Louquética

Incontinência verbal

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Entre o retorno de Saturno e o seu


Dizem dos anéis de Saturno... e eu, com medo de alianças!
Fico vesga diante da arbitrariedade da vida: quase nem temos escolha e as escolhas que fazemos não são percebidas como tal. As principais, atribuímos ao coração. Pois, bem, Psicanálise, eu sei que escolhemos e jogamos a culpa no coração.
Também dizem que o retorno de Saturno nos atinge na casa dos 30 anos. Pois, Saturno me pegou.
Adoro o Detonautas e a música O Retorno de Saturno

Visão do espaço estamos tão distantes
se acelero os passos sigo a voz do meu coração.
Ontem eu fui dormir mais tarde um pouco.
E tudo vai indo bem...
Venço o cansaço e o medo do futuro.
No teu abraço é que encontro a cura do mal
Hoje eu acordei te quis por perto.
E você não sai do meu pensamento
E eu me questiono aqui se isso é normal.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.
Entre o retorno de Saturno e o seu,
Busco uma resposta que acalme o meu coração
Do amanhã não sei o que posso esperar.
E você não sai do meu pensamento
E eu me questiono aqui se isso é normal.
Você não sai do meu pensamento
E eu me pergunto aqui, se o natural
Vai dizer que o amor chegou no final.
Não precisa ser de novo assim tudo igual.

Foi num show dos Detonautas que eu fechei um ciclo, mas , por medo do destino, agi como uma idiota, só para variar...e desperdicei uma grande chance.
Isso foi em 2006, em Outubro, mais ou menos...pouco depois de conhecer Thales e um pouco antes de envolver com Marcelo. Ali, não vi a conjunção astral que me presdipunha ao quadro posterior das paixões.
Hoje me preocupo tanto com esses assuntos, como se fosse a pauta número um da minha vida - E talvez seja mesmo - que nem parece que eu sou aquela pessoa ponderada e responsável que vive estudando, que faz uma pesquisa séria no doutorado, que se preocupa com coisas maiores que esse circular movimento de rodar em torno do meu umbigo atacado pela paixão...olha só, é um tema só o tempo todo. O tempo todo!
Que angústia séria que me faz andar círculos. Ui!!! estou com medo!
Entre o retorno de Saturno e o dele, tudo me coopta.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rosas nos jardins da vida


Acabei de ganhar uma rosa.
Sim, ganhei, não é ficção: eu estava aqui, escrevendo, no quarto de minha amiga, já que estou em outra cidade, e ele me deu uma rosa.
Linda!
Rosa roubada, espólio da formatura de UNOPAR a que eles foram.
Não agradeci à altura porque fui pega de surpresa, toda largada, de óculos, de roupa de ginástica que uso aqui para fugir do frio...ele, um amigo de minha amiga. Não poderia ser mais apropriado este mimo!
A rosa mudou minha noite.
Pensei no Narciso de linhas atrás e lembrei que agora o Príncipe Thales me causa uma ferida narcísica. Fere minha vaidade com a dele, não é Maria Bethânia: "Se alguém me diz/ que ele pode me ferir/ com sua vaidade/ eu prefeiro nem saber/ não acredito..."
Mas eu ganhei muito.
Por causa dele, fiz um exame que eu deveria ter feito há dois meses e tomei providências que vão ao encontro dos meus desejos, isto é, dei meus passos na direção dele, de forma indireta.
Por causa dele, cuidei melhor de mim.
Gostaria de eternizar o momento em que estivemos juntos. Gostaria de ter aproveitado bem mais.
Isso eu odeio em mim: faço umas burrices!!!eu poderia ter feito tudo diferente, poderia ter vivido mais intensamente o momento, poderia ter dado os passos apropriados, mas me deixei agarrar pela covardia. Bem, agora dou os passos possíveis. Melhor do que me sentir parada.
Sim, a rosa: vermelha, linda, repousa ao lado do computador.
Lembrei que ele e eu estávamos de camisas vermelhas quando ficamos juntos. O vermelho da rosa, a tonalidade da paixão...como posso me deixar envolver assim...ah, rosa!!! para minha sorte, ela não tem espinhos.

O rosto de Narciso


Ai, como sou fraca! me esbandalho em angústias, na preocupação com o Príncipe, se ele virá, se ele não se importa comigo, se ele se arrependeu, se ele se decepcionou...estou surpresa.
Há pouco tempo eu me vi perplexa diante dos apertos que Dexter me dava em relação à nossa relação, de modo que pensar numa união do tipo marital era atroz para mim. Não, não quero!Depois de Thales entendi que é ele que eu quero. Ele é o meu escolhido - quisera eu que a escolha fosse recíproca.Eu não me casaria com ninguém nessa vida. Nunca! Mas quando me vi com o Príncipe todas as minhas certezas, meu nunca, meu sempre, tudo foi questionado. A porta da paixão me imprensou.Não me apaixonei por ele ao longo dos nosso três anos de contato. Mas, verdade seja dita, sempre estive disponível.Não, são "sou dessas mulheres que só dizem sim", mas sempre desejei estar com ele porque a beleza me corrompe. E quando ela está aliada ao cavalheirismo, à educação, à delicadeza, ao carinho...ah, eu me sinto uma partícula de pó, eu me sinto um nada.Conversei sobre isso com Leonardo, meu amigo. Então ele me fez ir à estante e pegar Sol negro: depressão e melancolia, de Julia Kristeva.Larguei este livro logo que compus o capítulo da dissertação de mestrado que tinha a ver com a temática. Por isso o sucateei. Então, revi as partes indicadas por Leonardo:

"Para aqueles a quem a melancolia devasta, escrever sobre ela só teria sentido se o escrito viesse da melancolia. Tento lhes falar de um abismo de tristeza, dor incomunicável que às vezes absorve, em geral de forma duradoura, até nos fazer perder o gosto por qualquer palavra, por qualquer ato, o próprio gosto pela vida. Esse desespero não é só uma aversão, que pressuporia capacidades de desejar e de criar, de forma negativa, claro, existentes em mim. Na depressão, o absurdo de minha existência, se ela está prestes a se desequilibrar, não é trágico: ele me aparece evidente, resplandecente e inelutável"

Kristeva ilustrará seus argumentos através de recorrências à Literatura - o spleen já fazia festa em Baudelaire, sabemos, mas ela estuda A Dor (Marguerite Duras) e escritos de Dostoievski como confabulações deste mesmo mistério teorizado sob a melancolia, a perda, a depressão.E aí eu segui lendo, ou melhor, relendo e me encontrando naquelas palavras de Kristeva que não hesito em novamente reproduzir:

"O golpe que acabo de sofrer, essa derrota sentimental ou profissional, essa dificuldade ou esse luto que afetam minhas relações com os meus próximos são em geral o gatilho, facilmente localizável do meu desespero. Uma traição, uma doença fatal, um acidente ou uma desvantagem que, de forma brusca me arrancam dessa categoria que me pareceria normal, das pessoas normais, ou que se abatem com o mesmo efeito radical sobre um ser querido, ou, ainda...quem sabe? A lista interminável das desgraças que nos oprimem todos os dias é infinita...Tudo isto, bruscamente, me dá uma outra vida. Uma vida impossível de ser vivida, carregada de aflições cotidianas, de lágrimas contidas ou derramadas, de desespero sem partilha, às vezes abrasador, às vezes incolor e vazio."

Esta é a primeira página de Sol negro, de Kristeva. Assim mesmo: carregada de identificações para mim.
Não sou, de todo, infeliz, mas por hora experimento um certo desamparo.Ninno, a quem eu confiava a partilha de segredos e de coisas cotidianas, foi morar com uma mulher. Eu me senti só.Meu maior amigo, apaixonado, já nem se lembra de mim e é de uma negligência assustadora. Resumidamente, perdi os referenciais de esteio, de ancoradouro de minha vida.É, o senhor Caetano Veloso diz que "Um Porto Alegre é bem mais que um Seguro", mas extrapolando os trocadilhos com as cidades brasileiras, eu prefiro um porto seguro. Entendo agora quando Dexter me cobrou segurança.Estou numa fase de extremo Retorno de Saturno: meu contrato com a universidade está vencendo em 5 meses; pedi exoneração de meu outro emprego público, não tenho namorados nem relacionamentos que excedam a fugacidade e esporadicidade dos encontros incertos...e estou cansada.Olha, meu irmão, estou TÃO cansada da estrada de Aracaju e da estrada de Xique-Xique! Estou tão cansada de estudar e trabalhar e jamais ter um sábado para namoros, festas ou ócio puro...mas estou tão cansada que beiro o desequilíbrio.Deixei Aracaju há algum tempo, mas quando cito estas cidades é porque são nelas que encontro as possibilidades de emprego.
Aí retomo dona Julia Kristeva:

"Falar de depressão nos conduzirá para a região pantanosa do mito narcísico. Desta vez, entretanto, não veremos ali a esplendorosa e frágil idealização amorosa, mas, pelo contrário, a sombra lançada sobre o ego frágil, mas dissociado do outro, precisamente pela perda desse outro necessário. Sombra do desespero" (p. 13)

Ela diz que a depressão é o rosto escondido de Narciso.
Ok, não sou falsa nem vítima: não tenho depressão clínica, mas tenho bons surtos depressivos.
Para Kristeva a melancolia é o revestimento sombrio da paixão amorosa. E eu desenho uma paixão por Thales.
O abismo da paixão eu não quero. Eu tenho medo.
Estou longe de querer trocar um angústia por outra. Não quero nada disso.
O caso é que o Príncipe entrou com tudo nos meus pensamentos. Penso nele muito. Penso com saudades, com ansiedade, com insegurança...a angústia de um dia ter tido ele comigo e o medo de que nunca mais repita essa experiência. Tão boa, tão ímpar.
Ele, narciso. Eu, Eco.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O príncipe


Eis um título que nos remete a Maquiavel. Sim, o príncipe de Maquiavel é a encarnação da estratégia política, é o ensaio e o germe intelectual do estilo carismático e populista, esvaziado na popularização da idéia de se questionar ser melhor ao príncipe ser amado ou ser temido.
Meu príncipe é outro - sendo esse mesmo, porque ele foi maquiavélico ao estar comigo, ele foi carismático, ele tomou o poder, ele se apoderou de mim e dos meus pensamentos nestas quase 24 horas após o nosso encontro e nas 36 horas que o antecederam.
Quando eu conheci Thales foi numa situação traumática de um assalto de que fomos vítimas, juntamente com uns poucos passageiros que ocupavam aquele ônibus que me conduziria de volta à cidade onde moro.
Solidariedade recíproca na tragédia, trocamos números de telefone. De cara, achei ele lindo...e inacessível, impossível e etc. Mas a continuidade do contato mostrou o contrário. E o contato se estabeleceu desde agosto de 2006, se desdobrando em flertes, fantasias alimentadas, eventuais encontros em situações banais e troca de e-mails.
Ontem, finalmente, a gente ficou juntos.
Poxa, ele é um príncipe.
Cavalheiro, educado, solidário, lindo, interessante...ele tem olhos verde-claros, 1,90, cabelos lisos e lindo, parece Hugh Grant.
Nunca imaginei nada disso no contato real. Sendo lindo, julguei que ele fosse convencido, egoísta e ensimesmado.
Por ser rico, imaginei que ele fosse um boyzinho metido e oco. Enfim, transformei em possibilidades de decepção, ou melhor, transformei em defeitos imaginários todas as qualidades dele. Talvez eu esperasse a confirmação do estereótipo.
Então ele também me disse que as mulheres bonitas com as quais ele já esteve eram insuportáveis, "pessoas que se importavam mais com os próprios cabelos do que com a honradez de ter assunto que rendesse conversas". Pontuou muito bem o que me fez interessante para ele.
Diante de tudo isso, confirmando que ele era um príncipe, fui me sentindo pequena, me sentindo pouca para compartilhar a companhia de uma pessoa tão dotada de coisas boas.
Ainda me sinto assim.
Gostaria que ele me ligasse após uns quatro dias, para alimentar as neuroses da espera, claro...e queria ficar com ele infinitamente, até que os reais defeitos dele destruíssem nossa relação.
Se não bastassem os qualitativos diretos, ele beija muito bem; ele é intenso no sexo e parece que tinha o mapa do meu corpo porque sabiamente percorreu meus labirintos. Foi tão ímpar que eu me senti em dívida, me senti incapaz de dar a ele o prazer que ele me deu...e ele foi extremamente educado e cavalheiro. Meu príncipe! bem, pronome possessivo que eu adoraria poder utilizar sem restrições.
O amor é cruel, é igual às representações literárias de amor que Clarice Lispector compôs - talvez em A menor mulher do mundo, esse duvidoso amor que quer o outro para si seja mais enunciado.
Quero ele para mim.
Não tenho nenhuma estratégia ou ferramenta para isso: o príncipe tem, por isso vence as batalhas e os opositores.
Mas o príncipe é também alvo de disputa - as donzelas esperam por ele, as malvadas, se enlaçam em seu pescoço, as bruxas armam situações, as madrastas o cooptam... e são muitos os obstáculos até chegar ao beijo que desperta e ao "felizes para sempre". Quem me dera, meu Deus!!!
Penso naqueles olhos, naquela boca, naquele rosto, na forma como me acariciou a todo tempo, num carinho que eu não sabia que ele me daria e que temo, gato assustado, não ter correspondido à altura.
Coincidentemente, ele me deixou em casa exatamente à meia-noite. Agora, a carruagem virou abóbora e eu me sinto a maior borralheira da história da humanidade... se existisse fada-madrinha eu imploraria a ela qualquer modo para que este sonho nunca acabasse.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A melhor resposta


Para aqueles que ainda não entenderam minha vida amorosa, minhas confusões, meus ex-namorados, minhas indecisões, a melhor resposta é Terezinha, de Chico Buarque:

O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração

Ah, que deleite!

Cinderela in the city


Algumas histórias reais nem parecem reais...vou contar uma delas hoje.
Eu havia ido a Campinas, participar de um congresso de leitura e apresentar uma comunicação.
Diga-se de passagem que eu nunca havia estado em Campinas. Se não me surpreendi com o frio, maior espanto eu senti ao ver tantos garotos de programa nas esquinas.
Tórax lindos, atléticos e branquinhos: do jeito que eu gosto, em oferta aos transeuntes. O mercado do sexo em minha cidade é invariavelmente marcado por travestis e prostitutas, sendo a presença masculina no sentido heterossexual do termo inexpressiva - na verdade, nunca vi.
Então, ao contrário da repulsa, me causou encantamento.
Olha só, num mundo masculino um instante em que vi a venda de prazer direcionada às mulheres (não dá para dizer se exclusivamente para as mulheres, mas o importante é que era pelo menos também para nós).
Não achei feio, achei encantador. Quantas Ave-Marias devo rezar? Como vou me redimir moralmente disso?
Não pensei nos contextos dele, não fiz volteios sociológicos nem investigações mentais sobre causas e consequências. Achei que o menino enfeitava a rua: Todos os prazeres, nenhum pecado. Preço, a combinar.
Mas, sim, isso foi na minha primeira noite por lá.
Quarta-feira seria minha apresentação, no Instituto de Economia da UNICAMP. Em termos práticos, longe para caralho!
Minha educação cartográfica e meu senso de orientação são proporcionais ao meu raciocínio matemático, isto é, algo entre a casa de 0 e de -1...
Aí, ao me notar perdida, encontrei um educado estudante nissei que me conduziu ao longínquo lugar certo.
Pessoa simpaticíssima, encetou um flerte comigo a que eu não rejeitei, mas não alimentei. Ficamos na postura gentil e polida.
A comunicação foi numa sala bem aparelhada e tão fria quanto a platéia formada apenas pelos próprios apresentadores das cinco sessões de comunicação agendadas para aquele horário.
Meu Deus! Pensei no quanto ralei para escrever meu texto.
Pensei no quanto li para produzir algo respeitável e submeti ao crivo extremamente fatal de uma professora do doutorado. No final das contas, não só aturei os lugares-comuns das vazias comunicações que se seguiram à minha, como saí com uma sensação chata de que aquilo tudo não valia a pena.
Então, tentei achar a labiríntica saída pois eu tinha que encontrar o meu amigo João às 15h30min.
Lá fui eu, sem pensar em absolutamente nada. Nem acreditei nisso. às vezes eu paro, ao acordar, e fico umas duas horas na cama só pensando. Literalmente, paro para pensar! Experimentei ali, o vazio.
Passei por um descampado onde havia umas pessoas sentadas. Nem prestei atenção nelas.
Ao dobrar na direção de onde eu pressupunha (erroneamente) que era a saída, veio um rapaz correndo atrás de mim e se jogou em minha frente, apressando-se em me pedir uma informação.
A informação que ele queria era referente ao fato de eu usar salto alto e andar com naturalidade...ora, tenho um namoradinho fetichista e percebi logo o fetiche de meu interceptor. Não fui rude, respondi ao questionário dele e, quando a conversa apertou, fiquei vermelha de vergonha ao perceber o flerte.
Mais educado foi ele ao me dizer: "Eu gostaria que nós tivéssemos um amigo em comum para me apresentar a você, mas não tenho. Então, corri até aqui para te conhecer"...
Ele adora saltos altos.
Explicou que o sapato, sozinho, nada significa - e, no caso, eu dava sentido àquilo que eu calçava. Era, assim, o conjunto: sapato, eu, meu andar, minha postura; que singularizavam o fetiche dele. Aí ele se tornou, para mim, Felipe. E fez-se o homem.
Daí para frente a gente se conheceu como se conhecessem as pessoas que se relacionam há pelo menos dois anos. Nas poucas horas (se é que excedeu mesmo uma hora) em que a gente conversou, andou, deu as mãos, tudo foi falado. E nada aconteceu.
Ou eu sou muito idiota ou não estou numa fase má e, por isso, achei tudo lindo!
Adoro homem que tem iniciativa.
Fugi dele depois, nem sei por que...talvez aquele medo que nos protege das coisas perigosas, talvez outros medos maiores, mas "A vida só se dá para que se deu/para quem amou/ para quem chorou/ para quem sofreu". Tenho meu direito ao encantamento e, principalmente, adoro os homens!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Era um garoto que, como eu, amava os Beatles!


Ontem ele me surpreendeu: quando a gente se encontrou, estava tocando uma música dos Beatles. Já nem sei qual era, mas comentei saudosa do quanto gostava daquele Cd, daquela música (a seu tempo, não era um CD, mas não vivi tanto a ponto de alcançar um LP dos Beatles...já os conheci em compact disc)...Aí ele me disse: é seu CD, quer dizer, é aquele que você me deu.
Ai, meu coração!
Li, naquele instante, uma linda declaração de amor. Declaração do amor não declarado.
Ele guardou o CD.
Eu comentei que achava que o CD nem mais existisse!
Não por descuido dele, mas porque depois que a gente terminou o namoro, nos idos do ano 2000, ele comentou que a outra namorada dele, minha sucessora, quebrou o bendito por ciúmes. Não comentei isso na hora, me aproveitei da falha de memória dele...Ninguém quebrou nada, pelo jeito. Era só ele querendo "causar", se mostrar disputado, despertar meus ciúmes.
O jogo cansativo seguiu, naquele ensaio de amor não assumido.
Mas, é tão bom estar com ele.
Hoje o namoro é muito melhor do que foi há nove anos atrás.
Mas nem consegui dormir, de medo: medo do que ele prenunciava, daquele cercame que ele me fez com uns assuntos difíceis de casamento...sempre na tangente, comendo o mingau pelas bordas do prato.
Quando estou com ele, queria ficar eternamente com ele.
Gostaria de ser escolhida. É empolgante! Mas, meu Deus, não quero casar com ninguém.
Mas, se ele não casar comigo, casará com qualquer outra e nunca mais eu terei o que temos agora.
Se eu casar com ele...ai, nem quero pensar! Meu Deus, como as pessoas casam?
E aquele papo de aliança me amedronta - que coisa mais esquisita, usar a coleira no dedo anular...ai, que repulsivo!
Graças a Deus ele nunca lerá este blog, que ele nem sabe que existe.
Mas tem a nossa idade, tem as cobranças sociais que pesam na cabeça dele...tem os fatores favoráveis como o fato de ele ser bonito, de eu ser independente, dos pais dele serem pessoas excelentes com as quais eu me relaciono bem, tem a sintonia sexual da gente, tem a amizade e o companheirismo entre nós e essa cumplicidade... mas tem os meus medos e as minhas convicções....tem esse meu pavor de ter filhos - como privá-lo disso? como me submeter a isso? se eu tivesse um filho, morreria, cometeria suicídio: não dou conta da minha existência, oxalá de outra!
A maternidade é, para mim, atroz; violência psíquica a que não me disponho...ah, meu Deus, o que eu faço para a gente continuar namorando? não quero casar!
Agora, o CD dos Beatles daí da imagem é do mesmo que eu dei a ele. E era assim: Jal, minha melhor amiga (aquela mesma que teve psicose pós-parto) me deu o tal CD no mesmo dia em que eu comprei o CD 1 dos Beatles para dar a ele, presente de natal.
Ela deduziu que a gente costuma querer ganhar exatamente aquilo que a gente dá. Aí acertou em cheio! e esta dedicatória que ela fez para mim será sempre um intenso prazer, um inesquecível presente, pois personifica meu CD e nossa amizade.
Ele me encontrou ontem em Salvador e fomos, bobinhos, tomar um café gelado no Shopping Salvador...depois brincamos com chantilly e fomos procurar nossa privacidade lá na Paralela...
Quando eu estou com ele, só penso nele - adoro perceber que ele me faz me concentrar.
Adoro ver que ele gosta de me agradar, que, assim como eu, viaja para tornar possível estarmos juntos: "love, love me do/ you know, I love you", como cantam os Beatles.
Ah, se ele soubesse o quanto eu gosto daqueles abraços...e como eu gosto de, sonsa, roubar beijos dele. Não gosto que ele me dê beijos: gosto de roubá-los!
Gosto das nossas criancices juntos!
Mas, parece que eu não sei dar a tal da segurança a ele.
Dar segurança e ter paciência: duas ações para as quais Deus não me preparou.