Louquética

Incontinência verbal

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Tudo beleza!


Não vou engrossar o time dos desleixados: sou a favor do cuidado de si. Alguns chamam isso de vaidade - acho vaidade maior esse negócio de falsa simplicidade, dos realmente vaidosos que acham um absurdo retocar a suposta beleza com alguma coisa, julgam que não precisam de nada além "do que Deus lhes deu".
Certo, intervenção cirúrgica faz quem tem coragem ( e grana!). Mas acho o resto essencial.
Depois de tanta estrada e pouco sono, sei o sentido e a necessidade de passar por uma boa massagem, ativar a circulação, desfazer o cansaço das pernas e, de quebra, ajudar o corpo a funcionar melhor. Os efeitos na contenção da celulite são meros acessórios, benefícios colaterais.
Pobre de quem tem cabelo grande, como sonham a maioria da mulheres em também ter. Um cabelo grande e mal cuidado é triste! Qualquer cabelo, de qualquer textura, de qualquer cor, de qualquer tamanho, é feio se for mal cuidado.
Pobre dos que desconhecem a necessidade da hidratação. Que Deus os abençoe com Fiberceutic da L'Óreal, meu Pai! ou com uma plástica capilar da Ecos, ampolas, condicionadores e xampús detangling da Avlon/Keracare.
Bem-aventuradas sejam todas as criaturas que sabem que precisam de limpeza de pele com esteticistas e dermatologistas qualificadas. Que estas sejam agraciadas com poderosos hidratantes e protetores solares e que saibam escolher batons também hidratantes.
Coisa súperflua neste meio?creme para área dos olhos. Nada é mais inútil. É coisa bem brasileira isso de empurrar kits das coisas. No meio do kit sempre vão as inutilidades. Mas sabonete específico para a pele é essencial. Nesse meio sempre tem as coisas inúteis, é lógico. Pior é ser desleixado e jogar na natureza, no corpo, a responsabilidade em se defender sozinho contra as agressões do sol, do calor, do vento, da poluição. Lindo é se cuidar!o resto é opcional mesmo porque tem apelos de mercado demais para criar falsas necessidades.
Podemos ser pobres e bem cuidados, com Neutrox, óleo Johnson e leite de colônia. Nem tudo que é bom é caro...
Nas horas de tristeza, modificar a aparência ajuda a reforçar a vontade interior de buscar mudanças. Ainda tem isso, esse sentido auto-ajuda, no cuidado de si... Mas independentemente disso tudo, sempre vale a pena cuidar bem de si mesmo.
Penso como Zeca Baleiro, que há muitas formas de beleza. E quem vai negar que Linda Evangelista e Isabelle Adjani são lindas e belas? da vida real, tive uma colega de trabalho realmente linda, extraordinariamente linda, chamada L. E mesmo sendo linda, nunca deixou de cuidar de si...não serei eu, reles mortal, mal agraciada pela natureza que vou contrariar a regra.

Se ela se penteia,
Eu não sei!
Se ela usa maquilagem,
Eu não sei!
Se aquela mulher é vaidosa,
Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!...

Vem você me dizer
Que vai num salão de beleza
Fazer permanente,
Massagem, rinsagem, reflexo
E outras "cositas más"...

Oh! Baby você não precisa
De um salão de beleza
Há menos beleza
Num salão de beleza
A sua beleza é bem maior
Do que qualquer beleza
De qualquer salão...

Mundo velho,
E decadente mundo,
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza,
A beleza que põe mesa
E que deita na cama,
A beleza de quem come,
A beleza de quem ama,
A beleza do erro,
Do engano,
Da imperfeição...

Belle, Belle,
Como Linda Evangelista!
Linda, Linda!
Como Isabelle Adjani...

Veja como vem,
Veja bem!
Veja como vem
Vai! Vai!
Vem! Veja bem!
Como vai! Vem!
Veja como vai!
Veja bem!
Veja bem como vem!
Vai! Vem!
Se ela vai também!

Ai, Bela Morena!
Aí, Morena Bela!
Quem foi que te fez tão formosa?
És mais linda que a rosa
Debruçada na janela...
(Zeca Baleiro, Salão de Beleza)

Exemplos reais

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A vida nas escolas da vida



As pessoas têm uma miopia social absurda: basta ver o que elas acham sobre os casos de violência nos ambientes escolares.
Em princípio vai aparecer um pedagogo ou psicopedagogo para explicar que os seres humanos chamados alunos não se sentem incluídos na escola. Por isso, esfaqueiam os colegas, os professores, praticam vandalismo, assassinatos e atentam contra a vida.
Depois virá um outro sujeito de algum posto legitimador, representante oficial de algum órgão, para dizer que os coitados malfeitores são vítimas da sociedade e não têm idade que os tornem imputáveis, pobrezinhos!
E os pais cúmplices, que aparecem a seguir, serão encarregados de acusar as vítimas de serem responsáveis por acionar a violência dos seus próprios filhos.
E se algo acontecer, recolhe-se o malfeitor à Fundação Casa, para uma curta temporada ou para uma mínima visita porque nada há que possa ser feito mediante nossa legislação que protege essas pessoas tão hábeis em ferir e em matar.
Nossos equívocos não ficam por aí: quando Geisy Arruda foi hostilizada no ambiente acadêmico da UNIBAN, todo mundo se desviou de constatar que aqueles adultos, de nível superior, consagrados pelo epíteto clichê de “formadores de opinião” estavam agindo com violência, agredindo, ameaçando e ofendendo uma mulher em sua liberdade de se vestir conforme a própria vontade.
A violência está em todos os ambientes escolares.
A vida escolar é vida social: há os que não são aptos para o convívio e isso precisa ser reconhecido.
Mas, claro, em tudo há um lado bom: por aqui jamais teríamos os problemas que certos Estados Norte Americanos têm. Se algum maluco inventar de querer fazer massacres, jogar bombas ou posar de atirador, o feitiço vai virar contra o feiticeiro, pois a galera da escola é bem capaz de acertar morteiros, bazucas, fuzil AR 15 ou simplesmente articular traquitanas para eliminar o sociopata. Não nem tudo é ruim, não. Não sejamos pessimistas com os ambientes de aprendizagem – a educação bélica também é educação.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Coisas da cama



Fui comprar um travesseiro hoje: dei uma grana bruta mesmo num travesseiro viscoelástico Duoflex Astronauta 16, com tecnologia da Nasa, cheio de frescuras.
Passei anos e anos perdendo o sono nas viagens noturnas para terras distantes, a fim de ganhar o pão e antes disso já colecionava olheiras nas ocorrências noturnas do Corpo de Bombeiros em meus tempos de militar.
Já perdi o sono por felicidade também, mas isso nem conta.
Dormir mal ou não dormir me fez valorizar o sono e ser exigente para dormir, por isso acho que dar R$ 50 ou 70 reais num travesseiro é um investimento em minha saúde e em meu bem-estar. Outrossim, um travesseiro comum dura mesmo dois anos e o meu tem dois anos de uso e de ácaros.
Gosto de chegar em casa e descansar a minha consciência num travesseiro bom, num colchão gostoso e, por causa do frio, num fofo e perfumado edredom. Há um trocadilho por aqui que diz que uma pessoa boa de cama é aquela que deita e dorme. Eu gosto de todos os prazeres do sono.
Minha amiga foi perguntar ao meu ex se eu era boa de cama. Para isso, não poupou palavras e perguntou diretamente: “Mara faz gostoso?”. Ele respondeu e riu, constrangido. E foi constrangido que ele me contou isso, acontecido há uns seis dias, mais ou menos.
Eu sei que a vida sexual das pessoas desperta curiosidade.
Também sei que pela minha natureza feminista, tem gente que pensa que eu faço misérias, que extrapolo todos os limites possíveis que a mais criativa das imaginações nem pode supor.
Todo mundo tem o direito de pensar o que quiser. Respeito muito a distância que existe entre o que eu digo e o que os outros entendem. Na verdade, não estou nem aí.
Contudo, em relação à minha amiga tem um porém: ela acha mesmo que eu , sendo tímida como sou, sou uma pessoa socialmente e outra no plano sexual.
Já contei aqui que já me confundiram com a personagem do Angeli, a Mara Tara, mas porque tinha a ver numas coisas bestas, relativamente inocentes.
Não gosto de misturar meus assuntos íntimos com a minha família, por exemplo: eu seria incapaz de beijar um namorado na frente do meu pai ou de qualquer outro familiar meu.
Não sustento olhares de flerte, sou cheia de protocolos em muitas coisas.
Ocorre que nestes finais de ano, nesses tempos de férias em que todo mundo dorme próximo na barraca de camping, na casa de praia, da casa da tia, a referida amiga chegou a observar o que eu estava fazendo com meu namorado, apesar de sermos discretos.
Viu e comentou comigo.
Ouvi os risos com parcimônia, mas fiquei pasma pelo fato de o menor suspiro não escapar às meninas. Vale dizer que eu estou falando é de Tella, minha amiga ninfomaníaca.
Num desses dias recentes ela veio até à minha casa e como eu estava na cozinha, num daqueles dias de inspiração gastronômica para macarrões e cheese-cakes, deixei-a na sala e joguei o controle remoto nas mãos dela.
Lá foi a bonita e acionou o canal 152 da Sky – para horror da irmã dela e para a minha surpresa.
Juntando uma coisa e outra, creio que ela concluiu que eu sou uma messalina, uma daquelas mulheres que fazem de tudo, conforme se diz por aí.
Acho tudo isso uma maluquice, ainda mais num estado de sexo performático, como é em nossa sociedade e que a mim não agrada.
Sinceramente, acho que sexo é aprendizado e descoberta e não tenho interesse em ser ignorante. Não tem mistério nisso. Assim, tem coisas que a gente acha que não vai gostar e acaba gostando, a depender do “professor” e da metodologia. Não sei dizer isso de outra maneira.
Tenho horror em pensar nas intimidades dos meus amigos: me dá uma bruta vergonha! E morro de vergonha por saber que Tella criou a curiosidade e que fez julgamentos a partir de situações particulares... Neste ínterim, há uma história que eu não posso contar aqui, mas que ao fim e ao cabo, foi apenas um equívoco interpretativo dela, no sentido de que ela julgou que foi preterida porque a pessoa teve razões impublicáveis para querer ficar comigo numa certa festa a que fomos há uns milênios atrás.
Bom, mas a única verdade é que sei escolher bons travesseiros. O resto é pura especulação!

Eu, hein!

sábado, 23 de junho de 2012

Céu de São João


Diz a canção junina: "Olha para o céu, meu amor: veja como ele está lindo". Olhando para o ceú,hoje, só vejo fumaça e prenúncio de chuva.
Hoje, então, me esquivei de atender ao telefone, com medo da insistência de minhas amigas para sair.
Sou antipática com o São João - não com o santo, claro, com quem simpatizo - porque detesto bomba, fumaça, licor, lama, chuva e afins. Nem sei como tirei os pés de casa na tarde de hoje e me aventurei pelo comércio.
O meu par fica abobalhado jogando bombas na rua: se junta aos moleques em correrias extemporâneas para se livrar das reclamações das casas alvejadas por bombas-canhão que assanham cachorros e abalam muros. Para ele, tudo é um misto de diversão e licor.
A única coisa de que gosto no São João é da culinária - bolos, queijos, comidas com milho e com aroma de canela.
É um período em que relembro a minha avó e as susperstições dela - muitas que ficaram impressas no meu imaginário. Quem tem avó, tem tudo: a minha era bastante cúmplice. Chamava-se Dona Luíza. Minha avó, mesmo depois de morta, nunca morreu em mim.
O melhor do São João, antigamente, era o que vinha antes dele: a Forrodência, o forró da residência universitária da UEFS.
Naqueles idos dos anos 90, forró na universidade não era forró universitário, não: não tinha dessas mercadologias de hoje, mas era muito bom.
A gente se planejava para ir e ia para se divertir, para tentar ficar com os caras que a gente paquerava na universidade, para dançar, namorar, conhecer gente, rir... E, sim, dava um lucro estupendo ao pessoal da Residência.
Mas então acabou.
Nunca entendo porque coisas de sucesso e que dão lucro acabam. Mistérios!
Na Forrodência conheci gente que se tornou minha amiga, que se tornou meu namorado, que se tornou colega de trabalho...
Estava aqui escrevendo a tese, como deve ser, nestes momentos finais que nunca se finalizam porque não se pode dizer que o último capítulo seja o fim - já disse, depois que acaba vem a revisão, o sumário, o abstract, as considerações finais, os protocolos todos. E agora, sim, vou ali na fogueira de minha casa, ficar um pouquinho a me aquecer até quando meus ouvidos suportarem as bombas da rua...Não sei se o pior será dormir ao som das bombas ou acordar com elas.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sem lenço, sem documento



Esta postagem vai aqui por outros motivos, ou seja, desde o meu apreço pela música até o fato de homenagear meio mundo de amigos meus que adoram Caetano Veloso. Contudo, a minha atual atenção passa pelo verso: "Eu tomo uma Coca-Cola/ela pensa em casamento...". Não sei: penso em amor, em política ou nas diferenças de gênero. Acho que penso em tudo porque, no fundo, essa forma particular de sentir as coisas, de se relacionar com as coisas, é o negócio mais besta do mundo, mas ao mesmo tempo é o mais fantástico.
Alegria, alegria passa um pouco de narrativa do cotidiano de um período, seus ídolos e seus ícones("Cardinales bonitas"," Coca-cola","espaçonaves, guerrilhas", " Bomba e Brigitte Bardot")e como diante das mesmas coisas as pessoas percebem tudo diferente ou nem percebem nada.
Pode ser que não ver o óbvio seja somente alienação e ignorância. E pode ser também que as pessoas interpretem as coisas conforme seus parâmetros pessoais, distorçam a realidade para serem mais felizes, repintando a paisagem. Cada um na sua e a vida continua...


Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não?

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não?
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?
Por que não, por que não?