Louquética

Incontinência verbal

sábado, 13 de julho de 2013

Sob um leve desespero



Eu não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
É importante, todos me dizem
Mas nada me acontece como eu queria

Estou perdido, sei que estou
Cego para assuntos banais
Problemas do cotidiano
Eu já não sei como resolver.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui...

Então é outra noite num bar ,
Um copo atrás do outro .
Procuro trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro?

Eu não consigo mais me concentrar ,
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar ,
Já estou vendo TV como companhia.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui

Talvez se você entendesse
O que está acontecendo
Poderia me explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Eu só queria me divertir

As paredes me impedem
Eu já estou vendo TV como companhia

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui



(Uma das trilhas sonoras mais compartilhadas no sofá da minha casa...E lá no sofá, é o confessionário: confesso que adoro o carinho dele em fazer café para mim).


Das coisas mais bobas que afligem a alma




Estou com uma bruta angústia: é que ontem ele me falou que tudo indicava que eu o amava. Tudo bem que quem ama é o último a saber, mas meu problema não era esse, mas, sim, a conjectura toda dele, os elementos que o fizeram se sentir amado. Como dizer na cara de uma pessoa que julga que é amada que a verdade não é bem essa?
Lógico que estou vidrada na relação da gente porque faz eras que eu não tinha um ficante ou namorado com quem eu pudesse conversar. Homens não falam. Ele fala. E para reforçar, até as coisas extra-convencionais que eu gosto, ele gosta também, embora eu não soubesse disso até ontem.
Claro que nos últimos dez anos não houve um só homem em minha vida que ficasse comigo ali no sofá, só ouvindo Smiths, The Cure, Radiohead, Beatles e Capital Inicial, e compartilhando coisas, segredos, opiniões... Ou no silêncio gostoso do abraço cúmplice. Creio que isso é recíproco. Ele também me disse que sabia que uns e outros iriam tentar jogar o joio da inveja sobre ele, para pulverizar o que a gente tinha juntos, porque...nem preciso dizer por que.
Tenho um imenso medo. Já declarei que detesto eternidade, coisas infinitas, coisas para sempre, tanto quanto odeio superficialidades e efemeridades da moda. Pois é! E me dá um bruta aperto no coração, uma angústia, porque eu não decidi nada, eu não ofereci terra firme e embora o pacto declarado é de que como ficantes nós ficamos com quem a gente bem quiser, desde que mantido o respeito e a lealdade, ele afirmou que sabia que eu não ficaria com mais ninguém porque no momento estou bem com ele.
Aí, hoje estou aqui, em casa.
Fiquei com medo de sair e ir exatamente para o lugar que eu sei que Rodrigo vai e se há algo para o que não estou preparada é para um confronto deste tipo, é para tornar pública a relação. Já pensou? Dar de cara com Rodrigo, estando em outra companhia?
Gosto da sinceridade dele a tal ponto que confessei minhas mentiras e lavamos os poucos pratos sujos em favor da clareza. Isso eu nunca tive com homem algum, reconhecidamente.
Só sei dizer que sinto angústia, uma tristeza que se justifica também porque começar algumas coisas é terminar outras. Talvez esteja doendo ver sepultado o corpo do antigo relacionamento – mesmo quando estava em estado terminal, a gente ressuscita, a gente não desliga os aparelhos, a gente nem se desliga...
Tenho, hoje, muitos motivos objetivos para estar feliz, mas não estou (eu, que sou feliz com pouco, que nunca fiz grandes exigências a Deus). Entendo muito dolorosamente o que disse Saint-Exupéry: “Tu te tornas responsável pelo que cativas”. Acho que é muito peso essa responsabilidade.

domingo, 7 de julho de 2013

Não há remédio...


Eu estava conversando com um farmacêutico justamente sobre a medicamentalização da vida, sobre os antidepressivos e sobre essas balelas sobre serotonina, lítio, baixa de substâncias no corpo e outros elementos que se dizem determinantes na tristeza e na reposição da euforia. Perguntei porque a TPM me deixa vulnerável, porque o ciclo menstrual influencia meu humor, meu desespero, minha alegria, minha libido e quis saber da similitude dos processo.
Ele me esclareceu o óbvio mais oculto dessa história: em processos de depressão, luto, pânico e etc., os medicamentos são para trazer estabilidade. Só isso. E esta estabilidade deve servir para que a pessoa consiga sobreviver e ir resolvendo o que causou, o que detonou, o que determinou seu processo depressivo.
O que ocorre é a preguiça e a acomodação: como o remédio permite sobreviver, a pessoa esquece que deve atravessar a onda de problemas. Enquanto ela não reagir, nada muda e apenas se sobrevive.
Não é fácil olhar nos olhos dilatados de um amigo que vive de fluoxetina, Rivotril e Risperidona. Mas nos falta paciência com quem não reage.
Paralisar de medo, de pavor, de tristeza, de perplexidade, é coisa que pode acometer qualquer um; e somos sensíveis a isso. Mas o problema é o tempo em que a pessoa se detém num mesmo patamar. Nada muda!
Quando fico sem conseguir dormir, na noite prévia da chegada do ciclo, enlouqueço, fico em agonia, cansada, enraivada. Entendo os hormônios determinando meu humor e meu bem-estar...Não sou de me entupir de remédios, mas recorro ao óleo de prímula, a um chá, mantenho o controle e apesar disso sei que estou vulnerável às vicissitudes do corpo.
Não me conformo com as pessoas que vivem a vida com preguiça, que empurram os problemas para o futuro ou para os outros, que reclamam de ciclos depressivos e só responsabilizam terceiros por isso, sem dar nenhuma contribuição para a própria melhora.
A vida não tem remédio. Não tem jeito: todo mundo tem angústia, todo mundo tem tristeza, todo mundo tem lutos, todo mundo tem perdas... E o lado bom da vida, aquele que nos dá amores, alegrias, excitações, realizações, surpresas e empolgações, existe também, mas não é proporcional. Tudo são ondas. Precisa-se saber nadar.

sábado, 6 de julho de 2013

O outro lado da cama


Gente, já relatei aqui que, em 2007, quando eu estava indo para Aracaju para dar aulas, acompanhei a conversa de dois peões em que um dizia para o outro: "O que segura mulher é madeira boa!". Está certo que pode não ter sido a maneira mais elegante de dizer que homem sexualmente competente realmente deixa as mulheres apegadas, mas desde então eu nunca neguei a veracidade e a coerência da afirmação do sujeito.
Hoje descobri que BCN não é mais um banco que oferece empréstimo consignado para funcionário público enforcado, nem é Banco Central Nacional, mas uma sigla antiga para o cara Bom Na Cama.
E blablablás à parte, fiquei das 20 às 21h30min conversando ao telefone com uma amiga que estava exatamente confessando que o ficante-peguete que ela descolou nestes dias não tem nada de muito atraente, mas é muito competente na horizontal.
Acho que a mulheres estão de saco cheia de sujeitinhos ensimesmados, de malabaristas e dos desajeitados que não sabem a hora e o modo de encaixar comentários, palavrões, propostas ou posições. Estes são uns fiascos. Pior que eles, somente aqueles idiotas que se acham os tais e não se tocam de que a imagem que fazem de si mesmo é totalmente oposta à que as mulheres têm deles.
Bom, venceu o peão. E venceu quem investiu em títulos ativos do BNC. A gente pensa duas vezes antes de largar um homem que dá prazer - cafajeste faz sucesso não é à toa: eles geralmente entendem muito de mulheres...
Minha amiga disse ( e cá para nós em momentos de pensamento sujos, eu também já disse): "Se homem não tivesse pênis, eu nem dava bom dia!". Mais surpreendente é a assunção da importância do tamanho do tal para o bom andamento da relação. Mas, fica a dica: como mulheres a gente desvia, fala do quanto é importante o cara ser cavalheiro (lógico que sim); que gostamos da simpatia, da educação, da sedução e etc., mas nos sobra pouca coragem para explicitar que gostamos de homens higiênicos, dos que gostam de sabonete, desodorante, perfume, que têm unhas limpas e depilam as partes que se deve depilar. Pode faltar coragem para dizer, mas gostamos.
Aproveitando meu dia de coragem, vou contar uma coisa, dar meu testemunho de fé: nesta semana, após um dia cansativo de trabalho, resolvi passar na Farmácia São paulo, à procura de novidades. fazia um tempo que eu queria descobrir se a camisinha Blowtex Skin correspondia à propaganda: "Sensação de usar nada".
Comprei a peso de ouro o preservativo, que custa o dobro das comuns.
"Mas na hora da cama, nada pintou direito!", como diria o Caetano Veloso. E conforme a música, a camisinha não era proveito, mas pura fama. Santa porcaria, Batman!
Apenas não contém látex. Só isso. Mas é um bagulho grosso, pior que plástico, que deixa a região a que se destina tipo um cabo de vassoura - se para a mulher a sensação é esta, imagine para o dono do 'cajado'?
As melhores ainda são as do tipo Sensations, aquelas, que têm uma textura tipo bolinhas.
Bom, ando amarrada pelos mesmos motivos que a minha amiga. "Quando bate, fica!", seja ou não seja amor. Isso é apego sexual, um deslumbramento pela boa parceria e para mim, que já não tenho idade para estar semeando hipocrisia, só me resta admitir que a qualidade da madeira determina a durabilidade dos móveis, a satisfação da patroa e a valorização do empreendimento.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Olha o amor passando!


Tem umas criaturas que dizem e realmente acreditam que o amor não faz mal a ninguém. Ora, depende de quem seja o objeto amoroso. Amar uma pessoa ruim ou ter um amor não-correspondido já é, por demais, fonte de sofrimento que desmente a afirmação popular.
Minha amiga se desvencilhou de um amor ruim. Foi desvencilhamento mediante término de sentimentos, lógico, porque enquanto se ama, suporta-se os piores defeitos, suporta-se o insuportável e até posso dizer de minhas amigas aquilo que já disseram de mim: como é possível que a pessoa possa amar uma criatura daquelas? E 'criatura daquelas' abarca todo o rol monstrengos que aparecem na vida das minhas amigas e na minha: homem feio, sem formação cultural, com baixa escolaridade, sexualmente incompetente, arrogante, cafajeste, desrespeitoso, sustentado pela mãe, que mora com os pais, sem perspectivas profissionais, drogados, ensimesmados, egoístas, indecisos, covardes, viciados em qualquer coisa, aproveitadores e, para incluir também meus amigos gays nesta história, os dois adjetivos que mais acompanham os namorados de meus amigos: interesseiros e traiçoeiros.
Por tais perfis, penso como minha amiga recém-liberta das amarras afetivas: o amor realmente enfeitiça, porque depois que passa é que a gente percebe que esteve fora de si, dopado, anestesiado...
Recentemente vi meu ex e a manicure gorda que é atual namorada dele. Juro que me deu pena! Poxa, a gente se conhece há tanto tempo e por mais que haja desejo de vingança e dores-de-cotovelo, eu tenho pena por ele ter feito tão mal escolha, independentemente do quadro geral da moça, porque se ela é feia, gorda e cheia de filhos, significa que o amor dele por ela suplnatou todas estas coisas. Mas entendi ainda mais porque ele tem vergonha de mim. Tenho vergonha de ter amado um sujeito daquele. E isso me deixa estupefata: como é que eu pude amara aquele homem? E depois que passa o amor, parece que a gente constata que não estava intelectualmente capaz. Se eu amar de novo, vou pedir que alguém solicite minha interdição porque sei que estarei inapta para responder por mim, incapaz, privada de minhas faculdades mentais. E esta loucura  a gente só vê depois que os efeitos passam. Eu, que não bebo, queria saber se os bêbados percebem que estão bêbados... As pessoas, quando amam, não percebem que estão burras e cegas. Acho que é por isso que após o relacionamentos, quando temrinam, odeiam o par: é que dá raiva, né?
Eu tenho é raiva de mim, pelo tempo que ue perdi, pelo amor que eu desperdicei com umas figuras que são lamentáveis... Minha amiga A., estava aqui, dizendo o mesmo.
Mas falei do meu passado. Já passou. Nunca mais amei ninguém, mas estou feliz com o ficante, tenho tardes boas com ele, estar juntos ajuda meu bem-estar e eu não quero complicações nem amarras.
Amor, depois que passa, deixa uma ressaca!

terça-feira, 2 de julho de 2013

As melhores frases da temporada e outras balelas


"Seja sempre mais forte do que as suas desculpas". Não é que aprendi o proverbiozinho com maestria? não é que cobro das pessoas exatamente isso? Acrescentaria: nunca desafie a impaciência dos outros. E tanto blablablá porque andei chutando o balde de outro relacionamento complicadinho.
Meu ficante único, aliás, ficou enraivecido porque nosso amigo em comum falou e eu fui aquiescente: ela é sua peguete. Êpa, peguete não é periguete! Quem disse que ele gostou? ficou com raiva, contra-argumentou e achou o termo insuficente, um modismo agressivo e chulo...
E eu fiquei feliz porque acho que ele achou o termo inadequado para descrever nosso rolo - e rolo eu digo aqui, porque para ele é algo mais. E vai que ele implica com a palavra? Mas, cá entre nós, ele me liga no telefone fixo e diz: "Patroa!'. Como eu odeio isso!
Patroa é termo para esposa. Deus me livre! Para a vida ser boa, tenho que ter outros adjetivos, não esses.
Coisas de casal eu nunca aprendi direito, talvez porque eu odeie o tatibitate, o "Mô", o "Amor", os tchutchuquinhos e outras babações e chatices afins. Lógico que eu me derreto por quem eu amo - ora, faz tempo que eu não amo! - mas detesto as criancices melosas.
Gente, faz tempo que eu não amo! É, o interesse, as coisas, o sono mal dormido, os chiliques da paixão, as ansiedades...Ih, já vai longe!
Hoje é feriado de Independência da Bahia, daí que me sobrou este tempinho para escrever apesar dos bolos de papel da universidade que me esperam ao lado do computador. Adoro minha independência e qualquer feriado só me lembr aminha liberdade de ir e vir e fazer o que eu quiser e o dinheiro permitir. Quando eu iria trocar isso por uma falsa segurança de relações aparentemente estáveis?Nunca. Se o preço é a estabilidade explícita, lá vou eu: se todo mundo precisa de um esteio em que se apoiar, não serei eu a me apoiar em um papel (certidão de namorada, de casamento, de qualquer coisa): material fraco, a meu ver.

domingo, 30 de junho de 2013

Assim falou... (Zygmunt Bauman)


“Não importa o que você aprendeu sobre amor e amar, sua sabedoria só pode vir, tal como o Messias de Kafka, um dia depois de sua chegada.
Enquanto vive, o amor paira à beira do malogro. Dissolve seu passado à medida que prossegue. Não deixa trincheiras onde possa buscar abrigo em caso de emergência. E não sabe o que está pela frente e o que o futuro pode trazer. Nunca terá confiança suficiente para  dispersar as nuvens e abafar a ansiedade. O amor é uma hipoteca baseada num futuro incerto e inescrutável.
O amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento. Faz sentido pensar na diferença entre amor e morte como na que existe entre atração e repulsa. Pensando bem, contudo, não se pode ter tanta certeza disso. As promessas do amor são, via de regra, menos ambíguas do que suas dádivas. Assim, a tentação de apaixonar-se é grande e poderosa, mas também o é a atração de escapar. E o fascínio da procura de uma rosa sem espinhos nunca está muito longe, e é sempre difícil de resistir.”
(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004, p.23)