, quem não pensa igual a nós e, sobretudo, quem discorda de nós. Odiamos até as coisas intangíveis no Outro, tipo "o jeito da pessoa"...Somos seres de ódio, tentando dar abracinhos educados e parabenizações plastificadas pelo verniz social.
Eu acho engraçada a forma como as pessoas que não gostam de um blog, de uma pessoa, de um programa, de um site, de um lugar, se submetam a ir ao encontro dos respectivos citados.
Não vou onde não gosto, exceto se houver algum ganho para mim. É o mesmo que aturar a companhia dos que não gosto, apenas para aproveitar a companhia dos que me são caros.
Certas pessoas, entretanto, nem valem a troca. Simplesmente, aproveito meu livre arbítrio e mantenho distância.
Estou aqui bastante constrangida: é que se aproxima o aniversário de uma amiga e , na futura ocasião, corro o risco de dar de cara com uma pessoa que eu não quero ver jamais na minha vida. No caso, não é ódio: é a força de minha inabilidade de fazer de conta que está tudo bem. A pessoa desafeta gastou seu precioso tempo para fazer com que a futura aniversariante rompesse a amizade comigo. Agora, olhem bem: a minha inimiga é muito benquista, todos a consideram uma pessoa sensível e pacífica, é bem estabelecida financeiramente, não precisa de mim para nada, eu nunca atravessei o caminho dela, nem lhe fiz qualquer espécie de mal, nunca tirei o que a ela pertencia, não criei condições para que se assentasse a necessidade dela em me fazer mal. Porém, assim foi. E por ser assim venenosa e dissimulada, vou com os outros: quando falam bem dela, balanço a cabeça afirmativamente, gastos todos os meus monossílabos ("é!; sim!'), não por hipocrisia, mas por achar que cada um pode ter uma experiência diferente com a mesma pessoa. Sim, ela é bastante invejosa e ciumenta. Nada do que tem lhe basta, porque a grama dos outros pode até não ser mais verde, mas é dos outros e poderia ser dela...ou, sei lá, para quê o vizinho precisa ter grama?
Essas pessoas que vendem e propagam uma imagem positiva de si, fazendo todo o esforço em esconder o veneno, fazem o maior sucesso entre o incautos, que elogiam o carisma. Certamente, só conhecem uma das faces da víbora, como ocorreu comigo por muito tempo. Posso dizer que me arrependo profundamente de um dia ter aceito a aproximação e a amizade daquele ser humano. Eis ali alguém para quem eu sempre faria o discurso do fracasso, porque se ela perceber que eu estou bem, o meu bem-estar não durará muito.
Já citei um outro caso que, face a uma inimizade pública, um terceiro elemento se aproximou de mim para fazer 'seu recado chegar'. Não chegou! Não passo adiante pareceres de ninguém, não visito ninguém, odeio ir a casa dos outros e, se muito dou ouvidos a alguma fofoca, é sempre por meios terceirizados. De quem eu não gosto, não quero notícias. Exceto se for para eu me prevenir de cruzar o mesmo caminho que as tais serpentes, me desviar das feras enfurecidas em seus aparentes silêncios.
Também deixo a imaginação dos outros correr solta: escolho sobre o que dar satisfação social. Sei que não vale a pena contar o que há de bom: as pessoas se sentem mais confortáveis se imaginarem que estão melhor do que eu. Há quem tenha ódio de quem faz o que gostariam de fazer, há ódios gratuitos poderosos e, aliás, a fonte do preconceito é ódio, porque representa a tomadas das diferenças em relação aos meus referenciais, como sendo fatores negativos.
Voltemos ao mesmo ponto: enquanto se tem liberdade, se pode ter escolhas. Escolher presume localizar as opções de que se dispõe. Opto por me manter distante de quem não gosto, do que não quero, do que me desagrada...Para que eu iria me aproximar e me expor ao que detesto? Não alimento esses masoquismos, nem sequer em família: não gosto, não quero perto. Distância também é antídoto.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Os lados do muro


Os limites do respeito podem ser estabelecidos por cada pessoa...Mas, ainda que não possamos enxergar as margens entre as coisas, não é difícil de perceber quando eles são ultrapassados. Nesse processo, a gente decide o que suporta, o que perdoa e o que é impossível passar em branco. 
Não são novidades as brigas político-partidárias no Brasil, as tendências, os extremismos...A novidade é o estado geral da ditadura interior, de um endurecimento moral, que todos nós sabemos ser o louvor da hipocrisia. Por outro lado, não deixa de ser interessante ver gente, na horizontalidade das relações, isto é, entre aqueles de nosso próprio convívio relacional, decepcionado e boquiaberto por ter descoberto que o Brasil é conservador e moralista. 
A nata da intelectualidade achava que bastava um “bom dia para todos e para todas”, para mostrar que tínhamos avançado em questões de igualdade. Ora, a troca semântica sempre foi vista como avanço, progresso, evolução. Então, se a pessoa deixa de ser chamada de ‘empregada doméstica” e passa a ser chamada de ‘secretária do lar’, ganha muito simbolicamente, porque se desvincula da carga pejorativa que acompanha o termo ‘doméstica’. O que rege o politicamente correto é o verniz do respeito. Isto assim era, até cair a máscara de nossa sociedade que, aliás, nunca largou suas posturas senhoriais, patriarcais, coloniais, 
Também se revelaram as vinculações ideológicas: seja para um lado, seja para um outro, as pessoas escolhem seus espelhos partidários, os candidatos e políticos mais alinhados com aquilo que elas pensam e que melhor reflete quem elas são. 
Meu caso singular de ficar embasbacada foi com uma amiga que não sabe que é negra (eu que não vou contar a ela isso) e com um parente que não sabe que é pobre ( também não vou contar, porque ele acha que é empresário, mesmo sem ter empresa alguma, mas por prestar serviços a uma empresa que o faz se sentir 'autônomo') e se sentem a elite da sociedade, agindo em defesa da elite. 
Mas, coitada da elite. Coitada da classe média. Sempre foram responsabilizadas por tudo nesse país... O problema é que não temos elite numericamente que justifique os panoramas políticos. A elite é percentualmente insignificante e, por maior que seja a sua influência e seus poderes, não conseguiria dar conta de todos os males que se atribui a ela. É a nossa defesa sociológica dos mais pobres, que colocamos como vítimas. Equívoco maluco: tantos nutrem simpatia pelo opressor – lugar que sonham ocupar, como aquelas vítimas vingativas, como o operário humilhado, que sonha em ser patrão para poder humilhar também... 
Aqui no Brasil, classe é um problema: a pessoinha financia um imóvel em 30 anos, num condominiozinho afastado, e se sente o tal; constroem um puxadinho a que chamam área gourmet e já se acham donos de mansões - pura ostentação! Aqui, se o vigilante da empresa de valores ganha 20 mil e o advogado da empresa estatal ganha 15 mil, instaura-se um caos, porque as pessoas confundem dinheiro, capital e capital simbólico - e só não cito aquelas duas categorias clássicas da Economia, porque não quero mimimi de gente tosca, que quer vir para a conversa para a qual não foi convidada. Não me isento de rir, mas dar minha opinião sincera me faria perder amigos caros, daqueles que acham que a pobreza se faz por quem não tem condições mínimas de sobrevivência. Não vou explicar a tais pessoas que somos pobres também - a pobreza não é homogênea. Que fique entre nós tais segredos. 
No Brasil nunca faltou quem dilapidasse os cofres públicos - Maluf existe há décadas, Sarney também, só para a gente citar e exemplificar. Logo, temos experiência histórica com esse assuntos correlatos ao tema.
Da mesma forma que poucos de nós podem afirmar que conhece alguém que resolveu se tornar médico para ajudar a melhorar a saúde no país, nem um jovem que queira ser soldado da polícia a fim de contribuir para um justiça eficaz e uma segurança humanizada ( se vocês foram sortudos em conhecer tais pessoas, hosana a Deus e muita glória!), um político não quer o cargo público para defender interesses do povo. 
Isso não quer dizer que não haja político digno. Muito menos quer dizer que articulação política é formação de quadrilha. É jogo de interesses, os mais variados. 
Mas, de repente, a paixão do brasileiro saltou do futebol para a política, com a mesma cegueira e com a mesma paixão. Nada pode ser discutido. Seja como for, o silêncio é o lugar mais seguro para todos – e se a gente reconhece erros de um lado e acertos de outros, vem alguém para dizer que estamos em cima do muro.  E pode ser, sim: de cima do muro se pode observar, concluir... E descer com segurança e equilíbrio, para não machucar o pé.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Um assunto cabeludo!



Vamos falar de cabelos?
Crescimento de cabelo é determinado biologicamente.
No caso dos homens, a queda, calvície ou carequice dependem de fatores genéticos.
E tem jeito? Tem. Se não resolver, pelo menos melhora, atenua, ou evita que piore (aqui vão relatos que excluem os procedimentos cirúrgicos – existem, muitos funcionam, custam caríssimo).
Pois, bem, para começo, advirto que não sou dermatologista com especialização em Tricotologia. Decerto, tenho doutorado, mas é em Letras/Literatura, de modo que os comentários a seguir advém de minha vida de pessoa comum, filha de Deus, que adora os próprios cabelos e luta pelo bem-estar deles.
Para os homens, vos digo: Minoxidil. E só peguem produtos de uso tópico, local. Os demais, de uso oral, combinam hormônios que podem repercutir na vida sexual, inclusive sobre a ereção.
Existem, ainda, Biofillix e Finaxidil, mas nada sei sobre eles na vida real.
Citei o Minoxidil porque acompanhei um primo, que fez uso e deu certo: conteve a calvície e ainda fez um ‘reflorestamento’ capilar, ou seja, fez nascer penugem, cabelos.
Sejamos claros: cabelos crescem pela raiz.
A gente corta ponta dupla, acerta o corte, se ilude, mas o crescimento vem da raiz e isso exige cuidados com o couro cabeludo. ´
Hormônios alteram os cabelos: há mulheres que, na gravidez, desenvolvem os fios; e há outras que enfrentam quedas de cabelo.
Assim, também os hormônios de menopausa interferem – embora muita gente diga o contrário, as mulheres de minha família ficam com os cabelos longos, talvez ligeiramente mais finos.
Cabelo curto ou longo, tanto faz: se houver pontas duplas, ressecamento, caspa, tintura mal feita, tudo fica feio.
Eu sempre quis ter cabelos longos. Tinha usado tudo que era possível, tomado Pantogar e usado produtos caríssimos...sem efeito real.
Tudo mudou quando eu larguei os relaxamentos com guanidina ou com hidróxido. E olha que eu era daquelas que só alisava a raiz do cabelo.
Então, lição número 01: você pode chamar escovas progressivas por qualquer nome elegante que quiser (selagem, botóx, realinhamento, por exemplo), mas processos que alisam são escovas progressivas, mudando apenas o agente químico principal (cistina, carbocisteína e substâncias similares).
Existem escovas naturais? Não. Para alisar, defrisar, reduzir volume, são necessários elementos químicos. Não há planta ou substância natural que altere a forma natural dos cabelos.
O que ocorre é a adição de elementos naturais, óleos, por exemplo, mas a interação entre calor (secador, chapinha) e o produto, mesmo se você usa um produto que seja enxaguado antes de usar calor, deve saber que esta é a dupla que faz o cabelo modificar.
Segundo: quer a prova? Observe o cheiro de seu cabelo, na primeira lavagem após uma escova progressiva (selagem, botox...): sentirão cheiro de açúcar queimado com ferrugem; cheiro de coisa queimada, qualquer cheiro estranho. Na verdade, é cheiro de enxofre – do próprio cabelo, interagindo com a química. Geralmente, esse cheiro aparece em reação com meio líquido (água, suór)...
E sai? Sai. Com muitas lavagens.
Tomem aqui por conselho: se você fez escova num salão, lave ao chegar em casa - é uma pena, é ver dinheiro escorrendo pelo ralo, dói, mas é melhor. Nenhum lavatório tem a qualidade de enxágue que o seu chuveiro. Salão nenhum no planeta lava e enxágua como você.
Se puder esperar um dia, lave em casa e depois faça escova normal no salão. Esse enxaguar vai te poupar de ter casquinhas no couro cabeludo, daquelas que as pessoas pensam ser caspas – não são, são reações do couro cabeludo aos resíduos químicos das escovas, são descamações.
Tratamento caseiro dá certo? Se estivermos falando de óleo de coco e outros, sim. Caso contrário, confie em hidratações de boas marcas, ampolas, etc.
Dá para diminuir o cheiro ruim (diminuir não é eliminar) das escovas, usando duas colheres de Leite de magnésia dissolvido em uma xícara de chá de água. Antes de lavar os cabelos, molha o couro cabeludo com isso e deixa por uns dez minutos. Repito: diminuir. Eliminar, nenhum produto, por mais promessa que faça, consegue.
Pode pintar quando faz escova? Não. Mas é por segurança. Porém, como abre tons, uma máscara de cor pega e dura muito. Jeans Color, da Alfaparf ou Crazy colors da Alta Moda, Magic Color 3D, são máscaras colorantes que tingem o cabelo e só contém pigmentos – nada de oxigenada e congêneres.
Xampu deixa de dar certo? Não exatamente. Antes de tudo, shampoo é palavra em inglês. Em português, é com Xis mesmo.
O que ocorre é que o xampu que dá certo é aquele que contém os nutrientes e substâncias que faltam ao seu cabelo.
Xampu não apenas lava. Essa é a função principal, mas, ao limpar os cabelos, ele preserva, sobe ou desce o PH dos fios – desta forma, não podemos lavar o cabelo com detergente de lavar pratos.
Depois de meses usando o mesmo xampu, parece que não funciona mais? Pois é, significa que seu cabelo já está saturado daqueles princípios ativos. É como se o cabelo comesse a mesma refeição e enjoasse quando precisasse se fortificar com outros itens do cardápio.
Condicionador bom é aquele que desembaraça. Nada mais se diz quanto a isso.
Cabelo que nunca cresce, tem jeito? Só posso responder por meu caso: tem jeito. O jeito pode ser simples e barato. No meu caso, o jeito foi usar Bepantol líquido. Vitamina B5. Juro: cresceu mesmo. Eu já tive megahair, tive uma frente de cabelo toda detonada, ressecada, quebrada, uns ‘toquinhos’ de cabelo. Depois de três meses, vi as mudanças.
Mudei o meio de alisamento e mudei isso aí, passei a usar Bepantol.
Tintura, só uma vez ao mês: passei a usar tonalizante e essas máscaras de cor, que citei acima.
Hidratação, três vezes na semana.
Cortar o cabelo ajuda no crescimento? Não. Lógico que não. Mas, muda a aparência, o aspecto do cabelo.
Mesmo sem química, meu cabelo pode ficar detonado? Sim, infelizmente. A carência de vitaminas é o primeiro inimigo – precisamos de vitamina B5, C, A, E, D, ácido fólico, só para marcar os mais urgentes dos urgentes. Tem alguns complexos vitamínicos que suprem esses elementos, mas o certo e o melhor é fazê-los presentes na alimentação.
Prender o cabelo com elásticos ou viver abafando o couro cabeludo também detonam seu cabelo.
Stress, preocupação, alteração hormonal, tudo pode afetar seu cabelo.
Falando no meu caso particular, também o fato de eu passar a cuidar e arrumar meu cabelo em casa ajudou bastante no crescimento: a dinâmica do salão é terminar logo o trabalho em seu cabelo. Assim, para fazer rapidamente o que é complexo, as trabalhadoras e trabalhadores usam muito calor do secador, fazem trações fortes e ríspidas nos fios, favorecendo a quebra e o ressecamento. Fora a já citada lavagem, que além de ruim e rápida, nunca lava fronte, nuca e outras extremidades a contento, deixando resíduos no couro cabeludo. Em casa, cansa, mas é o melhor lugar para cuidar do cabelo.
Quanto à quantidade de lavagens por semana, sejamos francos: cabelo mal- cheiroso é horrível. No mínimo, duas lavagens na semana. Mínimo. Não queira economizar ficando cinco a sete dias sem lavar os cabelos: além do mau cheiro, seu couro cabeludo ficará gorduroso e propenso a caspas, os bulbos capilares ficarão entupidos, prejudicando o crescimento e, fora tudo isso, fica um aspecto pesado e feio, a cara da sujeira – xampu a seco, só na emergência.
Lavar todo dia prejudica? Não. Desde que não se retire a oleosidade natural dos cabelos – por isso, a importância dos xampus. Tem xampu bom e barato? Tem – desde Johnson, tradicional amarelinho ou outros da linha – até os populares sem sal (no meu, até Palmolive resolve, mas uso Match, de O Boticário e Aussie).
Esses são meus relatos, foi o meu caso. Cada um, com sua vida e com suas escolhas.
Ficam aqui meus testemunhos e não uma recomendação médica. Blogs não são consultórios.
Não tenho patrocínios, apenas me reportei a experiências de minha vida real. E cada um leitor que resolva a raiz de seus problemas.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Primeira pessoa do singular



Tem dias em que não vou a lugar algum, mas quero me arrumar, estar bem e estar bonita.
Há quem não se arrume senão para terceiros, ou para compromissos ou rituais... Estes, por seu turno, não usam o perfume de que gostam, nem a roupa que lhes apraz, nem cuidam de si exceto por exigências sociais.
Eu não escolho as formas de amor por mim a partir de terceiros.
Não cabe em mim essa coisa de que ‘a gente se arruma para os outros’. Não, eu me arrumo para ser reconhecida pelos outros a partir do amor que expresso por mim mesma. É bom estar feliz com o espelho e olhar para dentro de si percebendo a correspondência entre a aparência e o bem-estar interior.
Estes mesmos seres que não usam ou fazem o que gostam, a menos que a ocasião social exija, são os mesmos que querem ou buscam ter bens para ostentar, mas não para curtir, usufruir verdadeiramente. Portanto, aplicam o dinheiro num carro luxuoso, que tem um IPVA alto, gera um consumo absurdo de gasolina e desenrolam uma série de despesas, para causar impacto nos outros. Acho, porém, que causam mais angústias do que satisfação, porque se amparam, novamente no que os outros vão dizer.
Consumo saudável é o que traz satisfação, é consciente.
Nossa autoestima se expressa em vários lugares que excedem o ego e os rituais de cuidados pessoais. Quem se ama cuida da cabeça, não acha psicanálise um luxo.
Quem se ama cuida bem do corpo, por saúde e por estética, sim: é preciso gostar do que se tem. O respeito ao próprio corpo significa cuidar bem dele, com alimentos, cosméticos, exercícios, etc., não importa o peso ou a forma. E se uma diferença no nariz (em qualquer parte do corpo) lhe trouxer a sensação de embelezamento, e é o que falta para você se sentir bem, faça o seu possível, respeitando os limites aceitáveis e normais de intervenções.
Em bom português, a autoestima também está no quanto você se propõe a não se ofender, não se irritar, não perder seu dia e seu tempo com coisas e pessoas que podem ser irrelevantes. Deixar para lá, sempre que possível, poupando a mente de desgastes emocionais e desabafo de instintos em discussões grosseiras, por gente que nem vale a pena... E se valer a briga, há formas mais eficazes de se aliviar sem, necessariamente, se deixar afetar.
Em família isso em bem comum: os próximos são sempre os mais propensos a nos ferir, porque têm acesso maior a nós, aos nossos arquivos, vulnerabilidades, históricos... 
Ainda tem quem confunda memória com rancor: é que a gente precisa lembrar o que nos machucou, quem nos magoou, as causas e as circunstâncias, por uma questão de proteção, porque a gente não vai ficar oferecendo a outra face, andando em círculos em relações desgastantes. Decerto, não quer dizer que os sentimentos bons acabaram, porque, eu já disse antes, os maus também precisam de ajuda e de amor, mas se pode ajudar e amar de longe.
Casos há em que, de fato, as relações terminam mal e pronto. Não queremos mais ver a pessoa.
Em meu caso, quando percebo a falsidade e sei até que ponto uma pessoa dissimulada pode ir, como tal pessoa se infiltra na vida da gente, entre amigos, parentes, ambientes sociais, derramando venenos e causando inimizades, nunca mais quero saber sequer do nome do ex-amigo ou amiga.
As amigas que não respondem contatos, não esboçam receptividade a nada, estabelecem todo tipo de distância, eu não procuro mesmo. Ficam no limbo.
A vida continua com ou sem tais pessoas, mas é parte de nossa autoestima procurar nos preservar de sofrimentos, da exposição a gente tóxica...E há uma coisa que eu aprendi durante uma trilha na Chapada Diamantina, em novembro do ano passado, quando ouvi de uma amiga que conheci na ocasião: “esse ‘não’ cabia a você!”.
Então, há nãos que a gente precisa dizer.
Há várias coisas que dependem de nosso posicionamento, de nossa escolha, das opções que assinalamos...ou seja, temos escolha e precisamos ter autonomia para declarar nosso posicionamento.
Amar a si mesmo não é ser egoísta, mas é saber que em nossa vida a gente precisa estar em primeiro lugar. Eu: primeira pessoa.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Toda forma de paz ou a paz de qualquer forma



Tem uma filosofia de para-choque de caminhão, que diz que “amigo não é aquele que enxuga uma lágrima e, sim, aquele que não a deixa cair.
Ora, já declarei minha chateação contra quem persegue nosso direito ao choro. Odeio explicar as razões de minhas tristezas, engolir minhas lágrimas ou ter que adiá-las para evitar testemunhas.
Agora, a perseguição é outra: não posso ficar em paz, quietinha, muda, fora de redes sociais, longe do telefone celular, porque toda hora tenho que explicar meu sumiço.
Gostei de meu réveillon. Gostei ainda mais de não ativar dados móveis e ir para uma área onde o sinal era quase inexistente.
Está tudo bem: sem confusões, sem tristezas, sem desesperos. Acho que as pessoas se acostumaram com ostentação de felicidade. Não: a felicidade pode ser muda, silenciosa, contemplativa.
Não tenho uma vida excitante a ponto de justificar o grude nos aparelhos. Odeio saudar quem eu não gosto e formalizar votos de feliz ano novo a gente cretina ou insignificante.
Claro, tem gente ruim, escrota e cretina que eu gosto, apesar dos péssimos adjetivos. Mas, entre gostar e querer contato, vai uma distância incomensurável.
Fica a mesma dica: se você precisa perdoar uma pessoa escrota, faça o seu possível. Se conseguir, não esqueça que vocês não precisam manter o convívio contínuo.
Hoje em dia eu me sinto uma total imbecil por ter arrastado uns contatos assim, ad eternum.
Nuns casos, por piedade, porque a pessoa já não tinha amigos e poucos eram os próximos que queriam proximidade com ela.
Em outro caso, a pessoa viveu um verdadeiro ostracismo familiar, com todo mundo guardando distância e com justa razão: trata-se de um ser humano péssimo e venenoso que, se não ferir diretamente quem chegar perto, vai articular situações e plantar a discórdia, de modo a fazer ferver a dissensão, as brigas, as calúnias. Para dar um exemplo, essa figura convenceu uma pessoa de que havia outra a tramar ardis e atentados contra a vida do ‘visitante’.
Mas, lá fui eu, atender ao “setenta vezes sete” perdões que devemos dar.
Voltei envenenada, não porque não estivesse imune ao veneno ou desconhecesse onde estava o antídoto, mas por notar que foi, de fato, a última vez em que fui visitá-la. Nunca mais volto lá.
Pareço e sou uma pessoa de “nunca mais”. Nunca mais, em minha vida, é muito verdadeiro e mais constante que “para sempre”. Pouco sei sobre ‘para sempre’.
Não precisamos disso. Ninguém precisa. Decerto, obrigações sociais nos submetem ao contato com quem não queremos. Basta não prolongar. E se pudermos romper o laço, melhor ainda.
Outro ponto é evitar repetir más experiências. Se não foi bom sair com tal pessoa ou realizar qualquer atividade com ela, não é necessário passar por tudo de novo, a menos que se dê o benefício da segunda chance.
Também não vale ir onde não se deseja, comer aquilo de que não gosta, só para não causar desconforto nos outros.
Já entrei nessa: no fim das contas, almocei arroz e alface, para não declinar do almoço oferecido coletivamente (um cardápio horroroso e pesado que me obrigou a me servir apenas do que era possível comer, em meio a tanta porcaria sem sabor). Saí com fome para não sofrer linchamento social e parecer metida a besta. Não faço isso nunca mais.
Quem quiser que venha me obrigar a gostar de açaí, a gostar do Rio de Janeiro, a achar calça sarouel bonita, a usar espadrilles, a querer ter filhos, a ouvir pagode! De igual maneira, nunca obriguei ninguém a ter os mesmos gostos que eu. Contudo, é difícil que me deixem em paz: há sempre alguém querendo me converter.
Bicho com vontade própria é fogo!
Então, não quero atender a ligação apenas porque não quero conversar. O povo faz um alarido, mesmo eu previamente tendo feito a advertência de que quero ficar quieta e sozinha. Não há nada de errado nisso. É a paz do encontro comigo mesma.
O poeta pouco entende disso – ele, pelo menos, subestima. Coloca a etiqueta da frescura ou de algo depreciativo, mas me deixa em paz.
O que há de errado em querer ficar sozinha?