Louquética

Incontinência verbal

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Corpos e delitos


Eu não julgo o que cada um faz de sua identidade sexual, mas preciso dizer que um certo ex-namorado meu me surpreende.
A esta altura da vida, já quarentando, lá vem ele com crise de identidade sexual, se agarrando a pretextos para terminar com a namorada pela qual ele, assumidamente, não tem desejo sexual e da qual foge.
Para piorar, a moça quer forçar o casamento e, apesar de reclamar da falta de sexo, nem desconfia que o inimigo dela é outro e não outra.
Depois de ter tido longas relações sexuais com dois ou três homens diferentes, ele, que se acha heterossexual, vem me dizer que, na verdade, tem apenas curiosidade pelo sexo com homens.
Se a curiosidade não é satisfeita depois de seis a oito anos de sexo passivo com outros homens, eu que pergunto que curiosidade é essa.
Então, ele veio me perguntar como saber. Ora, quem sabe é ele. Eu só pude responder por mim, porque, de fato, eu nunca tive curiosidade sexual por mulheres nem vivi qualquer coisa que me fizesse questionar minhas tendências e preferências. Eu não sei ao certo onde e quando isso se cria, mas sei que se um homem transa com outros homens, gosta e prefere, heterossexual ele não pode ser.
Pulemos as classificações: como é difícil para um ser humano lidar com a própria sexualidade.
Pior ainda é se perceber diferente, contrariando o machismo, a orientação da família, os ditames da religião, a ordem estabelecida para os papéis de homem e de mulher...
Desde os 13 anos eu sabia que não queria ser mãe. Desde que me percebi um ser sexuado, nunca tive dúvidas de ser heterossexual – se foi a força da cultura, da família ou da sociedade quem determinou, eu acho que não. Se assim fosse, não haveria tanto padre gay, tanto evangélico gay, tanto gay casado, tantas lésbicas enrustidas em casamentos formais. Acho que a pessoa pode blindar o próprio armário como for, mas um dia algo escapa e deixa entrever o que há de verdade lá dentro.
Assumir que é gay iria causar muito rebuliço na vida dele. Mais para ele do que para a família: desde já me dá pena. Poxa, coitado, não se aceita! Acho que se olha e não se vê.
Recentemente eu mandei um meme para ele. Ele admitiu que ficou excitado ao olhar o volumoso pau do sujeito da imagem. E ainda assim, não sabe que é gay.
Agora, invocou que quer tirar a dúvida ( e que eu apresentasse um dos meus muitos e tantos amigos gays). Ele quer é tirar a roupa.
Tati e eu, certa vez, falávamos que nem a pior solidão do mundo nos faria ter um relacionamento com uma mulher. E repito: se não tenho desejo, nem curiosidade, muito menos o desespero me faria forçar essa barra. Não dá. Seria uma agressão tão grande contra mim mesma quanto é uma agressão um ser humano gay se forçar a uma relação heterossexual.
Sem essa de normatividade: a gente percebe, sim, o que quer e do que gosta. Viver a verdade de sua sexualidade também é um exercício de amor próprio.
Fico pensando no que me prende ao poeta e vejo que realmente o corpo do homem me atrai e me excita. Nunca houve dúvidas. Nunca. A menor atração por uma mulher, eu jamais tive. Adoro corpo de homem, sexo com homem e coisas que só vejo neles. Claro que há outras coisas, mas o corpo responde melhor as questões intrínsecas à sexualidade.
Quando eu escrevo aqui o quanto tenho sintonia sexual com o poeta. de um modo implícito teço louvores ao que me atrai num homem. Se reparo na delícia que é o meu vizinho, é meu corpo quem deseja com os olhos, quem atribui gostosuras e sabores ao que é desejado. Adoro mesmo a pele, a boca, a temperatura, o toque, o corpo inteiro do homem. Sei claramente isso.
Decerto que há mulheres que gostam de homens, mesmo sem nunca gozar com eles. Ainda assim, são heterossexuais e sabem disso. Por mais que a pessoa relute, ela sabe.

Mas me causa certa compaixão essa dor psíquica de quem não se reconhece e não se aceita...Se não se reconhece, está perdido, perdeu-se de si. Tomara que ele não desista da busca e, finalmente, se encontre.

Mortos Ao vivo


Viver é sempre uma surpresa, mesmo que os dias não nos traga grandes novidades.
Sou uma pessoa alegre, o que não significa que sou feliz todos os dias, nem que não me faltem problemas.
Hoje é dia dos Finados e eu sempre brinquei com meus amigos apagados, aqueles que cheiram a naftalina, que nunca querem sair, ou, se querem, é mais para ter o que exibir no Facebook do que propriamente para aproveitar a vida; aqueles outros, que querem viajar para o mundo ver e não para ver o mundo, graças a Deus, são poucos. Mas é interessante isso de quem tem uma infelicidade intrínseca crônica...Ah, para esses, não tem tempo bom.
Pessoas desse tipo estão tristes mesmo que tudo dê certo e que nada lhes falte; não sabem agradecer por nada que têm, nem reconhecer o que há de melhor me si: vivem sempre suas faltas, convertem algumas em inveja e todas em depressão.
Há coisas, tendência e hábitos que são uma morte. Por isso, todos os dias tento corrigir meus ciúmes. Hoje, já me entendo bem com ele, pois que está aí algo que detonava meu humor.
Sinceramente, se me olho e reconheço que meu desejos não giram exclusivamente em torno de um homem, quem sou eu para exigir que ele deseje apenas a mim? E não seria uma mentira? E se a fidelidade for proporcional à vigilância, ela existe? E se eu me preocupar em vigiar e o outro desenvolver verdadeiras técnicas de disfarce da infidelidade, isso seria ser fiel?
Não, os meus olhos percorrem corpos; sonham contatos, imaginam, desejam. Sou humana e sou normal. Os olhos dele também são humanos.
Decerto que acho ele lindo, lindo, lindo o bastante para concentrar meus olhos deslumbrados e fixar meus sentidos, outros há que os meus olhos buscam.
Sou tranquila: olho disfarçadamente. E sei quem eu quero. Minha fidelidade depende, também, de minha satisfação – seja com o homem com quem estou, seja a de meus instintos.
Não sou tolerante com os ciumentos: acho feio. Não vejo graça em escândalos, em supostas brigas de amor...Já aprontei, outrora, por vingança e ódio da desfaçatez do cara, mas não repetiria isso jamais.
Quantas vezes pensei que amei, mas era apenas histeria doentia? Mas eu não sabia. Hoje eu sei que só amei duas vezes. Se o resto foi amor, duvido: me parecem arestas de uma tendência doentia. Ora foram experiências profundas, ora foram frutos de meus desesperos, tipo eu e FJ. E que bom que tudo se transforma.
Perdi a capacidade de sair com certas amigas: nem mais convido, porque não gosto de andar com gente morta, que vai à festa morrer de sono, querer voltar cedo ou se encher de álcool.
Gosto de gente com fogo no espírito. Gente que gosta de sol, de música e de movimento. Não gosto de arrastar mortos atrás de mim, nem de gente que sai junto e não tem fairplay, que viaja para brigar, que nunca tem flexibilidade. Deus me livre! Por isso, saio cada vez mais só; ou com pares repetidos, daqueles que agitam e têm uma luz de boate na aura.
Deus abençoe aos mortos e os tenha em santa paz.
Os que, para mim, morreram, que o Pai afaste sempre de mim, em igual santa paz.
Os que são vivos-mortos, que nossos caminhos nunca se cruzem, porque não sou múmia, não sou contemplativa, sou viva, me movimento e não me entendo bem com esse tipo de ser, antagônico ao meu jeito. Deixa cada um no seu jazigo, no sepulcro e suas estabilidades mal escolhidas...Ali jazem.


sábado, 22 de outubro de 2016

É fogo!


Eu não sei por que me metem em histórias alheias à minha história, mas o tempo me ensinou a calar a boca. Para isso temos ouvidos. Ouço e me calo.
Já vão três vezes seguidas em que terceiros me procuram para comentar coisas a respeito de gente que nem mais é minha amiga...Posso deduzir que querem que o recado chegue ou que a notícia se espalhe. Comigo não cola: não comento. O que chega aos ouvidos, morre nos ouvidos.
Ainda no tocante ao concurso, minha amiga passou em primeiro ugar. Passou e não sossegou, pois que reconhece que esta vitória foi patenteada pela simpatia étnica da presidente da banca, nossa ex-professora e que havia gente muito melhor qualificada ali.
Sim. Na verdade, nem ela, nem eu merecíamos a vitória. Mas entendo o cálculo moral que a presidente fez, face ao fato de nosso país ser como é.
Minha amiga é muito competente e inteligente, foi premiada por seu trabalho acadêmico de mestrado. Mas os demais pareceram burgueses em busca de emprego. E em maioria, era isso mesmo.
Então, me perguntei se nas situações limite deve-se dar o prêmio a quem merece ou a quem precisa. Esse tema me traz certa angústia, porque eu não gostaria de ser (novamente) subtraída em meus direitos por questões de simpatia ideológica ou de qualquer ordem.
Mas entendo que, para o contexto, foi a melhor decisão, sim.
Nem sempre a justiça é, por assim dizer, justa.
Nem minha amiga acreditou no desfecho do processo. E sente muito pelas manchas morais advindas da referida simpatia da presidente claramente tendenciosa. Agora, é comemorar o prêmio e não reproduzir o que a gente condena.
Deus me livre disso.
Deus me livre de reclamar da injustiça e praticar deliberadamente a injustiça.
Bem, sou inquieta e hoje tomei uma cutucada de um amigo maravilhoso: perguntando a mim acerca dos amigos que estavam no exterior, respondi. Respondi a ele e a mim mesma, em paralelo. É que pedi exoneração três vezes, de empregos estáveis, públicos. Porque também não sou feliz ao preço da estabilidade. Esta estabilidade que cheira a naftalina, que faz você repetir seus dias num serviço que se incorpora às chatices da existência, em que as pessoas vão ficando e fazendo a contagem regressiva para a aposentadoria.
Um dia, uma médium me perguntou qual era o meu talento. Eu não sabia. Ela disse que era a busca.
Daí que, ao responder ao meu amigo, eu disse que meus amigos estavam de volta ao Brasil, cada qual em paz, no seu emprego estável. Mas meu amigo me perguntou: "E é isso que você quer? Paz?"...
Ele me conhece demais, sabe que a paz é uma pasmaceira sem graça, que a gente quer paz porque quer descanso e que quando eu falo em estar em paz é sempre uma abstração, do estar quieta, mas não na quietude do sepulcro.
Quando eu digo que tenho fogo no espírito, digo além da visão óbvia e engraçadinha: eu não sei ficar quieta, 'esperando, parada, pregada na pedra do porto". Eu, ao contrário, 'quero correr mundo, correr perigo'. As estabilidades que eu gosto é da rotina boa, à base de disciplina, tipo: saber que vou à academia, ao centro espírita, que vou ler, que vou sair, tudo com horário e planejamento, porque não vivo sem planejamento, organização e método. Admito. Odeio coisas aos 44 do segundo tempo; odeio efeito-surpresa. Sou uma pessoa 'e se...", ou seja, sempre tenho um plano B e mil planos preventivos e antevisão sobre o que fazer caso algo saia do eixo.
Mas eu gosto de praia e de festa. Gosto de ser desafiada e de ter o que fazer. Não sei mofar, quietinha, sob a ação do tempo.
Tenho medo da velhice por isso: quando minha mobilidade ficar reduzida, como vou me virar, se o fogo é no espírito e não somente no corpo?
Coisa que queima meu juízo é pensar nisso.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Dos dias turvos


Por que nem todo dia nós somos felizes, nem todo dia há o que comemorar. Hoje, por exemplo, estou bem triste, aquela tristeza que pega a vida inteira, em todos os aspectos, embora, na verdade, eu só tenha dois problemas.
Acho que isso é tipo aquelas dores que a gente tem numa parte do corpo, mas que se irradia para outras.
A dor também irradia sobre minha relação com o meu pai. Eu queria mesmo saber se eu o perdoei ou se me engano, porque sempre a mágoa volta. É uma mágoa assim tipo algo perto da decepção.
Para entender a mim mesma, me coloco no lugar dos que me amam e não são correspondidos e que, por isso, têm atitudes de ódio contra mim: como se eu fosse obrigada a amar, como se eu devesse amar por gratidão e reconhecimento a certas qualidades, como se eu, necessariamente tivesse escolha consciente e deliberada, como se eu escolhesse um amor tal como se eu entrasse no supermercado e escolhesse o melhor produto.
Até que eu queria. Assim, não amava gente errada, não me gastava em relações destrutivas e tóxicas, como outrora.
No caso, sou filha única. Meu pai acha um desgosto eu ter estudado tanto, pois que fiquei imprestável para casamento. Para ele, os livros tomaram o lugar dos filhos (netos) e a orgulhosa pertença a mim mesma, isto é, o celibato, me deixou desprotegida, sem um homem, sem um amor.
Meu pai acha que eu nunca deveria ter deixado de ser militar. Que a vida é isso: a gente perde prazeres, perde tempo, mas ganha dinheiro. O mais importante é ganhar dinheiro. Segundo meu pai, toda a insatisfação cala frente ao fato de que no fim do mês o Estado me pagaria. Estabilidade é isso: tem tédios, mas tem segurança...como os casamentos...ou nem sempre.
Eu, assim como os meus mal-amados, acho que merecia ser amada. Mas meu pai nem sabe se estou viva ou morta. Às vezes, ele traz as angústias dele para conversarem comigo: ele sabe que eu sou compreensiva e tem em alta conta minha clareza com a vida.
Hoje, também, perdi num concurso importante. Importante para mim, porque era onde eu queria, no que eu queria. Não tenho vergonha de fracassar, nem invento palavras consoladoras: perdi por bem pouco. Perdi. Perdi tempo, dinheiro, sonhos e um bocado de disposição.
Não faço concurso por experiência. Faço para passar. Experiência com alto custo, com inscrição a R$ 200,00 e mais R$ 80,00 em postagens, documentos e xérox, fora os preços de hospedagem, alimentação e transporte, eu não quero. Não gasto tanto por uma experiência. Tem gente que é cara de pau, faz, perde e fica com cara de gostoso dizendo que concorreu por experiência. Ora, tem formas mais honestas de perdoar a si mesmo.
Bom, essa sou eu. Sou meio radical, íntegra nas emoções. Se amo, amo...Mas no dia em que digo ‘nunca mais’, sempre temo, porque ergue-se, ali, um muro na fronteira do orgulho e da honradez pessoal, pois que é minha palavra. E muita mais é um tempo tão longo quanto o para sempre. Ou um é o mesmo que o outro. Sei que eu disse ‘nunca mais’, anteontem. E sei muito bem o que eu disse.
Minha amiga, hoje, derramou razão sobre mim: falou que um affair de tempos atrás deixou uma chamada no Skype, à qual ela não deu retorno. E me disse: “Ele é baixinho, tem uma boca horrível, é todo feio...como eu pude me dizer apaixonada por ele? Onde eu estava com a cabeça? O que foi aquilo? Bem que você me disse!”.
Eu disse que não era paixão nem poderia ser, porque nem houve tempo. Nunca vi o “sultão carinhoso’ e, portanto, nunca o critiquei fisicamente. Mas olha o que dá quando a Bela Adormecida acorda?
Acordou do pesadelo e não reconheceu a si mesma de outrora.
A gente deveria ouvir mais os conselhos dos amigos e seus pareceres.
Nem estou nessa mesma condição, mas aprendi a não querer mais certos flertes. Deixa para lá. Deu muito trabalho esquecer Vini, fazer F., G.P. e FJ me deixarem em paz...Sai caro, emocionalmente falando, investir em se livrar de gente que a gente não quer.
É, como a tristeza está aqui, vou levá-la a um passeio amanhã, vamos ficar a sós, vamos nos entender...Quando ela quiser ir embora, eu vá. Nesse caso, é uma visita esperada. Mas é uma visita: vai embora. Nem preciso espantá-la a vassouradas;


sábado, 1 de outubro de 2016

Futuro do presente


Há pouco eu falava a respeito de uma declaração de uma amiga a um canal de TV, em que ela dizia que no trabalho artesanal do bordado, se ela se propõe a fazer um trabalho para presentear alguém, está dando de si. Por isso, não vale fazer comercialmente, nem ter visão do tempo comum, do prazo...É lazer, é higiene mental e é um gesto amoroso.
Ela é minha amiga Déa, doutora e professora do ensino superior. Mas, na tela, a tarja a identifica como ‘bordadeira’, porque ali, no contexto, ela era. Não era espaço para hierarquizar e esfregar  na tela títulos acadêmicos, anexando-os à função de que se fala. Não é depreciativo nem humilhante ser bordadeira.
Entendi perfeitamente e me identifiquei.
Você pensa numa pessoa e projeta um bordado, um presente para ela. Há uma elaboração mental e afetiva nisso. Sou assim para comprar presentes. Também para recebe-los. Com muito orgulho e amor, guardo coisas confeccionadas para mim.
Isso de personalizar um presente, para mim, é mais que dar uma cara a ele.
Projeto sempre o que dar de presente. Penso na pessoa a quem darei. Certamente que me dou junto, porque não sou de dar presentes para ‘cumprir tabela’: eu penso na pessoa, no que ficaria bem para ela, cogito, elaboro...Nunca daria porcaria a ninguém – e aqui não falo de preços, mas de qualidade afetiva no que escolho.
Já dei presente sem alma a gente sem alma, gente que se importava mais com o status da marca do que com o valor agregado do peso simbólico emocional que ali eu punha. Muita gente, das quais o meu pai.
Presenteio por amor. Não sinto a falta monetária do dinheiro investido. Não é este o caso. O presente é quase um totem que diz o quanto me importo com aquela pessoa. Tivesse eu muito dinheiro, talvez desse coisas proporcionais às minhas posses, mas afetivamente nunca seria mais do que é agora.
Já penso no presente para meu maior amigo. Maior, não melhor. Todos são melhores, pois são melhores que eu em muitos aspectos e não os vejo com essas diferenças entre si, não faço hierarquia de afetos. O ‘maior’ é porque vivemos muitas coisas juntos. Segredos, crises, alegrias...E a amizade tem tempo demais, proporcional às vivências conjuntas, inúmeras.
Sem fazer média, cada amigo tem especificidades.
O mais difícil e presentear namorados, ficantes e afins. Terei problemas em presentear meu poeta favorito, que aliás, vem incorporado meu discurso e meu pensamento, sem se dar por isso. E ainda bem que ele disse que me acha bruxa...um pouco mais bruxa que as outras mulheres: pensa que manipulo elementos, atuo e ajo sobre o destino das coisas, manipulando, também, a consciência dele. Imagine...
Estou feliz por quatro coisas: consegui falar e ser ouvida e entendida pelo cara de Salvador, eterno insistente, aquele com quem fiquei no carnaval, que entendeu que não ficaremos nunca mais e que eu não estou interessada; o mesmo se aplicando ao idiota do GP, que ainda teve que me ouvir dizer que ‘não me falta nada’, ou seja, ‘’não te quero mesmo’; também o ‘Zé Bonitinho’ tomou um bem entendido fora (fala sério: rebanho de homem descompreendido, que não se toca de que não quero nada com eles) e, acima de tudo, rompi a amizade e excluí do Facebook e da vida uma amiga forçada, de quem eu era amiga por obrigação moral e paciente piedade, depois de 23 anos de opressão, intercalada por distâncias geográficas esporádicas.
Escrevo sobre isso porque se eu pudesse diria a cada um que tem um amigo mala, uma relação obrigatória: chute o balde. Rompa!
Eu deixei de frequentar lugares, de estudar no cento espírita neste ano, para não aturar a referida mala, para não dar carona e aturar 15 minutos de tortura, com assuntos ridículo e perguntas do tipo FUVEST, em que ela avaliava meu conhecimento sobre Literatura e cultura geral.
Pessoa terrível, vingativa e descontrolada esta de quem falo. Não aconselho ninguém a esperar 23 anos para se livrar de gente assim.
Não se demore no que não te faz feliz (emprego, namoro, amizade, país, curso): apenas elabore e projete a ruptura que pretende. Pode levar tempo, mas antes levar tempo e se efetivar, a romper num átimo e voltar atrás.

Voltando ao caso, adoro presentear meus amigos. É minha forma de agradecer a Deus por cada um deles, que são meus presentes maiores nesta existência.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Papo retrô


Não gosto de machismo. Gosto de homem. Achei linda a foto do Paulo Zulu, nu, nos nudes que vazaram. Não vou anexar a foto aqui porque certamente vai ter repercussão judicial o desenrolar dessa trama.
Um corpo bonito de um homem bonito é um espetáculo e não um escândalo.
Escrevi para o meu poeta o que minha timidez não me permite verbalizar: eu amo aquele corpo. Amo nas partes que o compõem: na pele, na fronte que adoro beijar, nos cabelos que acaricio com amor e prazer; amo as texturas e as temperaturas, amo a maciez daquelas mãos e aqueles lábios deliciosos como fruta doce;amo o abraço e a forma como ele me comanda nos carinhos e no tom de voz que usa quando quer me dominar ou ser perdoado...Aliás, quando ele cresce intelectualmente, ele reconhece os próprios erros e precisa da minha mão, que ele chama para junto de si.
Eu queria nunca ficar longe daquelas mãos e sei o quanto ele gosta das minhas: eu disse que amava os pulsos dele, que parecem patas de tigre, de uma robustez macia e doce...Mas a fera ronrona e mia nas minhas mãos; mansa, se deixa domesticar.
Tive uma experiência interessante no reiki, hoje: senti o meu coração. Não é esse sentir besta, de pulsação e batimento, que nos damos conta para confirmar que estamos vivos. Foi uma percepção diferente...
E me deixei ir...aí a energia tomou minhas costas. com coluna e tudo. Tive aquela mesma sensação que se tem quando se está numa montanha russa, aquilo que nem é arrepio nem é medo, mas se parece com ambos.
Eu tenho um coração.
Porque a gente responsabiliza o coração por tudo aquilo que o cérebro negligente faz de errado, mas não sente o coração...
Eu sinto o coração dele sempre que o abraço e beijo bem de leve perto da orelha: nessa posição, o coração dele se apoia todo em frente ao meio seio direito...pulsa carinhoso, medroso, talvez desejando o silêncio de si...E o poeta diz que meu corpo pesa como uma pluma...acho engraçada a desproporção, mas entendo que, se ele é uma muralha de bem traçados músculos, não deve mesmo perceber meu peso.
No mais recente livro dele, ele escreveu metaforicamente sobre isso, dizendo do peso do meu coração de seda em abraços metálicos que eu furtei dele...ele não me deu o abraço: eu roubei.
Somos assim: seres de uma vivência ímpar, nas imprecisões dos afetos, nas impermanências que a vida traz. Mas amo aquele corpo. Não amo o homem, mas nisso não vai nenhuma subestima. Meu coração é meio medroso.
Sou muito tranquila e quieta quando as emoções estão domadas e as relações se estabilizam.
Geralmente, se há mais alguém em minha vida, isso se faz por vingança, revide ou ausência de laços emocionais.
Não me digo fiel, mas seria por quem vale a pena. Porém, se estou bem com uma pessoa, não há razão para pular em outros galhos.
Muito recentemente, Vini me pediu para a gente tentar de novo. Ficamos uns dias nos falando...Não tive como retroceder num amor que não mais existe - ele mexe comigo, sim, mas por conta de significados construídos e já elaborados e passados. Não acredito mais que possamos ficar juntos.
Meu crush de Seabra também deu as caras...talvez,um dia, quem sabe.
E, como o Cupido tem senso de humor aguçado, GP, aquele meu affair de Salvador, veio atrás, procurou, escreveu, ligou e quando finalmente eu respondi, ele ficou irado. Disse-lhe eu, no tom mais clichê e brega, em resposta à indagação dele sobre se eu tinha saudades:"São águas passadas no lindo rio de nossas vidas. Não vamos mexer nisso". E ele disse que eu não precisava procurar palavras bonitinhas para dar um fora.
Na terceira tentativa dele eu só faltei mandar uma foto do poeta e dizer que estava com um homem lindo, inteligente, criativo e gostoso, mas disse apenas que nada me faltava. Encerrei o assunto e não sei mais com quantos 'nãos' se faz um fora para um cara persistente ou mal-entendedor, porque outro candidato está na mesma.
E sou sincera com minhas emoções: quem eu gosto, gosto mesmo...

domingo, 4 de setembro de 2016

Separar e superar


O ser humano adora uma magia. Não é à toa que acredita em tudo quanto é coisa que lhe apareça e que pareça feita sob medida ao seu próprio desespero.
É uma tal de autoajuda daqui, para trazer a felicidade em 120 páginas; é uma ginástica passiva dali, para fazer emagrecer sem esforços; é um remédio de lá, para resolver traumas, medos, insônias e angústias, é uma simpatia, reza ou magia para atrair o que é bom sem fazer por onde...
Aí, hoje em dia, falando em fórmulas prontas, é que entendo quando uma amiga me disse ter passado 2 anos se preparando para romper um noivado.
Se querem uma receita para uma boa separação, ela não há. Mas, pelo menos, tem aquelas medidas que a pessoa toma para fazer possível alcançar a meta. Não dá para vencer a angústia sem assumir as rédeas da própria vida e se submeter a algum processo de exploração/viagem psicológica; não dá para emagrecer sem condicionar o metabolismo; não dá solucionar problemas reais com soluções surreais. O mesmo caminho se aplica à separação. O que se pode fazer?
1) Tentar fazer sozinho (a) coisas que costumeiramente só se faz a dois. Então, veja seu filme, faça a sua viagem, compre o que for, enfim, faça sem a presença do parceiro. Isso lhe dará um parâmetro muito importante acerca de sua dependência dele (a).
2) Permita que a pessoa faça algo sem você e, de preferência, que ela se ausente por alguns dias. Assim, se o ciúme e a carência não corroerem seu coração, você poderá avaliar esta ausência enquanto sinônimo de alívio ou de saudade;
3) Pense muito acerca de como era a sua vida antes dessa pessoa e desse convívio. Atribua uma nota a isso.
4) Observe fatores específicos do convívio: a) o que melhora com esta pessoa  b) o que piora com essa pessoa; c) que alternativas eu tenho para viver sem essa pessoa; d) a que coisas renunciei para estar com essa pessoa; e) o que perdi para ou com essa pessoa.
5) Um relacionamento é feito por duas (ou mais) pessoas. Logo, se não dá certo, você também tem responsabilidade no caso. Avalie o que você fez e de que forma contribuiu para que as coisas chegassem a esse ponto.
6) Mentalmente, planeje sua vida - metas, sonhos, perspectivas - sem a pessoa em questão. Aqui você verá se sabe ou não viver sem ela. Racionalmente, sabemos que viverá, sim. Porém, aqui se mede a capacidade de suportar uma angústia de separação.
7) Esta pessoa de quem você deseja se separar possui que elementos positivos? As coisas que determinaram a entrada dela em sua vida ainda existem? Se não existem, a que se deve o fim?
8) Como você realmente se sente ao estar com essa pessoa? Se notar que se sente mal, não acredite em sua avó. Não é melhor viver mal acompanhada do que só, mas ao contrário: antes só do que mal acompanhado. Você tem a si mesmo (a), aos amigos, familiares...Amor a gente tem espalhado em vários segmentos de nossa vida. Amor romântico é que é difícil. Mas olhe se não foi você quem deixou de amar ou quem se permitiu cair no tédio. Seja honesto (a) consigo, caia fora da relação. No começo, a pessoa chora muito; depois chora menos; depois não chora mais. O coração aperta, todos os sintomas a gente conhece, mas vale a pena atravessá-los e chegar a um vazio fértil, que é onde a gente nota a falta, o vazio, mas suporta por saber que ali é um lugar vago que não pode ser preenchido por qualquer pessoa, só para tapar um buraco.
9) Se não tem jeito, se é o outro que quer a separação, não insista: a pessoa não lhe tem amor. Poderá ter pena. Você aceita migalhas? Não matam a fome. Podem até matar você...Então, viaje, ponha um oceano de distância, se mude, faça um afastamento geográfico que lhe ajude no afastamento emocional. Largue a vida da pessoa e o faça respeitosamente. Aliás, brigue; ponha os demônios para fora, lave a roupa suja; ou peça perdão, peça desculpas, mas resolva as pendências emocionais, para não ter recaídas. Deixe a pessoa em paz. Largou, largou. Esqueça as investigações.
10) O passado em comum sempre vai existir. Se você rasgar a fotografia ou destruir os presentes ganhos, nada mudará o que já foi vivido. Equilibre a memória a dois. Imponha a si a disciplina de não alimentar a saudade. No começo, sim, a gente lê novamente as coisas, exuma o passado, chora...Mas isso tem prazo certo.
11) Saia...se você quiser. Não deixe de ir a um show porque o seu par não vai ou porque a relação acabou. Sua tristeza vai estar com você aqui ou em Nova Iorque; seu cenário interior, turvado por tristezas, será o mesmo aqui ou em Paris. Porém, sair te expõe a novas situações, deixa menor lugar para recolhimentos chorosos e, seja como for, dispersa a fixação do pensamento no fato.
12) A melhor resposta é gostar de si. Esta tal de autoestima não é cuidar do corpo e da cara: é cuidar bem de si mesmo (a). Esse cuidado diz que não se deve delongar uma infelicidade, um mal-estar. Se a relação te intoxica, saia logo dessa. E fique bonito (a), para encarar a bad  com ar de vencedor (a). Se a gente estiver acabado por dentro, não precisa externalizar isso.
13) Prepare-se para eventuais repetições de padrão: o normal é que você vá, aos poucos, procurando substituto (a) para o parceiro (a) que tenha coisas em comum com  pessoa de quem se quer se separar. Pode ser semelhança física, de hábitos, de preferências...E você tenderá, também, a repetir seus atos e seus erros. Hora muito importante de avaliar a si mesmo.
14) Meça suas fraquezas. Pode ser a fraqueza jurídica, de não aguentar uma separação formal e seus trâmites; o medo de dormir só; a usura pelo dinheiro e pela qualidade de vida; a dificuldade para dividir; o egoísmo que não permite deixar o outro em paz, seguindo um rumo próprio; ou as dores de cotovelo por se sentir substituído (a). Seja franco (a) consigo mesmo (a). Localize sua fraqueza e vá resolvê-la.
15) Aceite suas fraquezas: avaliou, viu que não aguenta se separar? então não se separe. Aguente. Engula sapos e se aceite. Procure sua forma particular de baixar a temperatura do inferno e toque a sua vida sem reclamações.
16) Não aceite conselhos como verdades absolutas: a vida é sua, é você quem sabe de si. Assuma a responsabilidade por suas escolhas e faça o máximo para ser feliz.
17) Saiba escrever novos capítulos, ainda que seja na mesma história. E no mais, boa sorte!