Louquética

Incontinência verbal

sábado, 29 de agosto de 2020

Tretas de terapias

 


Uma amiga me presenteou com uma sessão de tethahealing. Fui desarmada, sem sequer ir dar buscas, porque não queria ir com conceitos prévios, preconceitos.
Primeiro, aceitei de coração aberto o presente. Entendi a intenção.
Parece uma sessão de psicanálise, misturada a uma sessão mediúnica, com um pouco de umbanda e, como não poderia deixar de ser, constelação familiar.
Eis o que o mestre perguntou: “Você já fez constelação familiar?” Não pestanejei e dei minha resposta clássica: “minha família não tem estrelas” (por dentro, eu só pensava no meteoro e nas estrelas cadentes que tenho como parentes recém-descobertos).
Fui mais artificial do que todo o processo: fiz de conta que aceitei com surpresa, mas achei um verdadeiro mosaico, um patchwork de procedimentos religiosos.
O mestre olhou minha aura e constatou algo em minha garganta (acertou: eu somatizo os sapos engolidos, não é ironia); o mestre disse que eu tinha encostos espirituais – e aí, como espírita, eu disse logo que não há quem ande sozinho; que os espíritos se deixam atrair por similitude e todos os pormenores, conselhos e soluções que a doutrina espírita explica...
Houve um festival de lugares-comuns, do mais puro clichê (ou sou eu que já corri muitas estradas e vi repetição barata em tudo), cujo ápice foi: “Por que sua amiga se motivou a te presentear com esta sessão?”. Eu respondi a causa. Ele seguiu: “você reconhece que tem atitudes repetitivas?” Acontece que não, eu não repeti. A causa de agora é totalmente nova e desconectada de outras situações prévias.
O comportamento dele foi que pareceu ensaiado demais, roteirizado, parecendo querer induzir minhas respostas...
Não invalido a experiência porque, acima de tudo, tinha a postura amorosa da minha amiga. Sabe, eu penso que quando alguém me dá um presente qualquer, ali está a parte material, está o tempo da pessoa, na procura do objeto, está o dinheiro gasto, está ela mesma, ao se ocupar de mim. Então, valeu a tentativa de me dar alentos.
Se um ser humano treinador de toda espécie consegue adestrar a mente alheia, de modo a construir na pessoa as respostas de confiança de que ela precisa, para mim, está valendo.
Mesmo que seja mentira, está valendo. É tipo placebo: não tem nenhum princípio ativo ali, mas se você acredita, te cura.
De tudo isso eu acho o mesmo que da autoajuda: vivemos com medo, angústias, impotência, insuficiências, queremos consolos e respostas. As técnicas mais picaretas vão responder ao quadro, tanto quanto as técnicas mais sérias e científicas poderiam fazê-lo.
Crime seria fazer crer que se pode prescindir de psiquiatra, psicólogo, remédio, tratamento médico, por uma solução alternativa. Todo o resto é complementar. O exercício de falar de si, da família, dos problemas, em desabafos coordenados, ajudam a resolver os nós na garganta (os sapos engolidos).
Claro que o charlatanismo existe descaradamente. Se colocar um adjetivo científico ao lado, aí é que é sucesso: quântico, físio, neurocientífico, cerebral, psico... para dar credibilidade e chamar clientes.
Para mim, foi uma experiência nula, a tal ponto que não gerou a vontade de prosseguir. Foram duas horas de terapia ecumênica e aqui aproveito para dizer outra coisa: já topei com mil pessoas dizendo que iam à terapia e com duas mil que se diziam terapeutas. Sem a menor maldade, indaguei: e qual a sua terapia? A pessoa não sabia responder. Era terapia em terapia – ou seja, tanto poderia ser psicanálise quanto origami e artesanato. Nem as pessoas em terapia, nem os pretensos terapeutas sabiam o que era terapia.
A gente cuida da planta ou faz joguinhos e diz que é terapia (terapia, ocupação, não fazem o terapeuta ocupacional, viu? Aproveitando para brincar com a vulgarização do termo), mas é higiene mental.
Sinceramente, acho que a gente, como qualquer outro animal, pode ser adestrado, pode sofrer lavagem ou sujeira cerebral. E somos mais vulneráveis quando desesperados e fragilizados. Se estamos perdidos, qualquer farol é a luz do fim do túnel...o problema é a cegueira temporária do deslumbramento.
Os problemas humanos não são resolvidos como macarrão instantâneo. E se fosse, que gosto ruim tem aquilo...
Gostaria de dormir com angústias e acordar com felicidade, gostaria de tudo” do bem, do bom e do melhor” para ontem, mas não funciona assim.
Para quem estiver na dor e no desespero, o que funciona é parar, se lamentar, chorar se der vontade. Esta é a parte humana do desabafo. Depois que a cara inchou de choro, é hora de pensar em como resolver.
Se não houver modos imediatos de solução, resta pensar que a vida já lhe trouxe outros problemas e todos passaram e você continuou.
Se rezar te faz bem, reze. Tem em quem confiar? Converse. Não tem jeito? Simplesmente desista, viva seus lutos e invista em outras lutas.

Falo com conhecimento de causa, com relato pessoal: Eu amei por dois anos e sete meses o Ex-Grande Amor da Minha Vida, que, simplesmente, foi a experiência mais dolorosa que eu já tive. Dores que me laceravam, transformando a vida numa nuvem fria de uma noite eterna de angústia de perdas. Fui à analista, fui à Igreja (eu era católica, na época), fiz promessas, saí, viajei, namorei gente avulsa...me ocupei, para nem ter tempo de sofrer – mas, sofri e chorei. Até que passou.

Hoje, mal tenho lembranças - a lembrança virou um bloco compacto mesmo, não consigo lembrar de momentos a dois, de coisas pontuais ou singulares (graças a Deus).
Dos lugares em que trabalhei, especialmente da vida militar e da escola básica no interior, mal tenho lembrança de nomes de pessoas ou situações  – para ser sincera, nem de Aracaju eu me lembro, da universidade federal em que trabalhei... E assim é: tudo passa e a gente passará. Só não dá para existir e não ter problemas e angústias: elas vão, vem, se modificam, mas acompanham a vida.

Sempre que acabo um texto, perco meu tempo para explicar que eu não estou prescrevendo nada para ninguém, que cada um é livre para as suas escolhas e que coloco aqui coisas particulares, sem endereço certo, então, é da minha conta. Cada um que responda por sua vida.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Tristes trôpegos

 


Estamos todo tristes: nós, os de cá, os meus próximos e eu. Inclusive os meus mais próximos que moram longe – se tem uma coisa que a filosofia dos para-choques de caminhão ensina direito, é esse negócio de que a amizade supera distâncias. Assim, no afeto estamos juntos.

Por certo, não temos depressão patológica (até porque, ela é bastante singular, embora algumas pessoas gostem de se dizer depressivas, para ganhar afagos e atenção e, fundamentalmente, para capitalizar um suposto estado de angústias), mas notamos o peso da tristeza.

Voltei a fazer caminhadas sistemáticas, porque eu fiquei de março a julho em quarentena severa e, aos poucos, foi me dando pavor de não fazer o corpo se mexer. As academias abriram, mas, lá eu não vou. Só que parece que eu fiquei com energia acumulada mesmo: andar três quilômetros não dá para nada, para mim. Aí, tenho feito de 6 a 10km, geralmente, 3 vezes na semana. Alterno com exercícios em casa. Julgo que, se assim não fosse, eu estaria deprimida.

No período anterior, chovia mais, não dava para sair caminhando.

Como eu já declarei, nunca me faltou o que fazer durante a quarentena: reuniões, lives, TCC (tenho um para fechar domingo, que me foi entregue hoje), livros...E a casa? Excedendo o trabalho doméstico, que nunca falta, que nunca acaba e que sempre se renova, fizemos o jardim (tarefa que nunca acaba, porque implica no cultivo de bougainvilles, em pintar pneus, pallets, vasos, decoração, etc); fizemos um deck de madeira, que levou todos os meus vinténs e dentro de casa também sigo arrumando as coisas.

Junto agora todas as coisas que parecem dispersas: ao caminhar, vejo o mundo de outro jeito, como se fosse um outro lugar. Não há mídia que me faça acreditar em NOVO NORMAL. Não é normal caminhar de máscara, com a respiração reduzindo ou o ar ficando quente...E olhar as pessoas, em filas persistentes, tentando existir, tentando ser e durar...

Não volto à academia neste ano. O NORMAL não vem por decreto. Não é normal nada disso que vivemos agora. Estabelecimentos abertos e abarrotados de gente, não vão tornar as coisas normais – pelo menos para mim, ando com muita estranheza, cautela e distância e ai de quem ousar me visitar! Preciso de distância.

Estar em casa não me incomoda. Só não é normal. A praia não seria normal agora, por exemplo...

Tempo?  Não tenho, não. O fato de romper a rotina e a normalidade, não implicou em que eu tivesse tempo. Meu dia acaba logo. Meu dia não dura nada.

Achei que somente eu tinha essas angústias: vejo as pessoas agirem normalmente, naturalizarem tudo...aí vem meu amigo contar que vai ao psicólogo na terça, e um outro, a reclamar tristezas e, ao olhar, estamos aos montes, todos tristes. Vou fazer trocadilho com Claude Lévi-Strauss, na obra Tristes Trópicos, sem querer desmerecer o ensaio antropológico, mas apenas para dar um título condizente com nossa caminhada trôpega, vacilante, no terreno da tristeza.

Outro aprendizado, com velhos sentimentos em novas circunstâncias – está difícil ser normal.

 


quarta-feira, 29 de julho de 2020

Escreveu, não leu...

Tinta usada em antigos papiros contém cobre... - Antigo Egito



Não é a primeira vez que me pego afogada em trabalho desprazeroso, apenas para ajudar a um amigo que está sempre sendo explorado pelos próprios sonhos, porque ele inclui pessoas em projetos, revistas, cursos de mestrado, mil e um periódicos redundantes em tema mas, as referidas pessoas, gostam de ver seus respectivos nomes figurando nas redes de produção científica, entretanto, não cumprem prazos.
Peguei um texto horroroso para revisar. Horroroso, mal de escrita...um amontoado de pronomes relativos, intercalados a expressões científicas da moda, que precisa ser reescrito por quem o revisa (eu), pois não tem sentido algum e chega a uma conclusão óbvia. Trabalho quadruplicado para mim e não obstante o labor, o desprazer me deixa lenta, em assumida má vontade. Moeda horrível para endossar o cheque da sobrevivência acadêmica de um doutor incompetente na linguagem escrita. A gente se pergunta como foi que o ser humano citado conseguiu escrever uma tese!
Meu ex-namorado, formado em química, escrevia muito mal. Dá-se o desconto pela área de atuação, mas desconto não é isenção.
Num texto informal, de internet, a gente escreve com leveza e certo desleixo semântico.  Muitas vezes, eu sequer volto ao texto para acrescentar o que falta de termo ou letra, ou para remover o que excedeu e se repetiu...Todavia, na escrita formal, a gente anda na linha, especialmente porque deseja ser compreendido.
Uma das grandes desculpas das pessoas medíocres, desonestas, fraudulentas, preconceituosas e criminosas, quando flagradas em áudio e vídeo, é alegar que a filmagem foi tirada de contexto. Como maridos flagrados em traições, jogam o “eu posso explicar, não é nada disso que você está pensando, isso não foi bem assim”. Sabemos que são meras desculpas de quem só pede desculpa para se livrar de processos ou perdas (perda de contrato comercial, se forem artistas; perdas de mandato, se são políticos; perda de dinheiro, de prestígios, etc). Imagine no mundo da escrita, o quanto as coisas podem ser...
A propósito, manipulam muito os sentidos de declarações, de textos, de livros...E como a preguiça é cômoda, vamos repetindo o que dizem que foi dito nos livros que nunca lemos – aqueles, muito citados e pouco lidos.
Confirmo, com declarada inveja, meu despeito para os que vivem a quarentena em clima de férias, sem compromissos, sem horários, sem regras.
Tirei o domingo para ver dois filmes no Canal Brasil e senti a maior culpa pela recreação: deixei o texto maldito de lado, atrasei a leitura e a devolução...
Senti vontade de dormir como se não houvesse amanhã, de não atender ninguém por meio algum e ficar na caverna, nesse frio de 17 graus em Feira de Santana, na noite de hoje, 29 de julho de 2020. Tive esta mesma vontade ontem. Nada feito. Aliás, expressão errada, já que estou sempre fazendo coisas.
No Facebook eu não dou as caras há quase um mês.
Fiz uma conta no Instagram a fórceps, há uns 15 dias, por obrigação, a fim de acompanhar cursos e lives. Mas, lá eu pouco estive.
Odeio as lives que se multiplicam em convites chatos, intimidatórios, cheios de cobrança...
As que me interessam, perco a data e o horário.
Deus me livre de lives: já estou morta de tanto ser importunada por elas.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

O prazer do sabor

Comidas Típicas da Itália: conheça as delícias de cada região » Tua Itália  - Tudo sobre a Itália

Hoje me peguei com saudades de comer um pão funcional, que é vendido numa cidade aqui perto, chamada Conceição de Feira. Pão funcional é um pão com uma função e, por isso, ele varia sabores, conforme ingredientes – linhaça, milho, sete grãos, mel – mas, para mim, a função do pão é alimentar e ser gostoso. O citado pão é muito gostoso. E ainda tem uns que levam erva-doce (aproveitando, meu povo, esclareço: erva-doce não é funcho. Não obstante o nome científico diferente, já que erva-doce é pimpinella anisum, e este anisum é da família do anis; e funcho é foeniculum vulgare, percebo diferença no sabor e semelhança no cheiro. Acho funcho levemente salgado).
Estamos na onda da reeducação alimentar, como se fôssemos analfabetos em comer...na paranoia dos alimentos funcionais e um monte de coisa da moda, perdendo completamente o sentido da alimentação, deixando o prazer e pegando o sacrifício para ver se deixamos nossas gorduras fora da vida e não as gorduras trans transbordando das laterais das roupas.
Estamos, com o isolamento social imposto pela pandemia de COVID-19, aprendendo a cozinhar mais em casa. Isso vai fazer diferença daqui a um tempo.
Num dos recentes episódios do programa de culinária da Rita Lobo, de quem sou fã, porque ela é excelente apresentadora, doce, carismática, competente e linda, além de ter excelente didática de ensino para as receitas, um ser humano pediu: “Rita, faz umas receitas low carb!” – ou era fitness, sei lá. E ela deu uma resposta linda, falando que ela não faria isso, porque retiraria sabores. Um brigadeiro feito de coisas que não sejam leite condensado e chocolate em pó, não é um  brigadeiro. E que, portanto, para baixar as calorias e manter a originalidade dos pratos, bastava a pessoa se conter na hora de se servir. Ou seja, consuma seu chocolate, mas saiba comer pouco; consuma seus queijos e salgados, mas saiba moderar.
O problema geral é este: uma comida com sabor faz com que se coma mais; uma comida com sabor de isopor é uma obrigação para manter o corpo funcionando (ah, funcional, funcionalidades).
Há ilusões gustativas maravilhosas – eu mesma gosto de coisas feitas com casca de banana, por exemplo – mas a maioria prescinde do sabor, sem a menor necessidade, afinal, o que um tempero acrescenta, de significativo, em calorias? Então, tomate, manjericão, cebola, alho...ah, acrescentam sabor, sim.
Uma vida sem sal não me apetece. Sal doa sabor a tantas coisas!
Uma vida de aspartame, sem açúcar, Deus me livre! Chá sem açúcar? Nunca! Café sem açúcar? muito menos. Retiraria o prazer dos sabores. Mas, eu imagino que quem corta o açúcar deve ser por usar muito, porque não é possível que se use mais de duas colheres de chá de açúcar para uma xícara de 150ml de café...
Não viveria sem manteiga também. E quando vejo as paranoias com alimentos, penso que talvez o povo que conta calorias seja igual aos viciados em álcool, que põe a culpa no gelo por ter ressaca.
Já disse antes: amo gengibre. Não vejo sacrifício em tomar sucos detox de nada; e nem é para desintoxicar, mas pelo sabor. Couve, num suco, não dá sabor de nada e ainda tem muitos bons nutrientes – cálcio, dentre eles; e ferro – então, se puser beterraba, couve, gengibre, abacaxi, eu devoro sem coar e, neste caso, sem açúcar. Questão de paladar.
Reitero que nossas alergias alimentares, com certeza, são culpa da indústria.
Desde a bíblica Santa Ceia se ouve falar em pão. Decerto, a fermentação da Antiguidade era natural, mas trigo, sal e gorduras sempre alimentou à humanidade, o que não justifica o número absurdo de gente com alergia a glúten.
Leite sempre fez parte das dietas de praticamente todos os povos em todos os tempos e, se não bastasse, somos mamíferos. Somente agora o povo tem alergia à lactose. Precisa ser gênio para concluir que os modos de conservação, as embalagens, as químicas, modificaram os alimentos e fizeram com que eles se tornassem isso que temos?
E nem falei de carnes, mas é tanto acidulante, conservante, emulsificante, espessador, corante, aroma idêntico ao natural – em que pesem hormônios nos animais para forçar o crescimento e o abate e agrotóxicos em produtos agrícolas – que a consequência está aí. Com isso, a comida fica estranha.
A forma de cozinhar também entra nesta conta, mas vou ficando por aqui na análise e na crítica.
Depois que passei a fazer meu pão, como menos pão porque a saciedade é rápida. Além dos ingredientes serem altamente nutritivos. Talvez a melhor dieta seja a mais natural e artesanal possível – a vida não permite, eu sei, porque vivemos de fast-food e não de slow food – e estou louca para ter um fogão a lenha, porque adoro sabores defumados.
Horta eu já tenho e novamente falo que tomate de supermercado tem gosto de isopor; o de casa tem sabor e aroma, o que ajuda a comer certinho também, mas comer certo não é uma obrigatoriedade ‘insossa’. Espero não ter a necessidade de que alguém venha me ensinar a comer, para eu me reeducar: analfabeto alimentar é um título que eu penso não ostentar mas, ainda assim, me proponho a aprender. Nenhum conhecimento merece desprezo.

domingo, 28 de junho de 2020

Dos hábitos em meu mundo




Não fiz nada do que eu dizia que faria se tivesse tempo.
Não mudei, entretanto, minhas rotinas de cuidados: curto mais meus banhos, me arrumo, compro roupas online e produtos pessoais, cuido do cabelo e continuo sendo vigilante, porque estar em casa nunca me faria prescindir da higiene e da arrumação, porque não são coisas que faço por obrigação. Gosto do meu cabelo cheiroso e arrumado, dos lábios hidratados, do cabelo com cor definida, do corpo com disposição e, sabendo a idade que tenho, sinto muita falta da academia e não deixo de me mexer em casa, com exercícios.
A academia me faz uma falta que eu nem sei dizer o quanto.
Muito sinceramente, nesta quarentena aprendi uma coisa sobre os produtos que movem nossas vaidades: primeiro no tocante aos dermocosméticos. Vamos lá:
1) O hidratante baratinho, vendido no supermercado (seja o Nívea da latinha azul, sejam os medianos da L’óreal ou os básicos da Avon (Accolade, por exemplo), funcionam, desde que sua intenção seja obter hidratação e umectação. Então, até uma pele ressecada vai aparentar estar lubrificada e hidratada. Não se pode exigir mais do que isso.
)  2)    O dermocosmético de marca altamente qualificada (Eucerin, Vichy, La Roche, Roc, etc.) funciona muito bem, tem poder de penetração na pele acima dos demais, mas nenhum anti-idade reverte rugas ou marcas de expressão e, também, não preenche sulcos. Nenhum. Para estes casos, só procedimentos cirúrgicos mesmo (ácido hialurônico, por exemplo). Se me perguntarem se os dermocosméticos funcionam, direi que sim. Todavia, não acreditem nas embalagens: resultados só são notados com 90 dias de extrema disciplina de uso, funcionam na limitação pertinente a um creme ou sérum.
) 3)     Cosméticos medicamentosos, ou seja, ácidos em geral (vitamina C é ácido ascórbico, por exemplo; Tretinoína e outras formas – ou seja variações do ácido retinóico) funcionam a contento, sim. Fazem as manchas desaparecerem, fazem rejuvenescer, a tal ponto que a pele descama para dar lugar a outra. Aqui eu estou citando. Isto não é uma receita, mas um comentário. Portanto, dermatologistas e farmacêuticos que saibam prescrever doses, usos isolados ou combinados, se contarem com a colaboração do paciente, realmente vão entregar uma pele linda à pessoa. Mas, aí vem o de sempre: a pessoa precisa colaborar, cumprir os ritos, usar filtro solar, sair da preguiça. Ah, o tempo, sempre o tempo: antes de 45 a 60 dias, nada aparece de significativo. Os processos biológicos são lentos. E se a pessoa parar o uso nos primeiros instantes de melhora, nada feito!
4)      Massagens corporais funcionam, mas não fazem perder peso. Cremes e géis de pimenta negra, cafeína ou qualquer blend que você escolher, vai ajudar a definir sua silhueta. Quem souber fazer massagem em si mesmo (a), no abdômen, por exemplo, mantendo a disciplina, vai ver a barriga diminuir e até o trato intestinal agradecerá, pois facilita a digestão de fora para dentro, a partir do momento em que contribui para a ativação do local e da vascularização na área.
Drenagem linfática ou qualquer outra massagem bem feita ajudará a desinchar, a liberar líquidos retidos, como se fosse uma ajuda às veias. E por aqui acaba o milagre. Liberar líquidos e toxinas retidas passa a sensação de perda de peso, porque, afinal, têm peso.
O que uma massagem modeladora faz? Arruma a gordura. É como se a gente passasse a se achar mais alto não porque cresceu, mas porque reeducou a postura, arrumou a posição do corpo. Assim, as medidas perdidas são, na verdade, uma organização de tecidos. É por isso que as cintas funcionam, os espartilhos e suas variações funcionam, porque têm efeito “ortopédico”.
No lado ruim, também: quem carrega bolsas num lado do corpo, tende a ter aquele lado, principalmente o ombro, mais caídos que o outro; se você usar calcinha de lateral fina, que marca gorduras do quadril ou usar calça baixa que divida adiposidades laterais, com o tempo o seu corpo exibirá as marcas do molde.

5)      O uso tópico de medicamentos e suplementos por via oral, funcionam? Se forem suplementos isolados ou combinados com vistas ao ganho de massa muscular e queima de gordura, funcionam, levam tempo e variam conforme a pessoa. Para algumas, não altera nada. Sozinhas, sem exercícios e sem moderação na alimentação, muito menos.
6)      Falando do mesmo item, porém com foco em produtos específicos para a celulite, tratando de um que eu experimentei (Equaliv Cell Firm), funciona de forma limitada e após 90 dias de uso. As celulites não vão embora, mas são atenuadas e possivelmente não vão se multiplicar além das já existentes. O produto citado é uma combinação de vitaminas, com óleo de cártamo e óleo de uva, composição suave, sem princípios agressivos que resulte em efeitos colaterais danosos, exceto para quem tem alergia a alguma coisa da fórmula. Em mim, atenuou as celulites, ajudou a regular o ciclo menstrual e melhorou meu cabelo.
7)      Também experimente o Svelim. Adorei. Com 45 dias eliminei um quilo e meio, que era mesmo excedente. O produto é à base de café verde, cromo e óleo de cártamo. Em mim não deu insônia, ajudou na digestão e me deu mais disposição para manter a rotina de exercícios em casa. Eu uso apenas uma cápsula ao dia justamente para não emagrecer além do desejável. Como não sou apaixonada por doces, refrigerantes e frituras, não respondo quanto a controle do apetite. Então, digamos que o Svelim é um combustível e a gente, o veículo. Um ajuda a por o outro em movimento. Porém, sem movimentos, não se sai do lugar.
8)      Exercícios em casa funcionam. A dica fundamental é criar rotina – a parte mais difícil, eu sei – a intensidade deve ser compensada pela duração. Ninguém precisa se agredir, se submetendo a movimentos dolorosos ou desconfortáveis. Basta a boa execução.
Aparelhos farão falta, claro, mas a isometria dá conta de muito. Parar é pior. Minha dica pessoal: faça seus aeróbicos antes de deixar rodar o filme do exercício a ser seguido. 10 minutos com polichinelos, corda, saltos, o que você decidir; mais os 25 minutos ou mais do vídeo que você acompanhar. Use o cabo da vassoura para dar correção de postura na hora de fazer agachamentos; faça abdominais infra e veja que, depois de pouco tempo o resultado aparece.
Depois comento sobre outros aspectos, mas não posso deixar de frisar: o espaço deste blog não é de prescrição e obrigatoriedades: conto minhas experiências, minhas opiniões e tudo tem contexto. Portanto, refiro-me à minha vida. O que cada um faz da sua, não me compete. Tem profissionais da área dermatológica, da fisioterapia, da nutrição, da educação física, que podem responder profissionalmente sobre as coisas específicas.
Igualmente, aqui é um blog. Vem que quer. A internet dá outras opções, portanto, ninguém é obrigado a estar lendo o que não gosta, não é? A liberdade é linda, não desperdice a sua!

Do mundo onde habito



Eu não sei como as outras pessoas estão, porque vejo muita gente feliz, aparentando estar num mundo que não é exatamente o que eu habito.
Cada um cria suas estratégias de preservação da saúde mental e do bem-estar e nem todos têm a mesma recepção para um mesmo fenômeno, mas é muito difícil encarar uma pandemia e um péssimo momento na economia e na política brasileiras e seguir sendo feliz.
Hoje em dia, até que invento coisas, pois não falta o que fazer: limpo, lavo, planto...pouco leio e pouco escrevo. Durmo e divago.
Há dias de maior necessidade de cuidados, por impressão particular, pois o quadro externo só piora e minha cidade, agora, é a segunda do estado com casos ativos de COVID-19, a tal ponto que meus próximos já contraíram, sendo em maioria assintomáticos. Assim, faço meu próprio pão e me arvoro em outras invenções culinárias. Entro em paranoia, cogitando se meu computador voltou do técnico com vírus além dos virtuais...
Dou graças a Deus por não ser tempo e visitas pois, confessadamente, não gosto de fazer nem de receber.
Mas, gosto de sair, de viajar, das praias, dos shoppings, das festas e dos shows.
Criei, paradoxalmente, aversão e cansaço com lives e cursos online. Não consigo nem mais parabenizar amigos por suas iniciativas no show business da exibição na rede.
Acho o mundo estranho.
Precisei ir à farmácia há cerca de 15 dias. Decidi ir a pé. Era domingo. A farmácia fica a 800 metros de minha casa, mas preferi fazer o percurso em 3 km, em trilha entrecortada pelo bairro, só para poder andar. Eu só queria andar. Andei em paz, até que após dois quilômetros, encontrei dois amigos meus mascarados e nos espantamos por nos reconhecermos. Falei do que eu estava fazendo. Mais engraçado foi ele, na mesma que eu: indo ao supermercado a pé, o que dá uns 3km também... e essas eram nossas aventuras.
Hoje falei tristemente sobre o réveillon. Não irei a lugar algum. A normalidade não pode vir por um decreto de governo. Somente quando eu me sentir segura, porei os pés na rua, na praia, na festa...
Los Hermanos cantavam: “Sair de casa já é se aventurar” e hoje mais ainda.


quarta-feira, 27 de maio de 2020

Espelhos do caos



Um dia, após uma pessoa amada e querida ter sido induzida a acreditar numa fofoca construída em meu prejuízo e, finalmente, me perdoar pelo que eu não disse, aprendi com ela, que afirmou: “Mara, eu amo a minha filha e a gente briga. Pessoas que se amam, brigam!” e ali eu entendi que amores de qualquer espécie não são linha retas, que amor tem crise; que a gente pode cometer hipocrisia sem ser hipócrita, assim como pode cometer burrices sem ser burro: é evento, contexto, ocasião. O que determinaria ser isto ou aquilo seria a frequência e a predominância.
Nunca consegui perdoar a mulher, colega de trabalho, que semeou o veneno gratuitamente, apenas para ver secar o fruto de uma amizade também dividida com ela. Não perdoo, não esqueço, mas não tenho nenhum interesse em ver tal pessoa mal. Juro: as sementes do ódio não fazem ramos em meu coração.
Dos poucos e eventuais sentimentos maus que tenho, todos são atrelados a motivos concretos e se resumem a revoltas por injustiças sofridas. Odiar alguém que nunca me fez mal ou armar maldades para quem nunca me fez nada, jamais. Acho isso criminoso.
Puxei o assunto porque o momento em que vivemos é de puro ódio. Estive vendo umas distorções sobre a liberdade individual e o direito de ir e vir, neste país que se não sabe o que é democracia, jamais poderia saber o que é ditadura; assim como não sabe o que é comunismo e muito menos capitalismo, apesar de viver nele.
Qualquer juízo simplório sabe: você tem a liberdade individual, por exemplo, de não querer tomar vacinas. Ora, se você não quer, não comparece, a escolha é sua, o problema é seu.
Contudo, se a vacina se torna obrigatória por lei, você não perde seu direito individual: simplesmente, são postos na balança o seu direito de não querer tomar vacina versus o direito de uma maioria de não se contaminar por sua causa.
E, neste caso, dir-se-á, quem garante que você necessariamente está doente? E quem garante que não está ou não estará? Assim, o direito individual cede espaço ao direito da maioria, como aquela máxima expressa em para-choques de caminhão, que assinala: “seu direito termina onde começa o direito do outro”. E assim é para viver em sociedade (em clubes, condomínios, templos, bancos, escolas, instituições e até em família).
Uns doidos distorcem isso. Em uns casos, é ignorância; em outros, mau caráter mesmo.
Onde essas coisas todas até aqui tratadas se casam? Na ideia idiota de que uns amam o Brasil e outros torcem contra. Como se torcida determinasse resultado de jogo!
Talvez digam isso para desviar a responsabilidade de quem realmente determina os rumos da partida. Eu considero todo e qualquer governo presidencial como um técnico de futebol, em gestão passageira. Cada mandato, um campeonato.
Mas, cá estamos, perdendo de lavada e vendendo loucuras. Tudo é aprendizado e sei que um dia aprenderemos.
O Rio de Janeiro não aprendeu ainda. Eternos maus governadores, todos com o pé na cela. O Brasil todo é frágil, vota mal mesmo, mas o Rio é um caso escandaloso em que já se vão quatro, cinco ou seis governadores que firmam ficha na polícia. Não acho que a corrupção seja um problema de políticos corruptos. Quem os coloca lá? Por que sempre voltam? Aí, de novo, a população precisa fazer conta para constatar que a elite não forma nem dez por cento da demografia nacional; que a classe média, se muito for, dará uns vinte e cinco por cento...dirão, também dos supostos poderes destas classes sobre os pobres...nunca acreditei nisso. Dificilmente um pobre sabe que é pobre, porque a consciência de classe se turva, seja pelas religiões, seja pelo poder de consumo, o que faz com que os que se julgam ‘ricos pela graça de Deus’ não se reconheçam como pobres; assim como qualquer outro brasileiro que tenha uns poucos bens ignore sua condição econômica, o que se prolonga aos que não detém meios de produção, mas ganham salários bons – e salários bons segundo o padrão brasileiro é muito questionável.
Análises sociológicas dão pouca massa para esse bolo.
Sei é que o povo não se vê agraciado pelo distanciamento social, por exemplo, e viaja na ideologia do patronato,
Também crio minhas aporias: se as pessoas não estão em confinamento domiciliar, cujos baixos índices são alardeados no país inteiro e se estas pessoas reclamam do fechamento do comércio, para onde elas vão, se está tudo fechado? E se não está fechado, porque reclamam do fechamento?
Coisas do Brasil, meu país perdidinho.
Vamos ver daqui a dois anos e meio, que escolha tirânica faremos para a presidência. Depois da quarentena instalada, o que tenho aprendido é a esperar.
Prognósticos nós não temos, porque não dá para saber sobre o que até os especialistas no ramo desconhecem. Sei, porém, que está sendo muito difícil o período atual e que a vida não voltará a ser a mesma.
Na bola de cristal das ilusões de meu coração, em setembro haverá um bom sol de primavera, com o país acordando em rotina adaptada à pandemia...ainda tristes, iremos retomar a vida ou o que sobrar dela.
Nunca imaginei um 2020 tão pesado. Nunca imaginei que assistiria a uma pandemia e à barbárie da extrema da política, nem o esboço revelador de que a política é a face direita do povo, espelho em ângulo parcial.