Louquética

Incontinência verbal

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O que me é imposto


Não sou sovina, mesquinha, mão-de-vaca, pão duro...Mas tenho uma especial má vontade em pagar impostos.
Imposto eu pago por ser algo imposto, goela abaixo, forçado mesmo. E olha que meu IPTU tem anos atrasado e que eu, abertamente, defendo que CONTRABANDO não é crime. Explico novamente: as mercadorias que tentam entrar ilegalmente no país não foram roubadas. A gente, consumidor, comprador, negociante, paga por elas. O que ocorre é que no exterior se compra produto de todo tipo muito mais barato do que no Brasil. Ao trazermos uma mercadoria, entretanto, o governo acha que devemos pagar uma taxa porque fomos lá fora comprar o que aqui é mais caro. Esse é o crime.
Desta forma, quando compro perfumes e cosméticos no exterior, a alfândega do Paraná pega minha caixinha de produtos e cobra 60% do valor que eu paguei e, para tanto, lê a minha nota fiscal. Pago, ainda, uma taxa de importação, no valor de R$ 15,00.
Entendo que há leis de mercado que visam proteger o comércio interior. Mas entender não é concordar.
Acho horrível o nome CONTRABANDO, acho terrível a criminalização e todo o resto.
Não obstante, a História do Brasil é a história da tributação: Quinto; Derrama e etc.
Hoje estou especialmente triste: paguei praticamente mil reais de IPVA. Como doeu. Dói dar mil reais ao excelentíssimo senhor Governador do Estado da Bahia. O carro é meu. Para o DETRAN não levar aquilo que já é meu, eu tenho que anualmente pagar a esse povo.
Meu carro, um carro humilde como eu...Estava com atraso do imposto do ano passado. O deste ano ainda não venceu, mas fui obrigada a pagar os dois. Fico infeliz e desesperada.
Porém, vos digo: antes assim a ter que estar com o coração em sobressaltos porque tem Blitz da Polícia ou eventos correlatos. Não dever a ninguém ajuda a tranquilizar o coração. Todavia, maldigo o destino de meus centavos, nessas mãos inúteis, corruptas e populistas que me obrigam a pagar pedágio e gasolina cara.
Hoje agradeci muito a Deus por dirigir. É uma independência boa. Parece uma pequena vitória, mas é grande e não é fácil.
Gasta-se muito e as preocupações não são poucas – manutenção, combustível, limpeza, etc. – mas no Cômputo final vale a pena.
Táxis roubam demais...ônibus demoram demais...Há urgências e necessidades que um carro abrevia. Mas se eu pudesse, não pagaria impostos.
Pior já sofri, tendo que levar o carro para vistorias anuais, tendo que comprar extintores de incêndio absurdos, que depois foram dispensados...Burocracias, filas e complicações em profusão...Mas pelo menos aqui na Bahia cortaram essa da vistoria (um ônus feito mesmo para a arrecadação).

Bem, paguei meu óbolo...Sigamos!

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Cada um na sua e a vida continua...


Olha eu em casa, num sábado à noite! Falta de vontade de sair, poucas companhias disponíveis e atrações muito limitadas são os fatores responsáveis por isso. Não é que eu esteja me guardando para o carnaval, mas é que gosto de evento alegre, em que eu possa dançar...Hoje não há nenhum.
Por muitas vezes penso sobre as razões de eu gostar dessa cidade ingrata. Sei lá. Sempre converso sobre isso com os meus amigos: Por que será que prefiro Xique-Xique ao Rio de Janeiro? Isso não é em termos comparativos, não. Seria um disparate sem precedentes comparar uma e outra cidade, mas é o aspecto afetivo, sabe? Gostar da cidade, de estar na cidade...
Porto Alegre eu gosto, apesar da pouca hospitalidade; Conheci Barreiras recentemente e, igualmente gostei; Jacobina, também...
Nunca consegui gostar de Aracaju. Do interior de Sergipe, sim...Mas desde que eu era aluna de graduação e fui a um encontro de estudantes de meu curso em Aracaju, a cidade era a capital da solidão...Em 2007 fui morar lá: experiência dolorosa em termos de afeto.
Gosto de Salvador, mas no convívio limitado.
São Paulo, minha cidade natal, minha cidade cinzenta, eu amo...Também gosto de Campinas; adoro o Recôncavo baiano todo e já percorri boa parte do Brasil, até  Amapá está inscrito no meu mapa...
Deve ser igual aos afetos que desenvolvemos pelas pessoas: acontecem de ser como são, de simpatias, antipatias e paixões...Há quem não entenda, há quem sem ofenda; há quem queira me obrigar a gostar do que não gosto...Ainda bem que existe a educação e a polidez, para evitar conflitos bobos e desnecessários.
Tanto para cidade quanto para pessoas, nunca gastei meu tempo sendo injusta, atribuindo defeitos onde não há, deturpando, desdenhando...Já disse: respeito aos meus inimigos e respeito o que está fora dos meus afetos. reservo-me, porém, o direito a não gostar, a quebrar a unanimidade. Não o faço para ser do contra: é o afeto sincero.
Em minha sinceridade, vivo declarando: não bebo álcool porque não gosto de álcool; não gosto de comida gordurosa, nem de carne mal passada; não assisto ao BigBrother nem vejo filmes de super-heróis; não gosto de televisão ligada enquanto converso; não gosto que ninguém entre no banheiro enquanto nele eu estiver; não faço as perguntas que não quero que me façam; não quero ser mãe e não acredito em (meu) casamento; também não acho que o capitalismo será superado; não namoraria um homem careca; não suporto cigarro nem cheiro de maconha; não gosto de pagode nem de música sertaneja, não sou pela ortorexia, nem pelas paranoias alimentares...As pessoas, porém, buscam intersecções de gosto...Esses são os meus. Parte deles. Muitos eu talvez não declarasse na frente dos outros, porque os olhares coercitivos já são previamente esperados. Sei, por isso mesmo, que há muitas pessoas fingindo que gostam do que detestam ( e vice-versa), para fugir de conflitos. De fato, nem tudo precisa ser dito...Já disse. E o mundo é formado pela diversidade ( de gosto, de opinião, de pensamento, de postura...).
O que resta dizer? Praticar a calma ante o incômodo dos que não compartilham do mesmo gosto que a gente. E aos que pensam como eu, digo: "Mantenha a calma e faça reiki" - ou não faça nada, ou faça o que você quiser. Porém, não deixe de fazer uma investigação interior a fim de descobrir por que uma opinião discordante pode ser tão relevante para você.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Coração na mão, mente nas alturas


Pode parecer o clichê, mais clichê do planeta, mas é válido apesar disso: antes de querer dominar o mundo é necessário dominar a si mesmo. O povo classifica isso como inteligência emocional. Eu não acho que haja emoção burra. Uma coisa é se sentir idiota por amar gente idiota ou, simplesmente tomar atitudes idiotas. Emoções tendem a ser autênticas, instintivas. Controlar uma emoção é segurar um choro, conter a vontade de soltar aquele palavrão ou soltar aquela merecida frase mal educada a quem merece...
Particularmente, eu me controlo, mas tenho vontade de largar sinceros e sonoros foda-se na cara de muita gente.
Há um dias, por exemplo, tive vontade de dar uma patada sublime no poeta com quem me enrosco há mais de um ano...Mas me contive.
Entretanto, nem sempre isso é possível.
Vou conviver com gente inimiga em breve, de novo. Não procuro birras, mas não tenho o conforto da relação cordial. Já disse: se a pessoa me feriu uma vez, se me traiu, foi falsa, me agrediu sem razão alguma para isso, nunca mais eu darei a segunda chance disso acontecer novamente. Só um deslize de um amigo muito amigo - e olhe lá! - me faria abrir uma exceção.
Mas se eu tiver que sentar na mesma mesa, sentarei. Respeitosamente. Respeito meus inimigos.
Bem, no tocante à suposta inteligência emocional, também já experimentei a revolta contra quem não correspondeu ao meu amor. Tenho ego. Pisaram nele. Mas isso não durou muito. Acho que não devemos ser punitivos com quem não nos ama. Que responsabilidade a pessoa amada tem sobre o que o outro constrói dentro de si? Acho, todavia, que tratar o amante rechaçado com educação e deferência faz parte do processo.
O que vejo nos relacionamento desfeitos é justamente esse descontrole.
Gente, a proposta é clara: se a pessoa não quer você, não ama você, deixe a pessoa em paz.
Minha amiga veio se queixar da dor-de-cotovelo porque um ex-affair apareceu de status 'num relacionamento serio' com outra moça. Ora, ela não quis nada com ele. Se não quer, deixe o outro em paz...
E um cara, dos tempos da juventude dela, que foi rejeitado outrora, agora que ela se interessou por ele, veio jogar-lhe à cara 'a lei do retorno', que antes ela desprezava e que agora era a vez dele e outros fazerem isso.
Este aí guardou a mágoa. Porém, reconheço: minha amiga está desesperada por homem.
Num dado sentido, entendo. Mas sou daquelas que acha que está difícil um relacionamento real e saudável. E você estar com um homem cuja fidelidade dependa do quanto você o vigia, ah, é pior que estar sozinha. E estes são maioria.
Ainda na trilha das emoções racionalizadas, há um rebanho de homem temendo que, ao terminarem, as mulheres, chorem, apelem, gritem, escandalizem para mantê-los. Eu sei que um coração cheio de amor costuma se magoar por qualquer ameaça de perda, mas daí a achar que toda mulher é despreparada emocionalmente, é outro caso.
Ainda me surpreendo por ter deixado de amar Vini. E isso faz muito tempo. Pelo significado dele para mim, claro que eu também pensei que nunca passaria. Passou. A gente chora, sonha volta atrás, porque a realidade das emoções é essa, é isso...Não somos de lata.
Fico indignada quando vjeo gente inconformada com o término dos relacionamentos. Ora, acontece. Para que forçar a barra e seguir com quem assumidamente não quer nossa companhia? Essa aceitação, essa assunção de que o outro não tem que fingir o que não sente, não tem que sacrificar seu bem-estar para ficar conosco, isso é o que mais próximo chega a ser uma organização racionalizada das emoções.
Não choro na frente dos outros porque não gosto que se intrometam ou me façam perguntas. Mas se eu tiver que choras, choro. Não somente as emoções densas, mas mesmo as alegrias, os risos, tudo isso é vigiado, quando deveria ser espontâneo
Conhecer as próprias reações é fundamental para equacionar a balança dos desequilíbrios emocionais. Se não, toma-se um chá, pensa-se na vida, mede-se o fardo ou a altura do tombo; lamenta-se, desabafa-se e a vida segue.





sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Os tesouros das mudanças


Ah, os seres humanos são criaturas muto complicadas.
A gente arrasta o relacionamento que não mais quer e as amizades de que quer se livrar; a gente se prende ao emprego que não mais satisfaz e cala respostas que gostaria de dar, tudo por medo ou por comodismo.
Viver requer coragem.
Coragem é artigo de luxo, porque cobra responsabilidades.
Também tem todo tipo de maluco nessa vida.
Tem os malucos das dietas, que pregam ortorexias absurdas, dieta do Paleolítico, como se estivéssemos imunes à História e às mudanças gerais sobre os alimentos; vida sem açúcar, sem café, sem pão, sem gordura, sem carne, sem ovos, sem glúten, sem leite, sem sal...Dieta do "Não pode"...E esse povo louco que vive de Coca-Cola diet, light, com lasanha... Haja restrição, meu Deus!
Tem os malucos por filhos e os malucos por casamento; tem os malucos por religião e os malucos por sexo...Tem maluco para não acabar mais nesse planeta. "De perto, ninguém é normal"...De longe, a Terra é um hospício. Não estou nem aí: sou maluca, louca, louquética  - e sei meu diagnóstico, devidamente assumido.
É, minha gente, aos malucos por dinheiro, um breve conselho: aprendam com as propagandas. Quando elas dizem 'por apenas 1,99 ao dia' compre nossos produtos, ela está mostrando que quem consegue poupar esses 1,99 ao dia, em um mês terá quase 60 reais para poupar. E dinheiro chama dinheiro. Vá por mim: faça seu possível, guarde, no minimo, 10 reais por semana. Guarde para esquecer que tem. Lembre-se que isso nem é dinheiro, não vale nada. E depois de três meses, já será um dinheirinho bobo. E dez meses depois, olha seu dinheiro ganhando corpo?
É assim. Construa seus tesouros.
E falando em corpo, faça 15 minutos de caminhada três vezes na semana. Depois de três meses, faça 30 minutos. Não vai mudar grande coisa, você notará pouca diferença, mas haverá uma diferença...E se for entrar de vez numa academia e levar a sério sua melhora, sempre espere três meses. É o curto-prazo dos primeiros resultados.
Essa brincadeira toda é apenas para dizer que se a vida não tem receita, não precisamos fazer as coisas sempre da mesma forma: vale experimentar e mudar.
Estou divagando um pouquinho porque a vida andou pegando pesado comigo. Sem dramas nem tragédias, mas coisas a decidir. Atitudes novas que se impuseram. Ess muss ein, como se diz!" Tem que ser assim".
Decidi.
Às vezes, a boa decisão é experimental. A gente tenta, a gente aposta, mas é importante tentar...Sem tentar, não há como saber o resultado.
Se como está, não está bom, é preciso mudar as coisas de lugar, mudar o lugar das ideias, mudar as ideias, mudar de lugar...Mudar.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Velhos problemas do Ano Novo



Não tenho mensagens para o ano novo que, aliás, poderiam se resumir a apenas duas: livre-se do que não lhe agrada e busque conquistar o que lhe faz falta. Mas esses binarismos pouco se sustentam, pois,  bem disse Caetano Veloso, "...a vida é real e de viés", costurada em muitos ângulos e descosida em muitas direções - quando não, rota e desfiada, no Prêt-a-porter da existência que, no meu caso, me fez desfilar de saia justa.
Nessa temporada, desconfio que minha amiga não sabe ser feliz ou teme assumir a felicidade e arcar com a inveja e a crítica...Pode até ser que seja meramente porque o sucesso em uma área não atrai o sucesso em todas - estou falando de Tatiana, lógico.
Ela não está errada: a vida tem muitos compartimentos mesmo.
Todo santo dia me deparo com essa indagação entre trabalho, distância, dinheiro e meu amor pelo poeta. Como eu queria ser como os outros, que cortam laços e desatam nós como se nunca tivessem se amarrado a nada ou a ninguém. Se tem significado real para mim, não me desligo assim.
Continuo pensando o mesmo sobre as mesmas coisas... Mas esse tempo que a gente conta, para contabilizar a passagem das coisas, nós aproveitamos muito mal.
Um dia o tempo nos diz que ainda é cedo; no outro, nos diz que já estamos velhos..,Vamos passando, encolhendo nossa existência.
Excepcionalmente, acho que neste réveillon não irei à Praia do Forte nem a Guarajuba: culpa do tempo, nos dois sentido, pois que minhas companhias trabalham na segunda-feira ; quanto o prognóstico é de chuva. E desde 1998 eu não passo um Ano Novo em casa ou perto de casa. A esta altura, não planejamos nada de alternativo, salvo um possível jantar e festa temática do Anos 80. E não sou do improviso.
Olha que me deixei contagiar pelo discurso de todos, até do meu pai, dizendo que na praia iria faltar água, que teríamos engarrafamentos para ir e para voltar, num trânsito perigoso, com tudo com preços nas alturas, com pedágio caro e filas para tudo. Sim, como costumo dizer: todo mundo, ao mesmo tempo, no mesmo lugar, para fazer a mesma coisa, só pode dar em filas.
Pensei nessas agonias.
Pesadelos até para estacionar o carro na praia; ou para entrar na Aldeia dos pescadores e na cidade, após às 18 horas, porque o carro fica na frente da guarita e todos caminhamos 3 quilômetros, até na volta, sob sono...E , depois, as disputas na areia, na praia escura, com um bando de doidos gritando e jogando champanhe e cerveja para cima, batizando minhas vestes brancas e novas...para, então, voltarmos e dormimos...E acordarmos cedo porque o último idiota chegou fazendo zoada ou outro idiota acordou cedo para ir à praia. Aliás, no réveillon o número de idiotas à solta cresce vertiginosamente, na ordem de até 35% - talvez eu não queira engrossar a estatística.
Tudo está fechado e a praia está suja, cheia de oferendas e garrafas e há entulhos de vestígios da alegria alcoólica do povo na areia.
Fome: sair para ir tomar café em Guarajuba. Fila. Comida que acaba cedo. Café frio. Sol. Todo um script que talvez os infortúnios que antevemos possam me libertar nesse ano.
Não vou lamentar a viagem que não farei: vou fazer diferente.
Réveillon bom é aquele em que posso dançar. Por tal constatação, desejo que em 2017 o ritmo da minha vida seja bem alegre...Chega de ritmo lento.
Happy new year!


sábado, 17 de dezembro de 2016

Corpo inteiro


A moça da mercearia, uma jovem de menos de 20 anos, perguntou se eu ainda estava indo à academia. Respondi-lhe que, sim, que não podemos parar. Ela concordou. Vi que por dois motivos: porque me admira e faz cálculos entre minha provável idade e o estado de meu corpo; e porque ela própria adivinha a tendência genética a repetir o padrão corporal da mãe dela, que apesar de ativa é obesa.
Também sinto preguiça. Também a mim o sofá é cômodo. Mas é a velha história: quando a gente vê os resultados no espelho; e na opinião geral das pessoas, esse outro espelho que pode ser positivo e estimulante, não há como preferir a preguiça ao prazer.
Não sou dessas que desistem de um prazer, por conta de preguiça.
A gente envelhece e o metabolismo fica preguiçoso, também, Talvez seja cansado, metabolismo cansado...
Quando comecei meus treinos com um novo treinador na mesma academia, há cerca de um ano e meio, eu olhava as mulheres mais velhas que eu, fazendo exercícios no legpress com 150 quilos. Acho que, então, eu fazia 110. Pensava que nunca chegaria aos 140, sequer...Hoje, são 160 quilos. E de braços, sempre magros mas fortes, puxo pesos que superam o das moças mais preparadas. Mas isso não se faz por disputa: meu treinador é profissionalíssimo e gradativo nos pesos. Porém, nunca me subestimou.
Conselho meu: nunca, de modo algum, faça musculação ou ginástica em horário de congestionamento de gente, horário de pico.
Como eu digo, também: vá à academia sem celular e, de preferência, sem amigas, para não se desviar e se perder em conversas que degastam seu ar, sua atenção e podem esperar 80 minutos para acontecer.
A alimentação não precisa mudar: pode ser a mesma, com porções menores para quem quer emagrecer. Não adianta querer viver de coisas que não apetecem e achar que qualquer cardápio é tentação. Isso é ilusão pura. Assim como certos aparelhos são ilusões. Já disse: aliar musculação com massagens, criolipólise, drenagem, aquele gel redutor simples, mas que refresca, que pode ser baratinho mesmo, isso, sim, dá resultado. Sozinhos, cada um desses recursos podem pouco e duram menos ainda. Não há milagres: é esforço mesmo.
Caminhada sozinha, nada feito. Corrida, tudo bem, ajuda muito, em tudo. Só não vai delinear, nem tornear, mas adianta.
Reitero: não tenho corpo de madrinha de bateria de Escola de Samba, mas sou muito feliz com o corpo que tenho. E a musculação faz a diferença na forma do corpo.
Meu gosto alimentar realmente comporta sucos de beterraba, cenoura, limão, couve, acrescidos de gengibre e hortelã, portanto não é sacrifício consumir isso, em meu caso.
Para a minha sorte, odeio me sentir parada e procuro o que fazer, sempre. Mesmo que seja apenas dançar.
Quando eu for trabalhar bem longe, ano que vem, vou sentir falta de minha academia.
Estou com o coração miudinho, minúsculo, por causa disso, por mais que futuramente eu venha a ter rios de dinheiro para pagar uma boa academia lá longe onde eu for estar.
Meu poeta não sabe disso. Não sabe nada disso. Nem eu quero que saiba que eu vou para longe, por tempo indeterminado...A menos que algo mude, que coisa melhor aconteça...A esta altura da relação não-assumida reciprocamente da gente, não sei como será a vida, como será não estar disponível para os abraços, para o sexo bom, para as conversas cúmplices, para aquela pele branca que eu gosto de alisar, para os abraços bobos, para os medos dele, que às vezes escapam e o deixam inseguro sobre o fato de eu ter percebido.
Cuido do corpo antes de conhecê-lo...Ele também é desses, fitness.
Acho que o corpo dele me faz amar mais ao meu, quando perto do dele.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Presente!


Hoje eu dei alguns abraços em pessoas desconhecidas, por recomendação do palestrante do Centro Espírita (kardecista) que frequento. Estranho, isso. Não que não seja bom, nem que não seja necessário: há os mais efusivos, os frios, os tímidos, os chocados...Quisera eu que a espontaneidade prevalecesse. Acho que o aperto de mão, sincero, abrevia os desconfortos.
Falei disso porque fujo de visitas e de participar de amigo secreto, coisa que se multiplica nessa época do ano.
Odeio almoços e encontros de confraternização, seja com quem for: acho artificial, esquisito, recurso impessoal travestido de bom momento de fraternidade e amizade. Nunca fui dessas coisas de dar beijos no rosto do inimigo e cumprimentar desafetos. Por mim, troco de calçada. Entretanto, eu jamais seria indelicada a ponto de não responder a um cumprimento, a um aperto de mão, apesar de que quanto mais eu tenha respeitado e gostado de uma pessoa, menos eu tenha condições de perdoar e reatar uma relação com ela. Até meu amigo mais puro em termos de coração, JN, é assim.
O tempo foi me corrompendo. A maturidade também: observem bem que, conforme ouvi de um depoente do AA (eu não bebo álcool, mas fui acompanhar um dependente, para incentivá-lo a se tratar), há coisas que a gente não faz a um inimigo e que, todavia, faz a um ente próximo ou a um amigo. Então, se alguém gosta da gente, nos tem amor de amigo e ofendemos essa pessoa seja por palavras, injúrias, descaso, negligência, nossa ofensa será sempre maior, porque somos amigos.
Aos inimigos, toda ofensa seria compreensível, já que há ali um desamor.
Assim sendo, quem é nosso amigo se ofende e se fere se a gente faz algo cujo prejuízo será nosso. Não gosto de que meus amigos maltratem a si mesmos com vícios, maus hábitos, tendências ruins, escolhas irresponsáveis – e posso dizer que, respeitando as escolhas particulares, se eu pudesse, faria minhas amigas se casarem com gente melhor do que as atuais companhias; faria minhas amigas lerem e serem mais dadas aos livros do que ao Facebook; eu varreria o discurso derrotista fantasiado de superioridade daquelas que dizem que não querem cursar mestrado e doutorado (sabemos que isso é medo de perder, é preguiça de estudar e medo de passar e medo de passar e não conseguir escrever); eu diria para irem à academia e serem mais fortes que a preguiça e certamente ouviria coisa parecida delas para mim - claro que não no tocante ao doutorado, pois já tenho; nem à academia, que já frequento...
Eu deveria ter ouvido meus amigos em várias circunstâncias em que sucumbi a certos relacionamentos ruins que eu tive; assim como deveria ter feito muitas coisas que abreviassem meus sofrimentos, mas não fiz.
Falei dessas coisas todas também observando o quanto não temos atitudes gratuitas: esperamos que alguém nos peça, para então darmos (do abraço ao presente; do conselho à ajuda financeira àquele que está em dificuldade, porque mesmo quem ganha mil reais, pode tirar 50 e dar a um amigo gratuitamente, para que ele não se sinta constrangido em pedir, nem humilhado em aceitar; do chocolate à caixinha de chá, passando por aquelas músicas que você sabe que ele gosta e que pode baixar e dar em arquivo...No meu modo de ver, todo mundo pode, de alguma forma, presentear). Podemos dar a dica do concurso ao desempregado e dar o estímulo para que estude; podemos indicar caminhos e alegrar o outro, ou simplesmente ouvir...Ou simplesmente calar.
Já falei desta minha amiga e vou repetir: Conceição recebia minhas dores, quando eu caía. Quase sempre ela me dizia: “Você já sabe que fez o errado. Agora vamos ver o que fazer para resolver”. Isso era na adolescência. Ela não me dava lição de moral: via que eu já tinha a lição. Como amiga, oferecia o reparo. Presente lindo.

Mesmo de longe, presenteie com coisas silenciosas, sem exibições ou ostentações com orações, mensagens,  dicas ou um convite para dançar. Não somos tão pobres. Sempre que nossa vergonha ou timidez inibe o encontro ou a ação, cabe pensar porque nosso receio é maior do que a vontade. Desta resposta vira uma avaliação do quanto o outro importa para nós.