Louquética
Incontinência verbal
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Enquanto não morro, corro!
Vamos falar sério sobre as partes dolorosas da vida? Então, vamos lá, pois você não pode dormir sem saber estas duas novidades: 1) Todo mundo vai morrer um dia; 2) Antes de chegar o dia da morte, se você tiver sorte, terá envelhecido. Pronto! Agora todo mundo está sabendo.
Minha ironia hoje é porque as pessoas têm medo de pensar na morte. E uma hora ela chega. Chega e bafeja quente na nossa nuca, na morte de amigos, parentes, conhecidos, próximos, naqueles que, sem querer, a gente testemunhou expirar... E o processo é assim: a gente nasce; a gente cresce. Acabou o crescimento, tudo é envelhecimento, isto é, a gente começa a se acabar.
Falei aqui, outro dia, dos efeitos da musculação e do reiki sobre meu corpo.
Quando fui à academia, claro que eu queria melhorar meu corpo, mas pelo tipo de pessoa que sou, pouco afeita a ficar parada, contemplativa, num sofá ou num canto qualquer, queria mesmo era movimento.
Valeu a pena.
Hoje, meu treinador me pediu para eu não fazer mais exercícios aeróbicos em dia de treinamento de membros inferiores. Disse ele ser uma sobrecarga. Daí eu passei a entender que meu treino é pesado. Nunca achei isso, porque não sou atleta e, tendo envelhecido, achei que qualquer instrutor fosse me subestimar, passando um treino leve.
Eu não sabia que era pesado.
Não obstante, neste domingo eu tentei comer até enjoar, porque queria ter 61kg e não 60. Dai que tenho mesmo perdido peso e não gosto de exageros que me deixem com a cara pouco saudável.
Não gostei da advertência.
Sempre corri 5 km todo dia (3 correndo e dois andando). Faço com prazer.
Meus treinos de braço são complexos.
Mas vamos lá: não precisamos esconder a idade ou nos fingirmos de novos. Porém, precisamos de exercícios físicos, sim.
Depois que comecei, não posso mais parar.
Iria piorar tudo.
Todo dia a gente morrer. Todo dia o organismo fica mais lento, o metabolismo processa as coisas mais vagarosamente...
Minha cintura voltou para mim, já não tenho uma musculatura gelatinosa no culote, nem me envergonho do meu bumbum, como antes.
Já disse: não tenho corpo de madrinha de escola de samba, mas tenho um corpo com o qual me sinto feliz. E, ainda por cima, sou ativa, agitada, sem pretensões a sedentarismo.
Quanto mais a gente se abandona ao sofá, à inércia, à preguiça, mais a gente cede aos efeitos do envelhecimento.
Não dá para assistir à morte chegar, sem fazer nada.
A barriga sempre irá crescer, se ninguém a detiver.
A celulite irá devastar o corpo, se for deixada correr livremente pelo descampado da preguiça.
Aquele braço que parece uma mortadela ira parecer um botijão, se nada for feito.
Não é pela ditadura da moda, não: é pela saúde física e pelo bem-estar psíquico.
Todo mundo tem o direito a odiar academia - não é um prazer intrínseco, salvo para alguns obstinados. Mas há outras alternativas - dança, corrida, jogos, esportes, natação, corda para pular, sei lá mais o que...
Ninguém vai virar atriz de novela das nove por se exercitar. Porém, sem se exercitar o saldo será bem pior e ainda deixará a pessoa à mercê do processo biológico inerente ao sedentarismo a longo prazo.
Nem tudo que nos faz bem causa prazer.
O prazer é correlato, é o ganho secundário de estar bem consigo.
Tenho medo de quando me faltar tempo - tenho medo do pretexto dos outros um dia virar um pretexto para mim. Mas nunca faltará tempo para a academia: porém, agora, tenho mais tempo e por isso os resultados são mai rápidos e visíveis.
Agora que não vou mais fazer aeróbicos como antes, entristeço. Gosto de correr. Aprendi a gostar. Antes eu respirava mal, não tinha resistência, vivia com rinite, com uns sufocamentos...
Mas é aquilo que eu disse antes: aqueles que não fizeram atividade física na adolescência, alegando falta de tempo; e na fase adulta não fizeram porque o tempo era para a faculdade, os filhos e etc., sempre fabricarão seus pretextos: a verdade é que não queriam e não fizeram. O pretexto é para si mesmos, mais que para os outros.
Quem quiser melhorar, que corra atrás (ou na frente - só não deixe de correr).
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Concorrentes
Vou disputar uma vaga em concurso público com Tatiana. Fui eu quem insistiu para que ela concorresse. Aos 45 do segundo tempo, ela fez a inscrição.
Tatiana teve a dissertação premiada, discute, como eu, relações entre Literatura e História. A diferença é que ela sabe tudo sobre o Brasil República...E eu sou mais para Brasil Colônia.
Como concorrente, eu tenho medo dela. Isso é estimulante: adoro e admiro a minha amiga, que abunda em inteligência, competência e sagacidade...Altamente qualificada!
Um bom nível de concorrentes é estimulante, porque dá aquele medo que extrai o melhor de nós, extrai nossa responsabilidade, afinco e competência...
Tatiana é muito companheira comigo. Está numa barra danada para acabar o doutorado...
Meu amigo, ex-ficante, baixo-astral e invejoso também vai fazer o concurso. Ele que já é efetivo numa federal socada onde o vento faz a curva...Disse que quer vir para perto de Feira. Eu que falei da vaga, mandei os pontos do concurso...Não tenho isso: sempre haverá concorrência.
Minha rixa com ele é que ele é vingativo: nunca aceitou o término do lance entre nós, não admite que eu não tenha saudades do sexo, nem coisa parecida...Aí, quando pode, me evita, corta meu nome de algum trabalho intelectual para o qual me chamam, bloqueia meus caminhos nas universidades em que ele tem ascendência...
E esbarrei nele, aqui em Feira, esses dias: eu estava num péssimo dia. Meu cartão do banco foi bloqueado por imperícia minha, que inverti a sequência de letras da senha...E eu estava sem um tostão. Imagine se ele me daria? Imaginei e pedi, pois eu tinha dinheiro em casa e o empréstimo besta (dez reais) seria pago em meia hora - tempo de voltar à minha casa.
Ele perambulou comigo, conversando, disse não ter um centavo e ficou no meu pé para descobrir o nome do meu namorado, ficante, peguete, seja lá qual o for a função e o nome do cargo.
Eu inventei um nome. Ele não acreditou. Floreei o nome e ele se convenceu.
Como eu tinha reiki, escapei para dentro do Centro Espírita, sob esse pretexto, e encerrei a pauta.
Jamais dividiria nada de minha intimidade com ele.
Mal agradecido - eu ajudei no doutorado dele e nem fui convidada para a defesa, por pura vingança - especulou sobre minha vida com um amigo em comum, porque deduziu que estávamos juntos...E disso se fez o inferno. Ele me cortou de uma função que eu tinha num dado setor da universidade de outro Estado.
Hoje, em especial, não estou bem: estou cansada. Cansaço pesado que excede ao físico.
Que o amanhã traga novas cores ao meu humor. Sigo em paz, mas vou à luta!
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Fazer as pazes com a paz
Cada um com a sua paz, cada um com a sua vida.
Às vezes dou genericamente o conselho que ninguém me pediu, menos por ousadia ou por desejo de interferir, que pelo fato de sereM coisas que funcionaram para mim e que, de certo modo, são coisaS óbvias , mas que não vemos até que alguém nos diga.
Bom, primeiro: esteja em paz. Busque paz. Isso quer dizer que a gente deve evitar brigas e saber jogar água fria quando as coisas esquentam. Só procure briga se dispuser de ânimo e vontade para o engalfinhamento.
Brigue por quem você ama, brigue por uma causa, brigue para manifestar sua ira, brigue para revidar um desaforo, mas só brigue se valer a pena.
Brigar com quem é importante para a gente, brigar com quem amamos, só vai piorar a vida.
Discordar, discutir, confrontar, isso não e briga.
Se você tem amigos que só te colocam para baixo, que te criticam, que têm sempre a certeza de estarem certos e que acham que você merece ouvir despropósitos, para quê você precisa deles?
Amigos de verdade dizem palavras duras; jogam sal nas nossas feridas, mas são episódios esporádicos para a nossa própria reeducação.
Bons amigos nos dão tabefes morais, para a vergonha na cara voltar. Mas isso é feito sem desrespeito, sem humilhação...
Se os amigos só aparecem em sua vida quando as casas deles caem, reveja seu lugar de engenheiro.
Família, se está se reunindo para exibir os prodígios, pedir favores ou criticar sua vida, convém amar à distância. Isso traz a paz.
No trabalho, nada traz maior paz que viver em silêncio.Sabe a indulgência? Pois, bem: se ouvir alguém falando de outrem, cale a sua boca. Abra seus ouvidos, mas não se meta no assunto. Fale pouco de si.
O Facebook é uma ferramenta em que você recorta episódios de sua vida. Ali não é a sua vida. Cuide de sua reputação virtual: brinque, ria, mostre felicidade, seja generoso no trato com os outros...Mas evite tratar de sua vida real em termos de ganhos, perdas, relacionamentos...Nem tudo precisa ir ao ar. É como aqui: a gente escolhe e pode escolher falsas confissões ou tratar da realidade mesmo. Porém, a gente, na vida real, não cabe nas linhas das postagens.
Eu quero é paz!
Eu quero é viver as coisas boas que não preciso estampar nas fotografias, nem nas redes sociais, nem nos cochichos com os amigos.
Tranco a minha porta. Atendo quem eu quero. Neutralizo inimigos, me livro de ex-amigos chatos e inúteis e de alguns exploradores...
Minha vida continua sendo uma batalha, uma luta...Mas nem por isso perco a paz.
terça-feira, 24 de maio de 2016
Guerra e paz, aqui se faz...
Não tem nada de errado com a vida, não: ando mesmo é ocupada...
Tanta coisa para ler, para corrigir, para fazer...Uns trabalhos em que me meto por necessidade e por curiosidade, mas que à parte a exaustão, me dão muito prazer...
E para apimentar a vida, andei brigando. Nunca mais havia brigado. Acho que gosto de uma boa briga, boa mesmo, com gente que tenha argumento. A de agora, para ser sincera, foi caso de quebrar a cara com uma amiga. Porém, vão os descontos por ser mais uma depressiva neurótica ou neurótico-depressiva que achou que eu flertei o flerte dela, sendo que nunca vi a pessoa na vida real e apenas me limitei a transmitir um recado que ela pediu. E como eu me despedi agradecendo e mandando um emoji de beijo, ela traduziu como se eu houvesse me jogado sobre o guri. E isso porque eu dei meu celular a ela, para que fosse inspecionado...Ousadia que fere minha privacidade, mas que abri concessão em vista de não ter mesmo nada a esconder.
Não sou de engolir desaforos.
Nem foi esse o caso; ela mostrou o que, de fato, pensava sobre mim.
E se tem uma coisa que eu não faço é atravessar uma amiga.
Jamais bateria laje no terreno de uma amiga. Nunca!
Inclusive, recentemente, renunciei a um flerte porque o cara é desejado por quatro amigas minhas.
Não é apenas desejado, vamos trocar em miúdos: um bando de mulheres conhecidas minhas, amigas mais próximas também, estudaram com ele e vivem na tocaia até hoje.
Graças a Deus, elas nunca me fizeram perguntas que me obrigassem a dizer certas coisas que, de tão óbvias, ninguém vê. Saia justa é o que não me falta, porque elas realmente disputam território. Uma, finge desdenhar, mas já deu tanta bandeira, reclamou comigo que, num evento, ela precisou acenar mais que controlador de tráfego aéreo, até que ele correspondesse e, quando estávamos numa festa, foi a tal amiga, T., que perguntei sobre ele. Ela subiu nas tamancas, pirou, ficou irada...
Desconverso sobre o flerte de outrora. Deus me livre: perder quatro amigas por causa de um cara?!Nunca. Por isso dissimulo, faço de conta que sou um pedaço de tijolo, que ele nem sabe que eu existo. E até perdi o interesse na causa, quando vi que elas sonham com ele. Eu não sonho: eram só desejos.
Eta, vida besta, meu Deus!
Não quero briga com meu poeta. Chega! Ele atendeu à minha pauta de reivindicações, foi sensível a muitas questões e eu decidi que vou fazer o possível para viver o presente.
Estou ocupada, ocupada mesmo.
Se a gente se separa, eu me desequilibro, fico triste, fico muda...E eu gosto dele. Aceitei isso.
Não deixo de pensar que esse tempo em que a gente vive é muito doloroso, porque todo mundo prega o desapego, 'o pegue e não se apegue', os amores líquidos...E todo mundo quer amor, quer um esteio...Porém, tem que se enquadrar no padrão geral, fingir, se fazer de moderno...
Não estou fora disso, não: todas as vezes em que a gente terminou, engatei outras relações ou contatos. Um dos quais, viajou 340km para ficar comigo por poucas horas. 340km para ir; 340km para voltar... E é um doce de pessoa...
Namoro à distância não daria para mim. Reconheço que ele foi um band-aid para estancar meus sangramento. Achei que minha relação anterior tinha mesmo acabado, entrei na onda de ir com as outras...E foi bom estar com outra pessoa, sim...Mas bem se diz que a vingança é uma espada que corta dos dois lados...Por um certo lado, me feri.
Claro que, novamente, agradeço a Deus por ter mais um homem lindo em minha vida: areia qualificada para meu caminhão, além de carinhoso e educado...Mas era para me desviar das dores...
Gosto de briga porque gosto de luta, gosto de lutar, de ter estratégias, de articular as batalhas...Mas eu quero paz. Não quero terremotos em minha vida afetiva. Chega! A paz do abraço Dele me basta.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Teus vestígios
Jesus Cristo!!!Meu coração é mais confuso (convulso) que a minha cabeça!
Acabei de sair correndo do Facebook, por causa de Vinícius. Putakiupariu! Ele procurou uma ousadinhazinha, nada demais, e meu coração deu uma acelerada, que eu pensei que ia capotar na curva. Ai, que raiva! Ele ainda mexe comigo! Minha orelha ardeu, eu fiquei vermelha...Poxa!
Nem tem 48 horas que eu estava feliz, na carne do Poeta, e cá estou nessa, fugindo.
Também, olha o meu contexto: passei numa seleção, para dar aulas de Cultura e Literatura Brasileiras, numa universidade metida a besta...Na República Tcheca. Pode?
Pode!
Mandei currículo, publicações, documentos digitalizados...
Não fui a Praga, mas fiz a entrevista via Skype.
Eu, com medo da entrevista em inglês - que acabou sendo em Português de Portugal, depois - comecei logo dizendo: "Sorry my accent!", como se lá também as pessoas não tivessem sotaque.
E conversei, respondi e etc., até o entrevistador dizer que dentre as motivações profissionais de qualquer pessoa, está o salário.
(PAUSA DRAMÁTICA: ESTOU ESCREVENDO TRÊMULA, ainda POR CAUSA DE VINÍCIUS).
Da sentença, eu pensei: "Poxa, o cara deve estar me achando hipócrita, por não assumir que quero dinheiro!". E de repente, não mais que de repente, ele disse com todas as letras que eles pagavam mal, que eu ganharia cerca de 800 euros, para trabalhar em turno integral...
Caí da escada.
Caí da nuvens.
Opa, caí!
E deixou claro que somente se eu fosse suicida eu toparia uma coisa dessas, apesar de lá ser tranquilo de se viver.
Nunca imaginei que algum lugar deste mundo pagasse a um professor salário pior que o que impera no Brasil.
Bom, não vou.
E a Universidade é muito poderosa...Por medo de processo, não digo o nome, mas é aquela que o povo chama de segunda Oxford, sabe?
E eu ansiosa, medrosa, com medo de chamar Jorge Amado de Jorge Loved, num inglês digno de Joel Santana...Na hora H, nada de relevante foi perguntado.
Aí, claro, estou tentado estudar para o concurso que realmente me interessa, mas concentração, que é bom, zero.
A vida amorosa, que não tem amor nenhum, vai assim:
O crush de Seabra, que viria aqui hoje, ficou preso nos engarrafamentos de Salvador, na onda de protestos do dia de hoje. Com um bocado de atraso, passou por Feira direto, para não perder um compromisso em Irecê. Nem vi a cara dele. No meu íntimo, claro, vou mandar pastar - era só um flertezinho sem muita consequência...
O F de ficante de Salvador, eu não vejo desde o carnaval, mas ele não percebe que acabou, que foi só ali...Aí, todo dia eu deixo claro que não volto, mas ele não cansa de esperar, de me encher de conversa; e eu enrolo um pouco, para não ser mal educada...
O Poeta, ou Ele, continua sendo quem eu penso que gosto...Ficamos um tempão separados, mas o reencontro foi ótimo. Dentro de mim, muita coisa mudou...Penso nele e me vem o poema de Fernando Pessoa, sabe? "A minha alma partiu-se como um vaso vazio/Caiu pela escada excessivamente abaixo..."
Tenho uma raiva disso. Talvez eu quisesse que ele me fizesse amá-lo...Não se fez amar, mas e se se fizesse? Por acaso amor é escolha?
Ah, me senti humilhada agora! eu devo gostar ainda de Vinícius. Que merda! Que droga!Aquele moleque, se eu der de cara com ele por aí, eu tropeço, caio, desmaio e nunca mais levanto...Poxa! Que revolta! Esse sim, me lembra uma velha música do metrô:
"Convenci mais de meio mundo
Que o meu corpo não era mais seu
Que eu estava mais do que feliz sem você
Conheci olhares e perfumes
Perverti até nos bons constumes
Inventei romances só pra te esquecer
Mas não deu
Eu vou dormir só pra sonhar com você
Te seguir
Não quero mais acordar, nunca mais
Never more...Jamée plus."
Coisa horrível isso. Ou eu devo estar bem desequilibrada...
domingo, 1 de maio de 2016
O melhor do sexo
Nunca procurei briga com Sigmund Freud. Ora, tenho invejo do pênis. Sim, tenho complexo de Édipo...E somente agora essas situações psíquicas vão se arrumando.
Acho que tem um processo global de arrumação da casa psíquica do ser, porque hoje em dia os homens já podem chorar e até ter sentimentos. Tenho amigos próximos que são excelentes pais...Quase mães, de tão pais em afeto, atenção, carinho e participação na vida de suas crianças.
Do lado feminino, mudanças, sim...Só nessa autonomia em poder escolher parceiros sexuais e em optar, mesmo a alto custo, em ser ou não ser mãe, o ganho é grande.
Porém, o que os homens pouco notam - e as mulheres também - é o quanto o plano da sexualidade feminina mudou.
Posso dizer, hoje em dia, que a minha primeira vez não foi nada de especial. Nem poderia ser, porque não tive voz ativa: tudo transcorreu conforme ele quis. E depois dali, me interroguei o que até hoje interrogo às outras mulheres, já passado tanto tempo: Como é possível que nós, mulheres, tenhamos orgasmos sozinhas; e não tenhamos em companhia de um homem?
Da primeira vez, tudo bem. A ansiedade e o medo estão lá. A carga moral está lá...Alguns olhares sociais repreensíveis que a gente internaliza também estão ali. De modo que o homem tem que ser superior a tudo isso para poder auxiliar a gente. Não obstante, não se sensibilizam com a causa.
Hoje em dia é que há homens mais aplicados em serem agentes do orgasmos, a fim de conquistar as mulheres e deixar o portfólio no capricho para abrir outras futuras portas (e pernas). Acho que todo homem deveria se preocupar em ser gostoso, sexualmente gostoso. Todavia, tem um parcela bem grande desse segmento que acha que basta estar ali, que a presença basta.
Não tenho nada contra cafajestes, porque estes são gostosos e quantificadores. O problema é gostar de um do tipo e querer exclusividade. Mas, quem tem exclusividade hoje em dia?
A sexualidade nas mulheres é um processo. Há coisas que eu ignorava em meus desejos ou achava que nunca iria gostar...Aí, veio o poeta e me mostrou que tudo pode ser diferente...E bom!
Num sessão de psicanálise, falei certa vez do meu ex, o De Longa Data: ele deitava e esperava. Era um verdadeiro agente da passiva. Aquilo não tinha o menor efeito de prazer para mim, mas eu gostava dele. Não dava para viver sem prazer...Não dava para viver sem ele...Nesse conflito, sempre acontece o óbvio e nada mais avassalador que uma paixão sexual (por outro). Claro, 'quando bate, fica'. Ficou. Ficou um tempão.
Veja se a esta altura da vida eu iria negar que eu sou louca por sexo? Com que finalidade? Mas o que isso quer dizer mesmo? Isso quer dizer que quem me dá prazer, me enlaça, me prende, me monopoliza.
Não acho motivo de orgulho esse negócio de enaltecer o 'pegue e não se apegue'. Não sou de isopor, não escolho seres para amar e outros para a manutenção da vida sexual. Assim como no sexo, o amor tem que ser espontâneo, natural.
Nunca fui chegada a ouvir e dizer palavrões: o sexo enlatado do canal pornográfico nunca foi algo que eu quis reproduzir, nem nunca exerceu poder de excitação sobre mim - se sei isso é porque consumi e consumo as produções voltadas para a área, mas bem esporadicamente e coisas específicas, porque também não vou contar aqui meus detalhes de desejos e fantasias. Porém, nunca fez a minha cabeça isso do palavrão besta. Há quem goste. Em meu caso, sem efeito.
Aí está o foco da questão: sexo tem algo de bastante pessoal. As generalidade se inscrevem na cultura ocidental de que fazemos parte, na educação que recebemos, nos outros crivos que nos aparecem vida afora... O melhor do sexo pinta quando há uma boa sintonia e confiança para a entrega de si, do outro...
Sou uma pessoa tímida: não vou ditar um script para um cara. Então, acho que a descoberta se faz mediante a experimentação...Vai tentando, propondo, experimentando...Descobrindo...E aproveitando, porque somos reféns do corpo físico, que tem tempo predeterminado de vida útil...
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Tudo joia!
Aconteceu quase agora comigo, e achei um dos mais lindos episódios que poderiam ocorrer em minha vida: há uns meses eu estava falando com Ele (ou seja, o poeta), que eu nunca gostei de joias, nunca dei bola, que curtia bijuterias com design bonito e ponto final. E é assim em minha vida real: para quê eu iria querer um anel de ouro, um brinco de ouro, pedras, essas coisas, se a função da joia é ornar? se fosse para vender, tudo bem...E, depois, não me sentiria bem com três mil reais pendurados em minhas orelhas ou em meu pescoço...Nem com gente a ameaçar meu pescoço por causa do brilho de um colar.
Ele, então, concordou e sei que não foi da boca para fora.
Entre essa conversa e o dia de hoje, ganhei uns brincos, de um homem que já sabia disso: não dou bola para joias. Não quero, não me interesso e, para piorar, minha avó tinha muitas, lindas, prometidas a mim, inclusive, mas o que vi de joias foi minha família se digladiando pela posse. Também nunca me apeteceu.
Gosto de brincos pequenos.
Nunca fui de argolas e penduricalhos.
Já contei aqui, antes, da surpresa que tive quando, por acaso, avaliaram as joias que eu ganhei em minha formatura, sem saber que eram jóias. Ah, ia esquecendo: deve ter uns 16 anos que, por influência de uma amiga de trabalho, comprei uma única joia na vida: um anel de esmeralda rústica, com seis pedras...Isso por questão de investimento e para o povo não ficar falando que eu era desligada. Esse anel foi destruído, há um ano, pelo meu ex-namorado bêbado, em uma manobra idiota de tirar e colocar anel em situação simulada de emergência.
Ele não conseguiu mais tirar o anel e foi preciso romper com alicate. Adeus ouro! adeus esmeraldas! Prejuízo todo meu, apesar da promessa de ressarcimento. Isso só reforça que não nasci para joias.
Bom, minha amiga observou quando eu tirei os brincos.
Já havia observado antes e falado dos detalhes dele.
Ela me disse: vire aí esses brincos! Aposto que tem uma inscrição. Vai ter umas letras, uns números e a marcação dos quilates.
Dito e feito.
Agora vou perder a coragem de sair com aqueles brincos.
Lindos, delicados, pequenos...
Mas, que fofo foi o rapaz, para comigo: ao invés de me presentear e se exibir do que deu, escolheu o melhor que pôde e respeitou o fato de eu não ser interesseira, nem chegada a joias.
Ele me observou. Escolheu conforme meu gosto. Que gesto bonito!
Se eu gostasse dele, agradeceria com um beijo. Mas agradeço com o coração e vou contar a história a ele.
Tudo isso me lembrou Valério. Valério era assim: me entupia de coisas caras, sem se ligar de exibir preços e procedências.
Mas eu sou mesmo uma anta: me formei, na graduação, claro, em 1998: como poderiam aquele colar e anel jamais perderem cor e brilho, se fossem bijuterias?
Olha, quer saber? Meu padrinho é que foi um ouro. Assim como esse anteriormente citado.
Não sou mulher ligada em joias, nunca perceberia... No fundo, aprecio o gesto, mas não me importo com o valor em si, não: nunca venderei. Nunca venderia um presente, muito menos venderia os de valor sentimental...
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