Louquética

Incontinência verbal

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Da força da grana que ergue e destrói coisas belas"


Você pode escolher a sua relação com o dinheiro - ser mercenário, ser econômico, ser generoso, ser materialista, ser hipócrita, ser dono do dinheiro, fazer do dinheiro o seu dono, mas, cá entre nós, sugerir que todo rico é má pessoa e que as pessoas ricas comentem mais suicídios é, no mínimo, culpar a janela pela paisagem.
Já debatemos isso: geralmente, num país de gente rica, as pessoas já obtiveram suas conquistas materiais. Daí, às vezes projetam suas vidas na conquista de outros valores e de outras demandas, das coisas que não estão à venda - e pode ser um amor, subjetividades emocionais e existenciais e coisas afins.
Se dinheiro não traz felicidade, também ele não pode ser o responsável pela infelicidade de ninguém.
Acredito que quem faz boas escolhas na sua relação com o dinheiro, certamente usa o dinheiro para a sua satisfação e para a sua felicidade - podendo compartilhar, de várias formas, destes outros ganhos com quem bem queira.
Eu observo na sociedade soteropolitana que as pessoas verdadeiramente ricas, os grandes empresários da música, por exemplo, e alguns artistas nacionalmente conhecidos, não têm ostensividade com a sua riqueza.
A gente vê nossa amiguinha e nosso amiguinho que, com sua renda mediana, comprou sua peça H. Stern ou sua BMW, em estimadas 48 ou 60 parcelas, desfilando suas posses por aí. Entretanto, nunca vi festival de guarda-costa, nem divulgação das posses, de forma ostensiva, nem de um Bel do Chiclete, nem de jogadores do futebol baiano, nem de Ivete Sangalo, nem dos grandes proprietários de estabelecimentos super lucrativos em Salvador.
São Paulo concentra renda e tem gente rica, verdadeiramente rica, daquelas pessoas que mal têm idéia do inventários de seus próprios bens, que compram sem pensar em números e que, em face de um desejo, preparam o cheque ou preparam o jatinho e mandam trazer o que desejam, e que, no entanto, não escandalizam para ostentar riqueza. E quem, por ventura faz isso, logo é apontado como emergente.
Mas a gente vai ao Rio de Janeiro e a política dos ricos é totalmente outra: quando eu vi que era Nicole Kidman quem estava de garota-propaganda para um novo shopping no Rio, meu queixo caiu: estava clara a conversa estabelecida com os ricos.
Não me assustou a grandiosidade da propaganda, em trazer uma estrela internacional para divulgar o novo shopping, mas aquela diferença estupenda que os ricos do Rio têm: uma assunção ostensiva da riqueza.
A mesma receita já havia sido usada no eixo Rio-São Paulo, com Kate Moss e Sarah Jessica Parker, para o Shopping Cidade Jardins, ao que me parece, mas, nada que possa repetir a produção nababesca desta última empreitada.
Até naquela já nem tão grandiosa Confeitaria Colombo você vê uns remanescentes de ricos, com aqueles cabelos azul-grisalho e certa pose...Anda-se mais um pouco - aliás, pobre nem anda lá nessas outras avendidas e bairros, e aí você dá de cara com uns ricos mais exibidos pelos outros bairros, ou simplesmente na Vieira Souto, em visão panorâmica.
Há uns dias atrás eu estava em Campinas, andando perto do Parque, e pela primeira vez na vida eu vi uma Ferrari, verdadeira, original, vermelhinha, fofa. Caramba, além do carro ser lindo, aquele, sim, pode se gabar de ir de 0 a 100km em menos de 0,3 segundos.
Olha que eu mal entendo de carros, mas posso afirmar que o bendito é lindo! deslumbrante!ah, se meu dinheiro desse!
Aí penso nos monstruosos seres que apenas ganham dinheiro e não conseguem usar o que ganham para serem mais felizes.
Para que porcaria querem ter dinheiro?
Se eu tivesse uma boa grana, é claro que eu usaria meu dinheiro para minha satisfação pessoal, fosse lá com o que fosse. E nem sou compradora compulsiva, mas, se eu estivesse triste, usaria meu dinheiro em possibilidades de diluir minha tristeza - Conforme fosse a causa da tristeza, compraria remédios, iria a bons médicos, presentearia um amigo ou a mim mesma, faria uma viagem, iria a algum lugar divertido, enfim, usaria o dinheiro para me fazer feliz.
E se não houvesse nada que o dinheiro pudesse fazer por mim, certamente eu iria ver o que ele poderia fazer por alguém que eu amo.
Que eu não sei poupar, é óbvio: caso contrário eu não entraria em caixas, nem faria capitalizações, mas eu nunca fui e nunca seria mesquinha com dinheiro, mão-de-vaca.
Ter uma vida desregrada não me interessa, porque como bons neuróticos temos que pensar no amanhã e nas surpresas que a vida reserva, nas necessidades, urgências e emergências...mas, excetuando-se estas coisas, para quê ganhar dinheiro se na hora de satisfazer um desejo qualquer a pessoa pondera demais ou declina do que deseja porque prefere entocar a grana? nem faz sentido se você não tiver um plano para a sua grana.
Há duas situação em que Zeca Baleiro mais expressa as aporias do dinheiro: uma é no Vapor Barato, quando diz "Eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus!", que eu tomo para mim, porque eu quero o que me basta e se um dia vier algo a mais, aposto que saberei o que fazer; outra é quando ele canta Babylon:

Baby!
I'm so alone
Vamos pra Babylon!
Viver a pão-de-ló
E Möet Chandon
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...
Gozar!
Sem se preocupar com amanhã
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...
Comprar o que houver
Au revoir ralé

Finesse s'il vous plait
Mon dieu je t'aime glamour
Manhattan by night
Passear de iate
Nos mares do pacífico sul...
Baby!
I'm alive like
A Rolling Stone
Vamos pra Babylon
Vida é um souvenir
Made in Hong Kong
Vamos pra Babylon!
Vamos pra Babylon!...
Vem ser feliz
Ao lado deste bon vivant
Vamos pra Babylon
Baby! Baby! Babylon!...
De tudo provar
Champanhe, caviar
Scotch, escargot, Ray-Ban
Bye, bye miserê
Kaya now to me
O céu seja aqui
Minha religião é o prazer...
Não tenho dinheiro
Pra pagar a minha yoga
Não tenho dinheiro
Pra bancar a minha droga
Eu não tenho renda
Pra descolar a merenda
Cansei de ser duro
Vou botar minh'alma à venda...
Eu não tenho grana
Pra sair com o meu broto
Eu não compro roupa
Por isso que eu ando roto
Nada vem de graça
Nem o pão, nem a cachaça
Quero ser o caçador
Ando cansado de ser caça...
Ai, morena! Viver é bom
Esquece as penas
Vem morar comigo
Em Babylon...

E aconteceu de Zeca Baleiro e eu pertencemos à mesma religião, para encurtar a conversa.
Não é à toa que as pessoas apostam nas loterias, nos jogos, nos Bigbrothers, em tudo quanto há de possibilidade de levantar um bom capital. Quem quer ser um milionário? Quem quer dinheiro? todo mundo! o resto é só a hipocrisia nossa de cada dia.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Abasteçam (se) já!


Apostem: essa imagem aí não é a logomarca da Esso, mas, tá aí um posto que eu recomendo, viu, gente? (se)abasteçam num desses, a qualquer hora, e tirem o mau humor da cara, revitalizem seus pensamentos, gozem da vida, gozem de sua própria existência e deixem a dos outros para que os Outros cuidem.

Filhos da Pátria?


"A atual conjuntura do capitalismo global está sendo marcada pelo surgimento de novos nacionalismo que privilegiam os elos de descendência e raça e, como corolário, os direitos às raízes. Especialmente pesquisadores que adotam uma perspectiva transnacional de migrações examinaram os projetos de reconstrução de Estado-nação de antigas colônias e documentaram os processos de incorporação de seus emigrantes dispersos pelo mundo na formulação de nações desterritorializadas (Glick Schiller, Basch e Szawnton-Blanc, 1992; Basch, Glick Schiller e Szatons Blanck, 1994). Também em resposta à reestruturação do capital global e à emergência de blocos econômicos regionais, antigas metrópoles imperiais européias - que exportam ou que em tempos idos exportavam proporções significativas de emigrantes - começam a redesenhar a pertença à nação pós-colonial, por meio da concessão de direitos de nacionalidade a esses emigrantes e/ou descendentes, diretos esses por vezes baseados em princípios de jus sanguini."
Este trecho é do início do texto de Bela Feldman-Bianco, chamado Entre a "fortaleza" da Europa e os laços afetivos da "irmandade" luso-brasileira: um drama familiar em um só ato, extraído do livro Trânsitos Coloniais,publicado em 2007, pela UNICAMP.
Está em pauta um pano para manga que orienta minha tese de doutorado e que, por minhas tendências já decretadas e assumidas, será um ponto difícil de conciliar.
Fiz um curso de História da Arte, em 2005, e me espantei pela ojeriza e hostilidade dos meus colegas em relação à nossa professora, que era portuguesa e estava no Brasil apenas por motivos profissionais.
Acho esquisito que até os dias atuais a gente não tenha se livrado do Pecado Original - dívida que tantas gerações nunca conseguiram pagar.
Assim também comparo esse evento: nossa professora teria que pagar por aquilo que seus antepassados e patrícios haviam causado ao nosso país? acaso ela estava em alguma daquelas naus?
Convém localizar direito quem perpetua verdadeiramente as práticas colonialistas.
E depois, não fizemos um pacto pelo vencedor, uma vez que tratamos como inferiores todos os povos dizimados e violentados pelos europeus, em geral, e pelos portugueses, em especial? pense aí o que o se cristalizou como pensamento sobre índios, ameríndios e negros, por exemplo.
Não somos nós que achamos interessante se travestir com as máscaras do vencedor?
No texto de Bela Feldman-Bianco muitas discussões importantes para o entendimento do mundo pós-colonial são arroladas, centrando-se nos incidentes diplomáticos referentes ao sem-número de brasileiros retidos/detidos/deportados nos aeroportos de Portugal, majoritariamente na década de 1990 (o ano de 1993 seria o mais marcante).
Entram nesse rol de discussões a política discriminatória de Cavaco Silva e as declarações de Leonardo Batista, na época Embaixador de Portugal, que, em entrevista ao Estadão, chamou os brasileiros em questão de "vagabundos" e "mulatinhas de minissaia".
Focalizando essa crise, a autora irá demonstrar os recíprocos desconhecimentos entre Brasil e Portugal, apesar dos desdobramentos desta crise serem favoráveis, para sua extinção, à exaltação da falaciosa ancestralidade compartilhada e à retomada do aforismo de Fernando Pessoa, de que "A Pátria é minha Língua":
"[d]o retângulo da Europa passamos para algo totalmente diferente. Agora Portugal é todo território da língua portuguesa. Os brasileiros poderão chamar-lhe Brasil e os moçambicanos poderão chamar-lhe Moçambique. É uma pátria estendida a todos os homens, aquilo que Fernando Pessoa julgou ser a sua Pátria: a língua portuguesa. Agora, essa é a pátria de todos nós" [Agostinho Silva, in Mendanha, 1994-pp.30-31 APUD FELDMAN-BIANCO, 2007, p.430]
Encaremos o caldeirão dos problemas, especialmente o meu e o da minha tese: quando os portugueses vieram ao Brasil e desapropriaram nossas terras, colocando-se no papel de colonizadores - que, na cabeça de muitos portugueses equivale a dizer que seus patrícios foram nossos salvadores - daqui não apenas extraíram tudo, em termos de potencial econômico e de potencial humano, como também deixaram marcas profundas das políticas da própria colonialidade do poder.
A forma como se deu esse processo deixou heranças sociais de extrema problemática e incontornáveis empecilhos ao desenvolvimento nacional, mas, eles vieram para cá e isso foi apenas um dos desdobramentos deste contato.
Há, embutida aí uma dívida social gravíssima e está na teoria da maioria dos autores que estudam a pós-colonialidade: a riqueza européia se fez a partir de suas políticas colonialistas e imperialistas, da pilhagem das riquezas locais, isto é, dos locais de exploração, a saber, as Colônias. Isso possibilitou à Europa ser quem ela é hoje - ou seja, o desenvolvimento dos países colonizadores se fez a partir da exploração de suas colônias. Entretanto, hoje em dia,os ex-colonizados, quando tentam ingressar num desses países, são vistos como os irmãos bastardos, assim como o crítico desenvolvimento sócio-econômico dessas mesmas ex-colônias são tratados como um problema dos países em si, de sua incapacidade de se resolver,de resolver seus problemas internos enfim.
O buraco da questão vai bem mais fundo, mas aqui estou, tendenciosa, escrevendo o que eu realmente penso, para ver se extravaso o suficiente para que minha tese não seja personificada na exata pessoa que sou, que não passa à margem de um processo histórico de que meus antepassados foram testemunhas e cuja repercussão recaí para minha geração.
Texto científico tem suas exigências...
Aqui é uma síntese rápida, superficial, mas que dá uma idéia de onde vão meus pensamentos e minhas inclinações - que, por sinal, são manifestamente contrários à reforma ortográfica e a essas medidas que buscam resolver conflitos maiores a partir de ações teatralizadas, para dar uma idéia de uma unidade, de uma irmandade que não há.
Tenho ainda muitas questões a resolver com Camões e com Pessoa, muitas páginas a rever e a ler, mas tenho medo de que a memória dos dias recém-passados deixe de estar clara na fundamentação das pontes de compreensão da re-invenção da memória, que é outro eixo da minha pesquisa. Mas, tenho aí outros "mares nunca d'antes navegados" para dar conta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Verdades nuas


Vou começar pela informação que deixei de dar no post anterior: eu nunca fiz cursinho pré-vestibular. É verdade. Verdade nua!
Eu ia à Biblioteca Municipal de Feira de Santana estudar para me preparar. E foi lá que eu, consultando livros de História, especialmente um, de José Jobson Arruda, construi minha base mínima para fazer o vestibular. Mas a escrita nunca foi uma dificuldade para mim, nem representou um empecilho e, por conta disso, minha redação levou uma excelente nota e minha aprovação veio na primeira tentativa.
E por falar na Biblioteca, foi lá que nessa época eu conheci meus amigos Renée, Héber,Du e o meu namorado com quem fiquei uns 04 anos. Ler nunca foi um sacrifício, estudar também não e eu acredito que seja um dos esteios de minha vida até hoje.
As fórmulas a gente aprende porque passa a trabalhar em cursinhos ou porque convive com quem trabalha em cursinhos.
No caso da "gramaticidade", aí, sim, as próprias gramáticas tendem a ceder siglas e associações, porque afinal, a lógica da gramática é esquisita, tortuosa e inexata. Por conta dessas coisas, não ignoro que alguém cometa lapsos como dizer PARTICIPADORES ao invés de PARTICIPANTES e haja aquele rolo todo entre dizer medicação e medicamento.
A lógica dos verbos regulares é uma, a dos verbos irregulares é outra e daí você nem percebe os circuitos e labirintos embutidos numa sentença como EU FUI ( será no sentido de IR ou no sentido de SER?), por exemplo. Mas, eu digo de novo: Ainda acho que quem tem POBREMA tem dois PROBLEMAS.
Bem, mas eis a minha nota explicativa, que eu complemento também respondendo que é claro que daria dicas a uma amiga que estivesse desleixada ou engordando, não de modo depreciativo, mas para que ela se cuidasse. Isso é bem diferente de meter o holofote na gordurinha de alguém para fazer ridículos.
Tem uma pessoa ex-chegada que faz isso. Mas, hoje eu compreendo que se trata de uma pessoa infeliz, daquelas que desaprenderam o que é se sentir bem, o que é experimentar momentos felizes e se torna bem clara a necessidade de espalhar o mal-estar entre os outros.
E assim digo que fui conversar com o Capeta ontem de manhã.
Eu dormi mega-pouco, porque depois do presente que "ele" (não o capeta, né? o meu affair) me deu, fiquei foi numa excitação nervosa chata, que meus olhos pesavam de sono, mas nada de conseguir dormir, flutuando e divagando feliz. Paguei o preço da felicidade agitada de manhã, porque nem dormi 03 horas completas.
No trabalho eu aprendi que o inferno não depende da presença do diabo, tal como afirmou Lobão. Então, estar cara-a-cara com o Capeta não me diria muito em termos de me despertar o temor.
Se o Capeta não é tão feio quanto pintam, pelo menos ele é desolador, mas levei na esportiva, como sempre faço. Nesses últimos tempos aprendi realmente a apostar nos riscos e lá fui eu.
Soube, na ante-sala do Capeta, que minha inimiga pensa muito em mim. Ela comentou sobre minha formação, numa dor-de-cotovelo que, no caso, foi um reconhecimento de minhas conquistas. Comentei com quem me dizia deste episódio, que, vindo dela, que é e sempre foi inteligente, esforçada e trabalhadora, não era ofensivo, era só um casinho de dor-de-cotovelo que mais afagava meu ego.
Os que são meus inimigos sabem que eu sou uma inimiga ética e os que são meus amigos sabem que eu preciso tanto dos meus inimigos! Vivo cada dia por eles, talvez somente para irritá-los, mas são minha pulsão de vida quando as coisas vão mal e eu digo a mim mesma: "Vou sair logo dessa, para não deixar meu inimigo feliz por minha derrota". Também eles sabem que eu não escondo as minhas derrotas, como não escondo o desconforto de ir ao encontro do Capeta, nem de fazer ou receber propostas dele, porque nunca negociamos barato.
O Capeta tem lá suas armadilhas e eu tenho cá minhas artimanhas e antídotos. Foi uma boa conversa! e quando eu percebi que eu já não tinha nada a dizer, não disse. Medi a situação e o contexto e encerrei o assunto.
Juntei duas noites sem dormir: a primeira, por farra; a segunda, por felicidade. Meu domingo foi de um esforço incrível para me manter em pé, com a casa fervendo de visitas e telefonemas o tempo inteiro, tarde e noite.
Hoje de manhã o povo me ligou para me dizer que viu minha entrevista - que deverá ser repetida no noticiário do meio-dia e talvez no da noite - juro que não assisti, nem quero assistir, acho um mico total. Dizem os que viram que eu tive uma naturalidade e espontaneidade boas, mas não vejo, sou auto-crítica demais.
Os meus melhores inimigos também sabem disso: sou auto-crítica e, em contrapartida, se meu inimigo tiver razão, tiver talento, for inteligente ou for bonito, eu reconheço. Mas, então, não estou a fim de me julgar hoje. O que, por si, já é um julgamento porque eu sei que eu olharia tudo que faltou e não o que estava ali presente. Não sei porque mas sou como um virginiano nesse quesito.
Tenho mais com o que me preocupar porque terei outro encontro com o Capeta, no mês que vem. Este, sim, será barra pesada. Se ele desmarcar, também será frustrante, mas acho que ele gostou de me ver, apesar de estar lendo em meu pensamento :"Nenhum mal te sucederá nem praga alguma chegará à tua tenda. Porque aos Seus anjos dará ordem a teu respeito para te guardarem em todos os teus caminhos". Ah, eu nunca iria ao encontro do Capeta sem ter bons guarda-costas e esta é outra Verdade nua.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Múltiplas escolhas


A vida é feita de escolhas: as que a gente mesmo faz e arca com o lucro ou com o prejuízo, as que fazem e que nos afetam e aquelas que a gente pensa que não faz, deixando, de fato, de fazê-las, mas pagando o preço da omissão e da negligência pela não-escolha.
Difícil é escolher certo. Sempre tive problemas com isso.E é algo que está em minhas brincadeiras, quando eu digo; "meu amigo, resolve aí minha vida por mim, que eu volto mais tarde, viu?" - como aqueles pára-choques de caminhão que dizem: "Fui ali ser feliz e já volto!".
Para, de novo, patinarmos no óbvio - porque além de eu não ser candidata ao quesito originalidade, adoro o recorrer ao óbvio como adoro o acaso - vou dizer que escolher algo é declinar da outra opção. Às vezes é assim. Às vezes, não: a gente tem as múltiplas escolhas. E há as múltiplas escolhas somatórias e aquelas em que uma sentença errada elimina a certa e umas outras em que se você erra uma das opções, mesmo acertando muitas outras da mesma questão,zera todo o quesito.
Parece prova de vestibular? ah, é isso mesmo: bem óbvio.
Chega um tempo que você ganha os macetes, estrategicamente, como aqueles recursos de memorização de cursinho (decora-se a musiquinha, a sigla, sei lá) e decora-se a palavra-chave, tipo: em qualquer questão de Literatura em que haja o nome de Castro Alves, a alternativa certa será aquela que trouxer a palavra Condoreirismo (e aí, se tu não sabes o que é um condor, não precisa ficar com dor, nem com dó de si mesmo, porque afinal isso acontece!).
Lembro como foi que eu aprendi a conjugar verbos cavernosos, como o verbo MEDIAR, que flexionado nas primeira e segunda pessoas do presente,no modo indicativo fica de maneira horrorosa como Eu MEDEIO, Ele MEDEIA, contrariando as pronúncias que vemos por aí.
Conjuga-se tal como se conjuga o verbo ODIAR: odeio,odeia,enfim...E para isso, a fórmula: MÁRIO.
Sim, você não leu errado: Mário: M de Mediar e assim vai até o O de Odiar.
Nas coisas objetivas da vida - e aí a gente chama de prova objetiva essas de marcar X, em que o conhecimento pode vigorar bem menos que a sorte - pode ser assim e você achar que é um cara phodão, experiente, que sabe todas as fórmulas da vida.
Pode ser que suas escolhas não sejam certas, mas produto de sorte.
Aí entra o amor. Tia Rita Lee canta: "sexo é escolha, amor é sorte".
Aprendo que amor é risco, aposta, loteria...leva a melhor quem tem mais sorte. E se você tiver um mínimo conhecimento, vai te ajudar, mas não determina sucesso sempre.
Para mim, que sou professora, é dose entender...ora, deixa eu largar o cinismo: eu não só não entendo como realmente detesto quem não gosta de ler e quem não gosta de estudar. Falei disso hoje, no café da manhã, com minha amiga - ah, sim, pausa para explicar que eu até agora nem considero que dormi e amanhã de manhã tenho que negociar com o Capeta e, por isso, eis que troquei os embalos deste sábado à noite por uma festa ontem à noite, como sempre, do cover dos Beatles, na Groove, mas foi lá uma festa insossa.
Não entendemos como alguém possa declinar de estudar, de ler,não dá.
Mas quem disse que a gente está certa? são valores para nós, mas a vida acontece com ou sem literaturas,com ou sem estudo, a vida continua e a humanidade não acaba por isso.
Mas, entenda que você sempre tem escolha.
Falar mal dos outros não vai te tornar uma pessoa melhor, bem como dizer que alguém é gordo não te torna magro e fazer esses bullings de adultos, catando estados de peitos, pernas, celulites e afins apenas váo deslocar olhares, não vão melhorar a sua vida. Isso também é uma escolha.
Você pode criticar quem está gordo ou olhar para si e resolver entrar em forma.
Sou humana, também olho, também falo mal. Mas eu me vigio de modo a não afetar o bem-estar dos outros e, afinal, não tem gorduras nem celulites que sejam mais importantes do que minha vida própria, para ser redundante e clara.
Temos escolhas: entre espalhar o mal, o mal-estar, a fofoca e o menosprezo ou simplesmente cuidar de nossas vidas, deixando o outro em paz...há múltiplas escolhas aí, porque você pode criticar ou reparar e comentar de modo a que o outro tome providências.
Quando nossa vida está uma droga, muitas vezes o único responsável é a nossa escolha, somos nós. O velho caso que citei num outro post: você repara no monstro ou na paisagem?
Não vivo sem música, sou elétrica, sou neurótica, sou histérica, mas não sou de mal com a vida: nem me lembro quando acordei mal humorada, soltando pragas ao vento.Agora, eu sei reclamar e reclamo para caramba!
Nas minhas escolhas, depois dos hábitos comuns do acordar, vou diretinho à VH1 colocar a TV nos videoclipes, cantar ou só ouvir e ir tomar meu café. Mas aí são as minhas escolhas - eu nunca escolheria acordar com uma valsa, nem com a música de bom gosto, erudita, instrumental, requintada.
Não vou acordar com Ivete Sangalo, né? aí pelo amor de Deus! nem com "Foge Mulher Maravilha, foge Superman", que eu não sei quem canta e que todo mestre-do-bom-gosto" vai fazer de conta que nem sabe do que se trata...também não é minha praia (não faz parte de minha playlist). Mas acordo em paz e faço barulho no banho, no meu banho demorado...depois do café e do banho, aí, sim, que venham as coisas externas(das quais, as que me tiram o humor).
Mas eu já nem sei onde este post vai me levar porque eu tive uma alegria imensa há poucos minutos, felicidade gostosa, gratuita, obra de uma escolha dele.
Mesmo tendo um encontro com o Capeta amanhã de manhã, estou feliz , fiquei feliz...nem sei quanto vai durar, mas ganhei um presente dos sonhos, tão de surpresa que nem sei quando é que meu coração vai voltar a bater no compasso certo...disritmia é um preço baixo para a felicidade, não é? façam as suas escolhas, façam as suas apostas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Adjunto abdominal


Graças a Deus que eu tenho o amparo da Psicanálise para os meus momentos de SACANÁlise, para me inteirar de que estou em um momento de reconstrução, experimentação e escolhas, que eu traduzo para o popular como"período de degustação".
Eu até iria passar por cima do assunto, mas o safado, todo apelativo, nem lembro a pretexto de que, foi até onde eu estava, levantou a blusa e me mostrou o abdômen.
Despudoradamente, me mostrou o abdômen e eu só lembro de um umbigo rosado e lindo e de alguns sinais, tipo sardas, espalhadinhos nas extremidades laterais...e eu, hipnotizada, dizendo sei lá que gracinhas...isso porque ele estava com fome e me viu chegar com a sacolinha de pão , que eu guardo na recepção, porque em meu horário de saída a padaria já fechou.
Ele foi lá, roubou um dos meus pães na recepção - eu com a cabeça na carne, ele estraçalhando o pão...ele, um pão também!
Lembro de Ariane rindo de mim ou comigo, sei lá, e me dizendo que o abdômem dele não era de exercícios de musculação, era de judô. Ele é um homem de bem (de bem mais de 1,80 e muito bom!).
Lembrei de um quase ato falho que rolou entre minha amiga e eu, numa dessas conversas sobre gramática e homem e daí que eu falei que sei lá o quê era o "Adjunto abdominal", ao invés de dizer adjunto adnominal...veja o que há em minha cabeça!
Bem, mas se me falta um pretexto para eu postar foto de homem neste blog, agora eu tenho todo motivo do mundo para fazê-lo. Então, vai um Roque Santa Cruz, a melhor iguaria feita no Paraguai...olha aí o tamanho do...bem, do tórax, parecidinho com o do protagonista desta história...(é, eu só vi o tórax).

Sem resposta


Dizem que as religiões não dão respostas: evitam perguntas.
Seja qual for a religião, mesmo se ela se auto-intitular filosofia ou tiver nomes congêneres, não estou aqui para negar isso.
Na vida da gente, também, há aquelas perguntas que a gente evita, há outras para as quais nenhum de nós está preparado e muitas destas perguntas realmente abalam nossas bases.
Ele teve a coragem de me perguntar: "Como você vê a sua vida daqui a quinze anos?".
Se minha analista me disse que aquilo lá que eu fiz, não se faz a um homem, agora posso dizer que esta pergunta, bem, isso não se pode fazer a mim.
Foi um balbucio esquisito, impreciso, procedido de um silêncio que dava para ouvir o cricrilar dos grilos, e eu toda embaraçada.
O que se pode dizer?
Eu ia dizer que eu nunca pensei a minha vida a tão longo prazo? putz, não sei pensar a longo prazo. As únicas duas coisas a longo prazo que fiz nesta vida, para desafiar minha paciência e minhas visões apocalípticas da vida foi financiar parte do valor do carro em 48 prestações e assinar um título de capitalização, para 60 meses, porque, afinal, eu não sei poupar.
Foi um rebuliço em minha Caixa de Pandora, esta pergunta: eu odeio idéias eternizantes, idéias de eternidade, longos prazos, coisas indefinidas, enfim...não penso minha vida senão até o relativamente próximo.
Sendo absolutamente sincera, eu sequer imaginei viver os próximos 15 anos.
Ao contrário, daqui a 15 anos eu espero que Deus seja generoso e que eu nem exista mais: pensei nos meus ossinhos - ossinhos fashion, tá? - organizadinhos, embaixo da terra, à espera do destino final deles, cremados ou removidos para o devido lugar.
Pensar a vida daqui a 15 anos é pensar em tudo o que eu não terei, especialmente a vitalidade.
Um dos meus planos do ano passado era entrar numa cademia e continuar nela.
Assim o fiz e me sinto bem melhor agora, gosto do resultado discreto, embora eu ache uma tortura a rotina de pesos e exercícios. Fico, portanto, com o resultado como motivo para incorporar a academia à minha vida.
Daqui a 15 anos eu terei mil impedimentos. Possivelmente estarei com os pés na menopausa, bem pertinho dela.
Daí advém uma série de coisas ruins que me fazem temer estar viva nos próximos 15 anos.
Eu só não queria uma morte lenta e dolorosa, mas eu até sou conformadinha com a minha finitude - coisa que o miserável do meu primo me ensinou desde cedo, num dia em que comemos galinhas e ele questionou porque eu estava com medo de fantasmas, ali, na casa de minha tia, e porque ninguém tinha medo da alma da galinha assombrar a gente.
Nem sei quando foi que eu comi galinhas deste tempo para cá!
Mas esta pergunta descabida sobre como eu imagino minha vida daqui a 15 anos, sem dúvida, era um poço sem fundo.
Eu poderia ser estratégica e dizer que eu me imaginaria ao lado dele, na casa da gente, blablablá, e garantir a minha parte.
Se eu fosse levar a sério e na sinceridade a pergunta, eu diria que daqui a 15 anos, caso estivéssemos juntos, eu estaria chorando porque ele teria um caso com outra mulher; eu lamentaria que ele precisasse de comprimidos azuis para transar comigo; eu e ele estaríamos preocupados com check-up de nossa saúde, num infinito de comprimidos e restrições alimentares...
Ou após 15 anos eu estaria preocupada em perder o mínimo possível no nossos processo de divórcio.
Eu, talvez, após 15 anos com ele, entenderia melhor a esposa daquele famoso professor da Federal da Paraíba, com aqueles pulsos renovadamente cortados e marcados pelas tentativas de suicídio ante a impotência para suportar tantas traições dele - vish, este professor já pegou DUAS pessoas conhecidas minha, uma das quais, minha amiga...que nariz de sucesso!
Mas é que eu não sei ser otimista.
Vai que eu dissesse que daqui a 15 anos "eu queria te fazer tão feliz quanto você me fez agora!".
Vai que todos os meus prognósticos se mostrassem errados e eu estivesse tão feliz que nem pensasse na morte?
Vai que eu tivesse " a sorte de um amor tranquilo" e fizesse tudo que eu não fiz até então porque ele me fez mudar, por que ele me fez perder a cabeça e eu, incorporando o Jack Nicholson, em "Melhor é impossível", pudesse parafraseá-lo e dizer: "Você me faz uma mulher melhor"?
O futuro me dá uns arrepios de pavor na espinha que me assustam muito.
Futuro é uma construção e a construção imagética de 15 anos após o dia de hoje só pode me deixar embaraçada.
Juro que eu não lembro o que foi que eu respondi, mas com certeza, aderi à corrente filosófica do Leão da Montanha: "Saída pela direita!",e peguei minha tangente.
Tenho com ele o mesmo problema que eu tinha com Thales: se eu não respondo adequadamente, a pergunta volta.
Não adianta postergar, não adianta apertar o "pause", porque a pergunta virá e virá mais temperada e sonsa, porque eles são astuciosos e sabem quando eu estou evitando a pergunta, temendo a resposta.
Foi muito doloroso responder todo aquele primeiro questionário sobre amor,casamento e filhos - que eu respondi com uma infinita diplomacia, bem bonitinho, bem educadinho, bem corretinho, mas sem dispensar umas pinceladas de realidade. Agora, ele quer uma conclusão, ele quer juntar premissas e concluir, deduzir, sei lá, acho que ele nem nota que me atingiu em cheio.
Depois vai um idiota qualquer achar que a melhor resposta é aquela que não se dá. Experimenta!