Louquética
Incontinência verbal
terça-feira, 24 de maio de 2016
Guerra e paz, aqui se faz...
Não tem nada de errado com a vida, não: ando mesmo é ocupada...
Tanta coisa para ler, para corrigir, para fazer...Uns trabalhos em que me meto por necessidade e por curiosidade, mas que à parte a exaustão, me dão muito prazer...
E para apimentar a vida, andei brigando. Nunca mais havia brigado. Acho que gosto de uma boa briga, boa mesmo, com gente que tenha argumento. A de agora, para ser sincera, foi caso de quebrar a cara com uma amiga. Porém, vão os descontos por ser mais uma depressiva neurótica ou neurótico-depressiva que achou que eu flertei o flerte dela, sendo que nunca vi a pessoa na vida real e apenas me limitei a transmitir um recado que ela pediu. E como eu me despedi agradecendo e mandando um emoji de beijo, ela traduziu como se eu houvesse me jogado sobre o guri. E isso porque eu dei meu celular a ela, para que fosse inspecionado...Ousadia que fere minha privacidade, mas que abri concessão em vista de não ter mesmo nada a esconder.
Não sou de engolir desaforos.
Nem foi esse o caso; ela mostrou o que, de fato, pensava sobre mim.
E se tem uma coisa que eu não faço é atravessar uma amiga.
Jamais bateria laje no terreno de uma amiga. Nunca!
Inclusive, recentemente, renunciei a um flerte porque o cara é desejado por quatro amigas minhas.
Não é apenas desejado, vamos trocar em miúdos: um bando de mulheres conhecidas minhas, amigas mais próximas também, estudaram com ele e vivem na tocaia até hoje.
Graças a Deus, elas nunca me fizeram perguntas que me obrigassem a dizer certas coisas que, de tão óbvias, ninguém vê. Saia justa é o que não me falta, porque elas realmente disputam território. Uma, finge desdenhar, mas já deu tanta bandeira, reclamou comigo que, num evento, ela precisou acenar mais que controlador de tráfego aéreo, até que ele correspondesse e, quando estávamos numa festa, foi a tal amiga, T., que perguntei sobre ele. Ela subiu nas tamancas, pirou, ficou irada...
Desconverso sobre o flerte de outrora. Deus me livre: perder quatro amigas por causa de um cara?!Nunca. Por isso dissimulo, faço de conta que sou um pedaço de tijolo, que ele nem sabe que eu existo. E até perdi o interesse na causa, quando vi que elas sonham com ele. Eu não sonho: eram só desejos.
Eta, vida besta, meu Deus!
Não quero briga com meu poeta. Chega! Ele atendeu à minha pauta de reivindicações, foi sensível a muitas questões e eu decidi que vou fazer o possível para viver o presente.
Estou ocupada, ocupada mesmo.
Se a gente se separa, eu me desequilibro, fico triste, fico muda...E eu gosto dele. Aceitei isso.
Não deixo de pensar que esse tempo em que a gente vive é muito doloroso, porque todo mundo prega o desapego, 'o pegue e não se apegue', os amores líquidos...E todo mundo quer amor, quer um esteio...Porém, tem que se enquadrar no padrão geral, fingir, se fazer de moderno...
Não estou fora disso, não: todas as vezes em que a gente terminou, engatei outras relações ou contatos. Um dos quais, viajou 340km para ficar comigo por poucas horas. 340km para ir; 340km para voltar... E é um doce de pessoa...
Namoro à distância não daria para mim. Reconheço que ele foi um band-aid para estancar meus sangramento. Achei que minha relação anterior tinha mesmo acabado, entrei na onda de ir com as outras...E foi bom estar com outra pessoa, sim...Mas bem se diz que a vingança é uma espada que corta dos dois lados...Por um certo lado, me feri.
Claro que, novamente, agradeço a Deus por ter mais um homem lindo em minha vida: areia qualificada para meu caminhão, além de carinhoso e educado...Mas era para me desviar das dores...
Gosto de briga porque gosto de luta, gosto de lutar, de ter estratégias, de articular as batalhas...Mas eu quero paz. Não quero terremotos em minha vida afetiva. Chega! A paz do abraço Dele me basta.
terça-feira, 10 de maio de 2016
Teus vestígios
Jesus Cristo!!!Meu coração é mais confuso (convulso) que a minha cabeça!
Acabei de sair correndo do Facebook, por causa de Vinícius. Putakiupariu! Ele procurou uma ousadinhazinha, nada demais, e meu coração deu uma acelerada, que eu pensei que ia capotar na curva. Ai, que raiva! Ele ainda mexe comigo! Minha orelha ardeu, eu fiquei vermelha...Poxa!
Nem tem 48 horas que eu estava feliz, na carne do Poeta, e cá estou nessa, fugindo.
Também, olha o meu contexto: passei numa seleção, para dar aulas de Cultura e Literatura Brasileiras, numa universidade metida a besta...Na República Tcheca. Pode?
Pode!
Mandei currículo, publicações, documentos digitalizados...
Não fui a Praga, mas fiz a entrevista via Skype.
Eu, com medo da entrevista em inglês - que acabou sendo em Português de Portugal, depois - comecei logo dizendo: "Sorry my accent!", como se lá também as pessoas não tivessem sotaque.
E conversei, respondi e etc., até o entrevistador dizer que dentre as motivações profissionais de qualquer pessoa, está o salário.
(PAUSA DRAMÁTICA: ESTOU ESCREVENDO TRÊMULA, ainda POR CAUSA DE VINÍCIUS).
Da sentença, eu pensei: "Poxa, o cara deve estar me achando hipócrita, por não assumir que quero dinheiro!". E de repente, não mais que de repente, ele disse com todas as letras que eles pagavam mal, que eu ganharia cerca de 800 euros, para trabalhar em turno integral...
Caí da escada.
Caí da nuvens.
Opa, caí!
E deixou claro que somente se eu fosse suicida eu toparia uma coisa dessas, apesar de lá ser tranquilo de se viver.
Nunca imaginei que algum lugar deste mundo pagasse a um professor salário pior que o que impera no Brasil.
Bom, não vou.
E a Universidade é muito poderosa...Por medo de processo, não digo o nome, mas é aquela que o povo chama de segunda Oxford, sabe?
E eu ansiosa, medrosa, com medo de chamar Jorge Amado de Jorge Loved, num inglês digno de Joel Santana...Na hora H, nada de relevante foi perguntado.
Aí, claro, estou tentado estudar para o concurso que realmente me interessa, mas concentração, que é bom, zero.
A vida amorosa, que não tem amor nenhum, vai assim:
O crush de Seabra, que viria aqui hoje, ficou preso nos engarrafamentos de Salvador, na onda de protestos do dia de hoje. Com um bocado de atraso, passou por Feira direto, para não perder um compromisso em Irecê. Nem vi a cara dele. No meu íntimo, claro, vou mandar pastar - era só um flertezinho sem muita consequência...
O F de ficante de Salvador, eu não vejo desde o carnaval, mas ele não percebe que acabou, que foi só ali...Aí, todo dia eu deixo claro que não volto, mas ele não cansa de esperar, de me encher de conversa; e eu enrolo um pouco, para não ser mal educada...
O Poeta, ou Ele, continua sendo quem eu penso que gosto...Ficamos um tempão separados, mas o reencontro foi ótimo. Dentro de mim, muita coisa mudou...Penso nele e me vem o poema de Fernando Pessoa, sabe? "A minha alma partiu-se como um vaso vazio/Caiu pela escada excessivamente abaixo..."
Tenho uma raiva disso. Talvez eu quisesse que ele me fizesse amá-lo...Não se fez amar, mas e se se fizesse? Por acaso amor é escolha?
Ah, me senti humilhada agora! eu devo gostar ainda de Vinícius. Que merda! Que droga!Aquele moleque, se eu der de cara com ele por aí, eu tropeço, caio, desmaio e nunca mais levanto...Poxa! Que revolta! Esse sim, me lembra uma velha música do metrô:
"Convenci mais de meio mundo
Que o meu corpo não era mais seu
Que eu estava mais do que feliz sem você
Conheci olhares e perfumes
Perverti até nos bons constumes
Inventei romances só pra te esquecer
Mas não deu
Eu vou dormir só pra sonhar com você
Te seguir
Não quero mais acordar, nunca mais
Never more...Jamée plus."
Coisa horrível isso. Ou eu devo estar bem desequilibrada...
domingo, 1 de maio de 2016
O melhor do sexo
Nunca procurei briga com Sigmund Freud. Ora, tenho invejo do pênis. Sim, tenho complexo de Édipo...E somente agora essas situações psíquicas vão se arrumando.
Acho que tem um processo global de arrumação da casa psíquica do ser, porque hoje em dia os homens já podem chorar e até ter sentimentos. Tenho amigos próximos que são excelentes pais...Quase mães, de tão pais em afeto, atenção, carinho e participação na vida de suas crianças.
Do lado feminino, mudanças, sim...Só nessa autonomia em poder escolher parceiros sexuais e em optar, mesmo a alto custo, em ser ou não ser mãe, o ganho é grande.
Porém, o que os homens pouco notam - e as mulheres também - é o quanto o plano da sexualidade feminina mudou.
Posso dizer, hoje em dia, que a minha primeira vez não foi nada de especial. Nem poderia ser, porque não tive voz ativa: tudo transcorreu conforme ele quis. E depois dali, me interroguei o que até hoje interrogo às outras mulheres, já passado tanto tempo: Como é possível que nós, mulheres, tenhamos orgasmos sozinhas; e não tenhamos em companhia de um homem?
Da primeira vez, tudo bem. A ansiedade e o medo estão lá. A carga moral está lá...Alguns olhares sociais repreensíveis que a gente internaliza também estão ali. De modo que o homem tem que ser superior a tudo isso para poder auxiliar a gente. Não obstante, não se sensibilizam com a causa.
Hoje em dia é que há homens mais aplicados em serem agentes do orgasmos, a fim de conquistar as mulheres e deixar o portfólio no capricho para abrir outras futuras portas (e pernas). Acho que todo homem deveria se preocupar em ser gostoso, sexualmente gostoso. Todavia, tem um parcela bem grande desse segmento que acha que basta estar ali, que a presença basta.
Não tenho nada contra cafajestes, porque estes são gostosos e quantificadores. O problema é gostar de um do tipo e querer exclusividade. Mas, quem tem exclusividade hoje em dia?
A sexualidade nas mulheres é um processo. Há coisas que eu ignorava em meus desejos ou achava que nunca iria gostar...Aí, veio o poeta e me mostrou que tudo pode ser diferente...E bom!
Num sessão de psicanálise, falei certa vez do meu ex, o De Longa Data: ele deitava e esperava. Era um verdadeiro agente da passiva. Aquilo não tinha o menor efeito de prazer para mim, mas eu gostava dele. Não dava para viver sem prazer...Não dava para viver sem ele...Nesse conflito, sempre acontece o óbvio e nada mais avassalador que uma paixão sexual (por outro). Claro, 'quando bate, fica'. Ficou. Ficou um tempão.
Veja se a esta altura da vida eu iria negar que eu sou louca por sexo? Com que finalidade? Mas o que isso quer dizer mesmo? Isso quer dizer que quem me dá prazer, me enlaça, me prende, me monopoliza.
Não acho motivo de orgulho esse negócio de enaltecer o 'pegue e não se apegue'. Não sou de isopor, não escolho seres para amar e outros para a manutenção da vida sexual. Assim como no sexo, o amor tem que ser espontâneo, natural.
Nunca fui chegada a ouvir e dizer palavrões: o sexo enlatado do canal pornográfico nunca foi algo que eu quis reproduzir, nem nunca exerceu poder de excitação sobre mim - se sei isso é porque consumi e consumo as produções voltadas para a área, mas bem esporadicamente e coisas específicas, porque também não vou contar aqui meus detalhes de desejos e fantasias. Porém, nunca fez a minha cabeça isso do palavrão besta. Há quem goste. Em meu caso, sem efeito.
Aí está o foco da questão: sexo tem algo de bastante pessoal. As generalidade se inscrevem na cultura ocidental de que fazemos parte, na educação que recebemos, nos outros crivos que nos aparecem vida afora... O melhor do sexo pinta quando há uma boa sintonia e confiança para a entrega de si, do outro...
Sou uma pessoa tímida: não vou ditar um script para um cara. Então, acho que a descoberta se faz mediante a experimentação...Vai tentando, propondo, experimentando...Descobrindo...E aproveitando, porque somos reféns do corpo físico, que tem tempo predeterminado de vida útil...
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Tudo joia!
Aconteceu quase agora comigo, e achei um dos mais lindos episódios que poderiam ocorrer em minha vida: há uns meses eu estava falando com Ele (ou seja, o poeta), que eu nunca gostei de joias, nunca dei bola, que curtia bijuterias com design bonito e ponto final. E é assim em minha vida real: para quê eu iria querer um anel de ouro, um brinco de ouro, pedras, essas coisas, se a função da joia é ornar? se fosse para vender, tudo bem...E, depois, não me sentiria bem com três mil reais pendurados em minhas orelhas ou em meu pescoço...Nem com gente a ameaçar meu pescoço por causa do brilho de um colar.
Ele, então, concordou e sei que não foi da boca para fora.
Entre essa conversa e o dia de hoje, ganhei uns brincos, de um homem que já sabia disso: não dou bola para joias. Não quero, não me interesso e, para piorar, minha avó tinha muitas, lindas, prometidas a mim, inclusive, mas o que vi de joias foi minha família se digladiando pela posse. Também nunca me apeteceu.
Gosto de brincos pequenos.
Nunca fui de argolas e penduricalhos.
Já contei aqui, antes, da surpresa que tive quando, por acaso, avaliaram as joias que eu ganhei em minha formatura, sem saber que eram jóias. Ah, ia esquecendo: deve ter uns 16 anos que, por influência de uma amiga de trabalho, comprei uma única joia na vida: um anel de esmeralda rústica, com seis pedras...Isso por questão de investimento e para o povo não ficar falando que eu era desligada. Esse anel foi destruído, há um ano, pelo meu ex-namorado bêbado, em uma manobra idiota de tirar e colocar anel em situação simulada de emergência.
Ele não conseguiu mais tirar o anel e foi preciso romper com alicate. Adeus ouro! adeus esmeraldas! Prejuízo todo meu, apesar da promessa de ressarcimento. Isso só reforça que não nasci para joias.
Bom, minha amiga observou quando eu tirei os brincos.
Já havia observado antes e falado dos detalhes dele.
Ela me disse: vire aí esses brincos! Aposto que tem uma inscrição. Vai ter umas letras, uns números e a marcação dos quilates.
Dito e feito.
Agora vou perder a coragem de sair com aqueles brincos.
Lindos, delicados, pequenos...
Mas, que fofo foi o rapaz, para comigo: ao invés de me presentear e se exibir do que deu, escolheu o melhor que pôde e respeitou o fato de eu não ser interesseira, nem chegada a joias.
Ele me observou. Escolheu conforme meu gosto. Que gesto bonito!
Se eu gostasse dele, agradeceria com um beijo. Mas agradeço com o coração e vou contar a história a ele.
Tudo isso me lembrou Valério. Valério era assim: me entupia de coisas caras, sem se ligar de exibir preços e procedências.
Mas eu sou mesmo uma anta: me formei, na graduação, claro, em 1998: como poderiam aquele colar e anel jamais perderem cor e brilho, se fossem bijuterias?
Olha, quer saber? Meu padrinho é que foi um ouro. Assim como esse anteriormente citado.
Não sou mulher ligada em joias, nunca perceberia... No fundo, aprecio o gesto, mas não me importo com o valor em si, não: nunca venderei. Nunca venderia um presente, muito menos venderia os de valor sentimental...
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Pois que era todo seu meu coração!
Não sei por que cargas d'água fui ler o último e-mail que escrevi para V. Ah, nem cabe ocultar: Vinícius, mesmo.
Talvez fosse meu inconsciente querendo me certificar que gosto do poeta, mas não amo e dificilmente amarei...Talvez seja o mesmo inconsciente me reforçando que não amo mais Vinícius, mas amei, por mais que me pareça absurdo.
Li e não fiquei bem.
O ex-Grande Amor da minha vida me dizia que eu escrevia para doer...que eu escrevia com intensidade, que eu me fazer ver em minhas palavras: eram dor em alma, expostas nas letras.
Hoje que não amo mais Vinícius, ler o último e-mail me doeu tanto. Poxa, é tão difícil a gente aceitar que colocou nas mãos do outro o nosso tesouro mais autêntico, mais verdadeiro, mais original, que é o coração sincero pleno de amor.
Não acho que haja obrigatoriedade de ninguém me corresponder.
Acho, porém, cruel, a postura de o ser amado se sentir dono da situação e brincar com a potência do sentimento do outro.
Aí, li: ali estava um coração desolado, sincero e lúcido, que era o meu.
Era só desabafo. Mas era tudo que eu tinha. Era eu, desnuda, real, a dizer que ele era muito importante para mim.
No fim do e-mail eu citei os Três mal amados, de João Cabral de Melo Neto, já reproduzido aqui, mas sempre me dói lembrar tudo que o amor comeu. Ainda mais quando o poeta escreve lá, que o Amor bebeu a água das quartinhas e até a dos olhos, que ninguém sabia, estavam cheio de água.
Vinícius nunca respondeu a esse e-mail.
Respondeu a poucos outros.
Hoje, ele só tem minha palavras em monossilábicos eventos comemorativos.
O amor comeu todas as minhas palavras e deixou um rombo semântico bem difícil de explicar.
Não e cruel quem não ama, mas quem usa o amor por si como tortura.
Há amores que pedem distância: são amores por parentes e amigos, já cheio de espinhos e mágoas, que não se consertam com desculpa e polidez.
Não amei, pouco gostei de G., meu amante de longa data... tenho isso: às vezes é somente sexo mesmo. Já outros, não. Não faço escolhas deliberadas. não tenho como acionar o botão de amar, mal-amar ou desamar...Gosto muito dEle, tenho saudades e etc., mas me parece, também, o mesmo que tive com Thales: paixão sexual e aquela hipnose, por ele ser lindo.
Valeu tudo que foi vivido, mesmo o amor não se concretizando: sou humana, sofri, mas me consolo por saber que amor é uma emoção linda. O problema nem é que ele não correspondeu, mas porque ele não respondeu a tudo, quando poderia tê-lo feito.
Talvez minha memória sobre esses fatos seja a memória da despedida, do morto sendo enterrado sob a cova do esquecimento...
Nada será como antes porque a vida não retrocede.
Sou chata. Não volto em sentimentos.
Aconteceu de eu ter dito "sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar", citando Fagner, para Vinícius, já por setembro ou outubro do ano passado...Mas passou. Veio o outro V., e a história mudou toda.
Minha vida mudou numa noite, num show do Scambo, no Ária.
Não aconteceu de eu conhecer ninguém: um barato se instalou em mim e eu mudei. Só.
Saí do show e acordei diferente. Tudo diferente.
Daí, em dezembro, comecei o namorinho com o poeta...E ei-nos aqui, até hoje - com crises e momentos felizes...
Mas minha vida ia lenta.
De resto, estou tal Leminski: "Não brigo com o destino: o que pintar, eu assino"!.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
As dúvidas e as alternativas
Há momentos em que não ter alternativas nos deixam encurralados, entristecidos e perdidos. Porém, ter alternativas demais gera a angústia da perda a partir das escolhas.
Estou com medo. Não gosto de decidir para não ter que arcar com o ônus...Por enquanto, as alternativas são poucas, mas radicais, excludentes entre si...
E abandonar meus lugares cômodos, não é tarefa fácil.
No sábado fiz uma sessão avulsa de análise - eu estava entristecida demais pelos rumos do meu namorinho com Ele. Estava com a cabeça baratinada e uma ressaca de sono da sexta passada entre três bares, a dançar e conversar, porque não consumo álcool.
Cometi um ato falho que puxou o enredo de minha vida dos quatro anos até agora. Foi só o lapso de ter dito "Alunos infantilizados", ao invés de "Adultos infantilizados" e daí escorregou a gama das questões.
Também, era uma profissional FODEX, de alta competência mesmo. E se tem uma coisa que eu sofro e apanho calada, é quando uma verdade vem bater na minha cara e eu sei que depois de enfrentá-la, tudo estará resolvido.
Feridas narcísicas, hematomas espirituais, sim, eu tenho...Mas vão cicatrizar.
Até o mais leigo dos seres perceberia que fui de um evento de família à esfera profissional, passando por várias outras. Mais uma a me confirmar como histérica - que, aliás, toda mulher é e uns raríssimos homens, também.
Nunca me convenceram mesmo de que sou egoísta. A sessão de terapia do sábado veio a confirmar: as alternativas que a vida me dá e as que eu crio, são sempre permeadas por pensar nos outros como em mim mesma. Porém, anulo a mim mesma, porque me sinto responsável pelo outro. Todos são, pois, 'adultos/alunos' infantes que dependem de mim e do meu papel de velar por eles.
Repito erros crassos, que são de minha personalidade.
Finco pé nas decisões tomadas: voltar atrás de uma decisão, não é comigo. Por isso a demora, a vertigem de decidir...
Já falei com Ele. Já estabilizei minhas angústias, pois se assim não fosse, não escreveria.
Não escrevo se estou mal.
Não escrevo se estou mega-feliz.
Dois extremos difíceis, porque na felicidade eu gosto de silenciar e viver.
Estou no meio do caminho, feliz em certa medida, pelo reconhecimento dEle frente à minha escrita, pelo respeito aos meus argumentos... - Ah, escrita acadêmica. Não dessa escrita solta e louca daqui, que não divulgo por aí...
Hoje foi um dia em que, de fato, as alternativas foram se apresentando...Não sei se há resposta certa, alternativa certa...Espero saber escolher.
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O que se parte
Não era como eu pensava: meu namoro não deu certo mesmo. Claro, continuo covarde e Ele não foi comunicado ainda disso...Acho que fico cozinhando, deambulando em mim mesma, com medo de lançar o decreto do fim durante o calor de minha sinceridade afetada.
Machista e misógino, como sempre. Ou como nunca...
Relacionamento é isso, essa complicação: para uma parte, está tudo certo; para outra, tudo é falta.
Ontem, de fato, foi demais: Ele me disse que as mulheres conversam demais. Antes, já tinha dito que eu parasse de conversinha, quando eu quis conversar sobre outras coisas. Não nego que eu estava irada e nervosa, porque ele foi novamente negligente comigo e ainda falou do meu aniversário como uma comemoração equivocada para quem faz mais um ano de vida, em direção à morte. Pelo menos, me disse temer a morte.
Falei a Ele que isso era negar o meu Ser. E que mesmo assim, meu silêncio seria comunicante.
Novamente, ouvi a velha grosseria: mulheres não deveriam falar, nem argumentar e, segundo Ele, não fosse pelo sexo, nem mereceriam uma só palavra trocada.
Na covardia, ele sempre usa expressões coletivas: mulheres. Deve saber bem que me mandar calar a boca poderia custar caro.
Esfreguei na cara dele o conceito grego clássico machista embutido naquela postura, prontamente admitido. Sim, Ele admitiu: sou um grego nascido no sertão, em outra época. E como eu não quero ser coisificada, nem estar abaixo mesmo dos escravos, tal como na sociedade grega, decidi que não quero mais Ele.
Gosto dele. Decerto, não amo. Tenho gratidão por ter me vindo gratuitamente, alegrado minha vida sexual, ter sido um bom interlocutor...Mas se me silencia, a palavra é somente dele. Exclusiva.
Sou subornável por um bom sexo, por uma boa cara: ele é lindo, bem lindo, já disse isso. É inteligente e muito bom no sexo. Essas são as moedas de troca. Isso me segura. Paro e penso que somos iguais: talvez eu não desse bom dia a boa parte dos homens com quem falei e falo, não fossem os elementos que me subornam. Mas não os diminuo. Gosto de homens. Gosto de homens como seres. E gosto de homens como seres que podem me dar satisfações físicas e emocionais também. Todo ser, para mim, é completo e complexo.
Talvez eu aja na mediocridade conveniente, deixe para lá...Mas nunca deixaria para lá, na realidade: para mim, acabou. Se eu voltar a vê-lo, será por sexo mesmo...Mas nem sei se isso se concilia, porque o desejo e a repulsa, postos numa mesma mesa, deve dar indigestão...
Talvez, agora, eu tenha dificuldade em processar minha perda. Ando chata: mandei meio mundo de ficantes e candidatos para o espaço. Não quero. Saber o que não quero, ajuda. O que busco, agora, é ser sincera com meus instintos, nessas terras de poucos heterossexuais praticantes...
Deixa estar. Mas, dentro de mim, acabou. Aos poucos vou admitir a mim mesma que há preços altos demais para se suportar um machista...Ele é ridículo nesse ponto.
Dentro de mim, tudo se separou. Até meu coração, se separou em várias partes pequenas...
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